O que deveria ser a modernização do serviço de lavanderia nos maiores hospitais do Espírito Santo tornou-se um estudo de caso sobre como falhas de planejamento podem paralisar a gestão pública. A Fundação iNova Capixaba suspendeu, sine die (sem data para retorno), o Pregão 001/2026 após uma enxurrada de impugnações.
O certame foi noticiado, com exclusividade por ES Hoje em 4 de maio. Na oportunidade, em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que “A Fundação iNova Capixaba informa que o Pregão Eletrônico nº 001/2026, referente à contratação de serviços de lavanderia hospitalar, segue critérios técnicos, com base em pesquisa de mercado e em conformidade com a lei, visando economia de recursos públicos”

Cronologia de erros
A cronologia revela um padrão preocupante: em janeiro de 2026, o processo foi interrompido por erros técnicos reconhecidos pela própria fundação. Ao relançar o edital em maio, a Inova Capixaba parece ter ignorado as advertências anteriores, reapresentando um modelo já rejeitado pelo mercado.
As empresas Lavatec, Megalav e Mediclean apontam o erro central: a tentativa de comprar um “serviço premium” (tecnologia RFID e processamento de alta definição) pagando o preço de um “serviço de entrada”.
Os Três Pilares da Crise
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Preço Fora da Realidade: O edital fixou o valor uniforme de R$ 6,31/kg para seis hospitais diferentes. Na prática, a gestão ignora que o custo logístico para atender unidades em Colatina (Hospital Sílvio Ávidos) é completamente diferente do atendimento na Serra (Hospital Dório Silva).
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Risco de Inexequibilidade: Especialistas jurídicos alertam que “maquiar” custos para parecerem econômicos no papel é perigoso. Se o certame prosseguir com valores abaixo do mercado, o vencedor pode abandonar o contrato em poucos meses, causando um cenário catastrófico em ambiente hospitalar.
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Pressão Policial e Social: O caso não é apenas burocrático; é de polícia. O contrato atual é investigado pela delegacia de combate à corrupção por suposto favorecimento e uso de atestados falsos, além de ser alvo de uma Ação Popular por dano ao erário.
O Que Acontece Agora?
Com a suspensão por tempo indeterminado, a iNova Capixaba está em uma encruzilhada:
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Nova Reformulação: Terá que adequar os preços à realidade logística do Espírito Santo, abandonando comparações com outros estados que não possuem a mesma complexidade tecnológica.
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Sombra das Investigações: Enquanto o impasse jurídico não se resolve, as investigações do Tribunal de Contas e da Secretaria de Controle e Transparência continuam a exigir respostas que notas oficiais já não conseguem suprir.









