“Onde está o Rei?”: Uma mensagem bíblica e histórica sobre o Natal

Onde está o Rei?, por Vinícios Maia*

"Onde está o Rei?": Uma mensagem bíblica e histórica sobre o NatalJesus nasceu em Belém.

Belém era uma cidade muito pequena, a uns dez quilômetros ao sul de Jerusalém. Na antiguidade ela era chamada Efrata. A palavra Belém significa “Casa do Pão”.

Belém tinha uma longa história. Foi ali onde Jacó tinha enterrado seu esposa Raquel, colocando um pilar junto à tumba, como aviso (Gênesis 48.7, 35.20). Ali viveu Rute depois de haver-se casado com Boaz (Rute 2.1); desde Belém se podia ver Moabe, sua terra natal, ao outro lado do vale do Jordão.

Mas, sobretudo, Belém era o lugar natal e a cidade de Davi (I Samuel 16.1, 17.12, 20.6).

Quando Davi era um fugitivo nas serranias de Judá seu maior desejo era poder beber as águas do poço de Belém (2 Samuel 23.14-15).

Mais tarde nos é dito que Roboão fortificou a cidade de Belém (2 Crônicas 11.6). Mas, na história de Israel e na mente de todos os judeus Belém era, sobretudo, a cidade de Davi. E da raiz de Davi Deus haveria de mandar um libertador de seu povo. Tal como o expressa o profeta Miquéias: “E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Miquéias 5:2).

Os judeus esperavam que o filho do grande Davi, maior até que seu pai, nascesse em Belém; esperavam que o ungido de Deus, que iria ser o Grande Rei, nascesse nessa cidade, e aconteceu tal como eles acreditavam.

De igual forma, nos dias atuais, não é de se estranhar o fato de as pessoas buscarem muitos reis para si. Mesmo não vivendo num país monarca, nosso povo constituiu muitos reis simbólicos. Fomos – e ainda somos – governados pelos reis da nossa mente.

Mas uma pergunta feita pelos sábios do Oriente ao serem guiados pela estrela à procurarem o Menino Nascido em Belém ecoa para a eternidade: “ONDE ESTÁ O REI?”

Para encontrarmos o Rei, precisamos atentar para algumas marcas importantes que estes homens desconhecidos nos apontam.

Mateus 2.1-2: os sábios do Oriente

rei
“E, tendo eles ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela, que tinham visto no oriente, ia adiante deles, até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino. E, vendo eles a estrela, regoziram-se muito com grande alegria” (Mateus 2:9,10)

Quando Jesus nasceu em Belém vieram sábios do Oriente para lhe render homenagem. Habitualmente se fala desses homens como “os magos”, termo muito difícil de traduzir.

Estes magos eram homens versados em filosofia, medicina e ciências naturais. Posteriormente, a palavra “mago” adquiriu um significado de conotação pejorativa, sendo sinônimo de adivinho, bruxo e até enganador. Temos, por exemplo, Elimas, o mago (Atos 13.6, 8), e Simão, chamado usualmente Simão, o Mago (Atos 8.9, 11).

Mas, em seus melhores tempos, os magos não eram enganadores, mas homens de grande santidade e sabedoria que empregavam suas vidas na busca da verdade.

Não podemos saber qual foi a estrela que os sábios viram, mas parte de suas responsabilidades profissionais era observar os céus. Assim, algum fenômeno celestial fora do comum deve lhes ter sugerido que um rei tinha entrado no mundo. Como é extraordinário perceber que aqueles homens saíram do oriente para um lugar distante em busca de um rei.

A expectativa por um Rei

O estranho é que, na época em que Jesus nasceu, houvesse em todo mundo Mediterrâneo a estranha expectativa do advento de um rei.

Os historiadores romanos nos dão testemunho desse sentimento generalizado. Pouco tempo depois, na época do imperador Vespasiano, Suetônio pôde escrever: “Estava estabelecida e difundida em todo Oriente a antiga crença de que por aquela época seria o destino dos homens da Judéia governar o mundo” (Suetônio, Vida de Vespasiano, 4:5).

Tácito menciona a mesma crença, dizendo: “Havia a convicção de que nesta época o Oriente cresceria em poder, e que governantes de origem judia adquiririam um império universal” (Tácito, Histórias, 5:13).

Os judeus tinham a crença de que “Por aquela época um de sua raça se tornaria o governante de todo o mundo habitado” (Josefo, Guerras dos Judeus, 6:5, 4).

Quando Jesus Cristo veio ao mundo, os homens viviam em ansiosa expectativa. A humanidade inteira esperava a Deus. Os corações dos homens ansiavam por Deus.

Tinham descoberto que sem Deus não era possível construir a Idade de Ouro.

