Um levantamento estatístico realizado pela concessionária de energia elétrica do Espírito Santo acendeu um alerta para o avanço de apagões e acidentes provocados por pipas na fiação de alta tensão. De acordo com o balanço, o trimestre mais seco do ano — que compreende os meses de junho, julho e agosto —, somado ao período de férias escolares, concentra o maior índice de ocorrências com interrupção no fornecimento de luz em todo o Estado.
O pico dos incidentes acontece historicamente no mês de julho, período em que crianças e adolescentes estão em recesso escolar. O balanço técnico detalha que, somente neste mês, entre os anos de 2022 e 2025, o território capixaba registrou 138 ocorrências provocadas pela brincadeira, deixando mais de 26,6 mil unidades consumidoras sem luz.
Prejuízos na Grande Vitória e no interior do Estado
Os dados acumulados nos últimos quatro anos revelam o tamanho do impacto para a população capixaba. Entre 2022 e 2025, as equipes técnicas da empresa atenderam 340 ocorrências na região Sul do Estado envolvendo pipas presas aos fios apenas no período de inverno. Este volume representa 44,1% de todos os casos computados na rede de distribuição ao longo de quatro anos.
Ao todo, o reflexo dos acidentes interrompeu o fornecimento de energia de mais de 58 mil residências, comércios e indústrias nos 70 municípios atendidos pela distribuidora no Espírito Santo. De acordo com a gerência de operação da companhia, o período de estiagem e ventos fortes cria o cenário ideal para a soltura de pipas, mas o contato do material com a fiação gera riscos severos de curtos-circuitos e choques elétricos fatais.
Manobras tecnológicas e o perigo do cerol e da linha chilena
Em muitas situações de emergência, a tecnologia do Centro de Operação Integrado (COI) da distribuidora consegue reduzir o impacto por meio de manobras automatizadas no sistema elétrico. No entanto, o tempo de reparo em casos de rompimento de cabos exige o deslocamento de eletricistas e o desligamento emergencial de clientes vizinhos por motivos de segurança até a conclusão dos trabalhos.
Além do risco de apagão, o uso ilegal de substâncias cortantes, como o cerol e a linha chilena, agrava o cenário na Grande Vitória e no interior. Esses materiais cortam as camadas protetoras dos fios condutores, expondo a rede e multiplicando as chances de acidentes graves com pedestres e motociclistas.
Guia de segurança para as férias escolares no ES
Para evitar novos casos de falta de energia e garantir a segurança das crianças durante o recesso de julho, a concessionária orienta a população a seguir as seguintes diretrizes:
Locais abertos: Solte pipas apenas em praças, parques e terrenos descampados, sempre distantes de postes, cabos telefônicos ou antenas;
Não tente recuperar: Se o brinquedo ficar preso na fiação, nunca utilize varas, canos ou suba em muros e lajes para tentar retirá-lo. Apenas profissionais treinados da distribuidora podem intervir;
Proibição de objetos: Jamais arremesse pedras, sapatos ou correntes nos cabos de alta tensão;
Rigor contra linhas cortantes: O uso de cerol e linha chilena é proibido por lei no Estado e danifica severamente a infraestrutura de distribuição de energia.










