A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) avançou em mais uma etapa da construção da 3ª Estação Científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP), localizado a cerca de 1.100 quilômetros da costa brasileira. O projeto é desenvolvido por uma equipe multidisciplinar do Laboratório de Planejamento e Projetos (LPP), coordenada pela professora Cristina Engel, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo.
A iniciativa conta com financiamento do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), participação da Fundação Espírito-santense de Tecnologia (Fest) e apoio da Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Secirm), da Base Naval de Natal e da Marinha do Brasil.
Entre abril e maio deste ano, o arquiteto Bernardo Dias, pós-doutorando do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Ufes, e o engenheiro civil Heitor Rangel, mestre pela instituição, participaram de uma nova expedição ao arquipélago para dar continuidade às obras.
Um dos principais objetivos da missão foi concluir a passarela de acesso da estação científica. A estrutura precisou ser executada em três etapas devido às irregularidades do terreno, à extensão da obra e ao volume de materiais utilizados.
O trecho central da passarela havia sido construído em dezembro de 2025. Durante a vistoria realizada nesta expedição, a equipe constatou o bom desempenho da estrutura após quase seis meses exposta às condições extremas do arquipélago.
Segundo os pesquisadores, o resultado reforça a eficácia do uso de perfis pultrudados — material compósito produzido com plástico reforçado por fibra de vidro — e das técnicas construtivas adotadas para resistir a abalos sísmicos e às condições ambientais adversas da região.
De acordo com a coordenadora do projeto, Cristina Engel, os desafios logísticos e ambientais do arquipélago exigem soluções específicas desde a fase de planejamento.
“Entre os principais desafios estão o transporte e desembarque de materiais, a necessidade de minimizar impactos sobre a fauna local, a implantação de um canteiro de obras enxuto e a busca por soluções que garantam a durabilidade das construções. Trata-se de um dos ambientes mais inóspitos do território brasileiro”, afirmou.
Nesta segunda expedição voltada à construção da estação, foram concluídos os trechos inicial e final da passarela. O primeiro inclui uma área destinada ao descarregamento de materiais próxima ao píer de desembarque. Já o segundo conecta a área elevada da Ilha Belmonte ao futuro abrigo de emergência.
Segundo Heitor Rangel, a estrutura terá papel estratégico para o funcionamento da estação.
“A passarela servirá não apenas para interligar as partes alta e baixa da ilha, mas também como rota de fuga em situações de emergência, garantindo acesso seguro ao abrigo que será construído próximo ao farol”, explicou.
O abrigo, que deverá ser concluído nas próximas expedições, também avançou durante a missão. A equipe executou as fundações da estrutura, preparando o terreno para as etapas seguintes da obra.
Além de abrigar pesquisas nas áreas de biologia, oceanografia, engenharia de pesca, física, sismologia e geologia, o Arquipélago de São Pedro e São Paulo possui importância estratégica para o país. A ocupação permanente da área garante ao Brasil direitos sobre uma Zona Econômica Exclusiva (ZEE) com cerca de 370 quilômetros de raio ao redor do arquipélago, onde o país detém exclusividade para atividades econômicas e de pesquisa.
Para Bernardo Dias, a nova estação científica reforçará a presença brasileira na região e poderá servir de modelo para empreendimentos semelhantes.
“A nova estação científica desempenhará papel fundamental na consolidação da presença brasileira no local. É um orgulho para a Ufes participar dessa iniciativa, cujos resultados poderão ser replicados em outros contextos semelhantes”, destacou.









