Hoje, com o avanço na criação de redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas, como o WhatsApp e Telegram, o acesso dos pais aos conteúdos consumidos pelos filhos está cada vez mais difícil. A fim de evitar o consumo de fake news e conteúdos impróprios é importante que a educação midiática seja ensinada desde os primórdios da infância.
A mestra em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, Magaly Prado, explica que o conceito de educação midiática, atualmente, diz respeito ao ensino de formas de obter conhecimento nas mídias digitais. “De maneira direta é ensinar os jovens a lidar com as fake news e outros tipos de conteúdos, como as “tretas” que mexem com o emocional e geram engajamento”.
De acordo com a especialista, a educação midiática existe desde antes da internet. “Antes já existia uma educação para mídia, mas ela não era chamada assim. Por exemplo, os estudantes tinham acesso à imprensa, à televisão, ao rádio, às mídias eletrônicas. Os professores sempre davam sugestões do que ler e do que assistir na televisão, principalmente, pois continham muitos programas que não eram apropriados para certas idades”.
Magaly destaca a dificuldade do controle dos pais com o acesso à informação por parte dos filhos. “Você não sabe o que os estudantes, os adolescentes estão recebendo e consumindo de mensagens. Por isso é importante que tanto os profissionais da educação, quanto a família fiquem atentos ao que está sendo viral nas redes sociais. É o perguntar ‘o que vocês estão recebendo?’, ‘O que estão compartilhando?’, e direcionar a não compartilhar aquilo que não tem certeza de onde”.
Para Prado a educação midiática deve acontecer para além do núcleo familiar, envolvendo também as relações sociais, descritas como “bolhas”. “Nós vivemos em uma bolha formada por familiares, amigos, colegas e tendemos a confiar no conteúdo compartilhado por ela. Porém, essas pessoas também podem ser enganadas e compartilhar as fake news”.
DISCERNIMENTO
“No geral a educação midiática influência na capacidade de discernimento e espírito crítico da criança, pois ela sempre vai ter um pé atrás e pensar duas vezes a respeito da informação que está consumindo. Isso é muito importante para que ela cresça sabendo desconfiar”, pontua a especialista.
O ideal, conforme o descrito por Magaly é que pais e professores estimulem esse ‘questionar’ ensinando os jovens como fazer a apuração correta de uma mensagem. “É preciso ensinar que desconfiem de assuntos bombásticos, geralmente com títulos muito chamativos. Ensine a criança que ao se deparar com um caso desses é preciso dar uma verificada em outra fonte e perguntar para o professor, ou pais, se a informação é verídica”.
Segundo a especialista, é sempre bom checar a veracidade das informações em jornais, verificando sempre mais de um veículo, pois estas já passaram por apuração profissional. “O jovenzinho, ele não tem muito essa perspectiva de ficar checando. Mesmo os adultos que não são da nossa área, comunicação e do jornalismo, não ficam checando. O ato de apurar é próprio de quem é jornalista, de checar a informação antes de publicar. Portanto, essas pessoas que estão disseminando fake news não são jornalistas, muito pelo contrário, é uma super indústria criada para desinformação, manipulação e molde do pensamento de uma pessoa e, consequentemente, o seu comportamento”, diz Magaly.
E completa: “O que tem que deixar bem claro para a criança é o quanto isso pode prejudicar as pessoas. E não só a pessoa para a qual está passando, mas também a própria pessoa, porque os outros não vão mais acreditar nela”.









