Às vésperas do Dia Internacional do Orgulho LGBT, celebrado no próximo domingo (28), a relação entre espiritualidade e diversidade sexual ganha destaque. Em entrevista à Rádio ES Hoje, o babalorixá e ativista religioso Pai Geovane falou sobre a importância do acolhimento oferecido pelas religiões de matriz africana às pessoas LGBTQIA+ e sobre os desafios enfrentados tanto pela comunidade quanto pelos povos de terreiro.
Morador de Cachoeiro de Itapemirim e atuante há 14 anos na militância em defesa da população LGBTQIA+ e da igualdade racial, Pai Geovane afirmou que o respeito e a inclusão fazem parte da missão dos terreiros. “Todo dia tem uma exclusão de pessoas LGBTQIA+. E quando elas batem na porta do candomblé, é o acolhimento. O candomblé, para mim, é o acolhimento”, destacou.
Segundo ele, a diversidade sexual já está presente nas narrativas e na ancestralidade dos povos de matriz africana. O líder religioso ressaltou que, apesar dos avanços, ainda existem desafios e preconceitos dentro e fora dos espaços religiosos, além dos episódios de racismo religioso enfrentados pelas comunidades tradicionais.
Pai Geovane também destacou o papel dos terreiros no fortalecimento da autoestima e no cuidado com pessoas que chegam marcadas por situações de violência, exclusão e sofrimento emocional. Para ele, as redes de apoio e os espaços religiosos inclusivos são fundamentais para que ninguém se sinta sozinho. “Você não está sozinho, nunca pense que está sozinho ou sozinha, sempre vai ter um de nós aqui para acolher, um de nós para conversar, um de nós para se abraçar ”, afirmou.
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