Jesus veio a um mundo que possuía expectativa por sua chegada; e quando se produziu sua vinda, os extremos da Terra se reuniram ao redor de seu berço. Este foi o primeiro sinal e símbolo da conquista do mundo por Cristo.

Há pesquisadores que afirmam que os sábios saíram da Índia. Se isso for verdade, estima-se que esta viagem poderia ter durado meses.

Havia tanta expectativa da chegada de um rei, que os sábios, quando chegam em Belém, vão direto ao palácio.

Mateus 2.3-8: o Rei dos Judeus

rei
Cena que ilustra os sábios do Oriente, ou “Reis Magos”, diante do Rei Herodes, que governava a Judeia (foto: reprodução)

É quando chega aos ouvidos do rei Herodes que haviam vindo sábios do Oriente e que estavam procurando um recém-nascido, destinado a ser Rei dos judeus. Qualquer rei se preocuparia ao receber a informação do nascimento de um menino que chegaria a ocupar seu trono.

Herodes tinha prestado bons serviços aos romanos nas guerras e conflitos internos da Palestina, e eles lhe tinham confiança.

No ano 47 a.C. tinha sido nomeado governador; no ano 40 recebeu o título de rei; e teria que reinar até o ano 4 de nossa era.

Era chamado Herodes, o Grande, e em mais de um sentido merecia este título. Foi o único delegado romano na Palestina que conseguiu manter a paz e produzir ordem no meio da desordem que imperava quando ele assumiu o cargo. Foi, além disso, um grande construtor; entre outras obras fez a reconstrução do templo de Jerusalém.

Podia ser generoso. Nos tempos difíceis atenuava os impostos para que a situação do povo se aliviasse; e quando veio a grande fome do ano 25 a.C. chegou até a fundir sua própria fonte de prata para comprar trigo e reparti-lo entre os famintos.

Em seus últimos anos chegou a ser, como alguém assinalou, “um velho criminoso”. Se suspeitava que alguém pretendia rivalizar com seu poder, imediatamente o mandava assassinar. Matou a sua mulher Mariamne, a sua mãe, Alexandra e seu filho mais velho, Antipater. Aos seus dois netos, filhos deste, Alexandre e Aristóbulo, eliminou-os com suas próprias mãos. Augusto, o imperador romano, disse amargamente, em certa oportunidade, que era mais seguro ser um porco nos chiqueiros de Herodes, do que filho dele.

Pode-se entender como era amarga, selvagem e retorcida a personalidade de Herodes pelas disposições que deixou para que se executassem depois de sua morte.

A perturbação de Herodes

Não é difícil imaginar como se sentiu um homem desta índole quando lhe chegou a notícia do nascimento de um menino destinado a ser rei.

Herodes se perturbou, e toda Jerusalém se perturbou com ele, porque bem sabiam todos os habitantes de Jerusalém que tipo de medidas era capaz de tomar seu rei para chegar até o fundo dessa história e eliminar o menino.

De modo que Herodes convocou a aristocracia religiosa e os eruditos teológicos de sua época, e lhes perguntou onde, segundo as Escrituras, devia nascer o Ungido de Deus.

Os conhecedores das Profecias Messiânicas fazem um apontamento do texto do Miquéias 5.2. Herodes mandou chamar os sábios e os enviou para buscarem diligentemente o recém-nascido. Disse-lhes que ele também desejava ir e adorar o Menino. Seu único desejo, entretanto, era assassinar aquele que lhe podia tomar o trono.

Posicionamentos diante de Jesus

Jesus acabara de nascer e já vemos três maneiras distintas em que os homens sempre se posicionaram em face de Jesus.

Temos primeiro a reação de Herodes: ódio e hostilidade. Herodes tinha medo de que esse garotinho interferisse em sua vida, sua posição, seu poder, sua influência. Portanto, sua primeira reação instintiva foi eliminá-lo.

Ainda há os que estariam muito contentes se pudessem destruir a Jesus Cristo, porque Nele veem Aquele que interfere em suas vidas. Querem fazer sua própria vontade, e Jesus não o permite; por isso gostariam de matá-lo. O homem cujo único desejo é fazer o que deseja nunca estará disposto a receber a Jesus Cristo. O cristão é alguém que deixou que fazer sua própria vontade, e que dedicou sua vida a fazer o que Jesus deseja dele.

Temos, em segundo lugar, a reação dos principais sacerdotes e escribas: uma total indiferença. Eles não se interessaram pelo assunto. Estavam tão ensimesmados em suas disputas sobre o ritual do Templo e suas discussões legais jurídicas, que simplesmente desconheceram a Jesus. Ele não significou nada para eles.

Ainda há quem está tão ocupado em seus próprios assuntos que Jesus Cristo não lhes diz nada. Ainda pode propor a inquietante pergunta dos profetas: “Não vos comove isto, a todos vós que passais pelo caminho?” (Lamentações 1.12).

