“Não foi fácil. Foi difícil. Evoluímos de 70 jogadores e cada um tinha característica para estar aqui”, explicou o técnico Carlo Ancelotti sobre a elaboração da seleção para a Copa-2026.
No processo, o treinador foi polindo um grupo para ter uma base entre 15 e 16 jogadores. Esse grupo foi abalado por contusões como as de Estêvão, Rodrygo e Éder Militão.
Dentro das vagas restantes, houve reviravoltas. Jogadores que pareciam certos acabaram fora. Outros conseguiram seus postos na última hora.
Nas últimas semanas, Ancelotti precisava definir os cinco do meio-campo, sendo Casemiro e Bruno Guimarães garantidos. Danilo ganhou a vaga pelo bom desempenho nos amistosos diante de Croácia e França, enquanto Andrey Santos perdeu espaço.
As boas atuações de Paquetá pelo Flamengo o garantiram o posto que sobrava no setor. A viagem até o Paraná (para ver o jogo diante do Athletico) foi apenas para confirmar a recuperação de sua mobilidade após contusão.
Na frente, sem Estêvão, Ancelotti precisava decidir se chamava outro ponta, além de Luiz Henrique. Rayan parecia um azarão, mas no final de semana seu nome já tinha crescido nas cotações.
Do outro lado, o esquerdo, Vini Jr e Martinelli estavam consolidados.
Na convocação, a primeira surpresa veio no terceiro nome: Weverton. O goleiro gremista, ex-palmeirense, foi à Copa de 2022 e suplantou Bento agora, mesmo sem ter sido chamado nos últimos tempos, pelo critério experiência. Segundo Taffarel, preparador de goleiros da seleção, há uma preocupação real de que o Brasil possa precisar, por eventual problema físico, do terceiro goleiro na Copa.
Os processos na zaga já estavam mais consolidados, após a lesão de Militão. Bremer, Ibañez e Léo Pereira convenceram o treinador e se juntaram aos titulares Marquinhos e Gabriel Magalhães.
E havia a questão Neymar. Com a melhora física do jogador, Ancelotti decidiu cumprir o que prometera: se o jogador estivesse inteiro, o levaria porque o talento era indiscutível. Os dados físicos enviados pelo Santos tiveram peso.
“A evolução é só na parte física. Jogou com continuidade. Pode melhorar sua condição física. Pode melhorar até o primeiro jogo da Copa. Pensamos, à parte disso, é experiente na competição, carinho que tem no grupo. Tirar o que tem o melhor dele”, contou o técnico.
Para incluí-lo, era preciso abrir mão de um centroavante. Igor Thiago e Endrick também geraram boas impressões nos amistosos e ganharam espaço.
Já João Pedro penava com falta de gols na seleção, segundo se falava nos bastidores da seleção. Na Premier League, tem bons números. “Pela temporada que fez, merecia estar na lista. Mas infelizmente, com toda a consciência possível, escolhemos outros jogadores”, lamentou Ancelotti.
Houve dúvida entre os dois até o final por conta da dúvida sobre lesão de Neymar na panturrilha. Mas, em um palco com direito a show e torcida vip, o técnico italiano optou pelo santista para delírio do público.
Rio de Janeiro, FolhaPress – Igor Siqueira e Rodrigo Mattos









