Demora no INSS passa do limite e leva segurados à Justiça

A fila de análise de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) segue como uma das principais dúvidas de quem aguarda resposta a um pedido. No fim de 2025, o volume ultrapassou 3 milhões de requerimentos — cenário que amplia a incerteza sobre prazos e levanta questionamentos sobre quando a demora deixa de ser considerada normal.

De acordo com a legislação, o prazo administrativo para análise varia conforme o tipo de benefício. A regra geral prevê entre 30 e 90 dias após o protocolo, podendo haver variações em casos que exigem perícia médica, avaliação socioeconômica ou complementação de documentos. Também há prazos definidos em acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelece limites específicos para cada modalidade.

Segundo o advogado Gabriel Freitas, quando esses prazos são ultrapassados sem resposta, a situação passa a exigir atenção. “A demora do INSS passa a ser considerada excessiva e passível de medida judicial quando os prazos são extrapolados sem conclusão do processo”, explica.

 

Entre os benefícios que costumam demandar mais tempo de análise estão o auxílio por incapacidade temporária, a aposentadoria por incapacidade permanente, a pensão por morte, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e aposentadorias que exigem comprovação de tempo especial ou atividade rural. Nesses casos, etapas adicionais podem impactar o andamento do processo.

A legislação também prevê prioridade para públicos específicos, como idosos e pessoas com doenças graves. No entanto, essa priorização nem sempre ocorre na prática. “O descumprimento pode ocorrer por fatores como a ausência de requerimento formal do interessado, a inércia do próprio INSS e a sobrecarga do sistema”, afirma Gabriel Freitas.

Enquanto aguarda a análise, o segurado deve adotar algumas medidas para evitar atrasos ainda maiores. Entre elas, acompanhar o pedido pelo aplicativo Meu INSS, verificar possíveis pendências e manter registros das movimentações. Um dos erros mais comuns, segundo o especialista, é abrir um novo requerimento. “Em muitos casos, o novo pedido apenas reinicia a fila de espera, sem corrigir o problema original”, destaca.

Quando a demora persiste além dos prazos legais, há medidas judiciais disponíveis. “O mandado de segurança é a ação mais adequada para combater a demora na análise, pois garante o direito a uma decisão em prazo razoável”, explica o advogado. Outra possibilidade é a ação ordinária, indicada quando também há necessidade de discutir o direito ao benefício.

A orientação jurídica pode ser buscada desde o início do processo ou em situações específicas, como negativa do pedido, exigência de documentos ou casos mais complexos. “Um advogado pode atuar na análise da documentação, no acompanhamento do processo e na adoção de medidas judiciais para garantir a análise ou a concessão do benefício”, conclui.

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