"Onde está o Rei?": Uma mensagem bíblica e histórica sobre o Natal
Vinícios Maia é teólogo e psicólogo

E temos, em terceiro lugar, a reação dos três sábios, que pode resumir-se em duas palavras: reverência e adoração. Desejam pôr aos pés de Jesus os presentes mais nobres que puderam trazer.

Sem lugar a dúvida, quando qualquer ser humano toma consciência do amor de Deus em Jesus Cristo, não pode menos que se colocar aos pés de Cristo para adorá-Lo e recebe-Lo como Rei.

Mateus 2.9-12: a adoração dos “reis magos”

Finalmente os sábios do oriente encontraram o caminho de Belém. Não devemos pensar que a estrela se foi movendo no céu literalmente, como um sinal indicador. Nesta passagem há muita poesia, e não devemos transformar a poesia em prosa crua e desprovida de vida. Mas a estrela brilhava sobre Belém.

Construíram-se muitas lendas em torno dos “reis magos”. Na antiguidade uma tradição oriental sustentava que eram doze. Mas na atualidade em quase todo mundo se acredita que eram três. O Novo Testamento não diz quantos eram, mas o triplo presente que apresentam a Jesus sugere a possibilidade de que sejam três os que trazem os presentes.

Outra, posterior até, deu-lhes nomes: Melquior, Gaspar e Baltasar.

Desde os tempos mais antigos os homens interpretaram de distintas maneiras a natureza dos presentes que os reis magos trouxeram para Jesus. Estas interpretações atribuem a cada um dos presentes alguma característica que se adapta ao tipo de pessoa que era Jesus e à obra que realizaria.

Características dos presentes

O ouro é um presente de reis. De maneira que Jesus foi alguém “nascido para ser Rei”, mas deveria reinar não pela força, mas pelo amor, e não sentado em um trono, mas sobre a cruz.

Fazemos bem em recordar que Jesus Cristo é Rei. Nunca podemos nos encontrar com Jesus em um plano de igualdade. Sempre devemos ir a ele em completa submissão e entrega.

rei
E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra. (Mateus 2:11)

O incenso é um presente de sacerdotes. O doce perfume do incenso se usava no culto do Templo e nos sacrifícios rituais que se realizavam ali. A função do sacerdote é abrir aos homens o caminho para Deus. A palavra latina que significa “sacerdote” é pontifex, que significa “construtor de pontes”. O sacerdote é o homem que tende uma ponte entre Deus e os homens. Isso foi o que Jesus fez. Abriu o caminho para a presença de Deus; tornou possível aos homens entrarem na própria presença de Deus.

A mirra é um presente para alguém que vai morrer. A mirra se usava para embalsamar o corpo dos mortos. Jesus veio ao mundo para morrer. Holman Hunt fez um quadro de Jesus que é muito famoso (A sombra da morte, 1873). O quadro O apresenta na porta da oficina de carpintaria, em Nazaré. Ainda é um menino. O sol do entardecer brilha sobre a porta e o moço saiu um momento para estirar as pernas, com cãibras pela posição de trabalho sobre o banco de carpinteiro. Abre os braços para receber melhor o ar fresco do crepúsculo, e o sol projeta sua sombra sobre a parede: é a sombra de uma cruz.

Em um segundo plano está Maria, que ao ver essa cruz, estremece: seu rosto manifesta o temor da tragédia que se aproxima.

Jesus veio ao mundo para viver pelos homens e, ao terminar sua missão, morrer por eles. Veio para dar pelos homens sua vida e sua morte.

Ouro para um rei, incenso para um sacerdote, mirra para quem vai morrer. Estes foram os presentes dos sábios orientais: até no berço de Jesus anteciparam que teria que ser o autêntico Rei, o perfeito Sumo Sacerdote e, finalmente, o supremo Salvador dos homens.

CONCLUSÃO

“Onde está o Rei?”. Essa foi a pergunta que os magos do Oriente fizeram ao chegar em Belém.

Talvez em nossos dias muitos façam a mesma pergunta. Principalmente quando diante de catástrofes.

Mas esta pergunta só foi respondida pelo evangelista Mateus no final de seus escritos:

Puseram-lhe acima da cabeça sua acusação por escrito:
ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS

(Mateus 27.37)

*Vinícios Maia é formado em Teologia e Psicologia; pós-graduado em Teologia e Cultura, Terapia Cognitivo Comportamental, Terapia Familiar e Psicologia com Intervenção em Drogas. Nas horas vagas é crosfiteiro raiz e fã de rosquinha Mabel com Nescau.

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas em Fé Pública

Notícias Relacionadas

[the_ad_group id="63695"]