Uma das fachadas mais icônicas do Espírito Santo está prestes a ganhar uma nova vida. A Casa da Cultura Hermógenes Lima Fonseca, o famoso Trapiche de Conceição da Barra, será o destino de um investimento massivo de R$ 4.878.832,54. O recurso, viabilizado pelo Programa de Coinvestimento da Cultura (Fundo a Fundo) da Secult, marca o início de uma reparação histórica para um monumento que já esteve na mira da demolição.
Erguido em 1786 pelo português João Bastos de Almeida Pinto, o Trapiche não é apenas um prédio; é uma testemunha do tempo. Localizado estrategicamente às margens do Rio Cricaré, ele nasceu como um entreposto comercial decisivo para o desenvolvimento econômico do Norte capixaba.
Com sua tradicional cor amarela refletida nas águas do rio, o casarão sobreviveu a crises e ao descaso. Em 1936, após anos de decadência e dívidas acumuladas, o imóvel chegou a ser leiloado e correu o risco real de desaparecer. Foi salvo pela iniciativa privada da época, preservando a estrutura que hoje é considerada um dos principais cartões-postais do estado.
“O Sobrado é a briosa ruína que merece o cuidado, o carinho e o respeito de toda nossa gente” — Bernadette Lyra, escritora barrense.
O “pacote” cultural: Quase R$ 8 milhões em investimentos
A restauração do Trapiche é a joia da coroa de um esforço de captação liderado pela Secretaria Municipal de Cultura. Segundo a secretária Wanderlea Campos da Paixão, o município conseguiu articular quase R$ 8 milhões somando diferentes fontes, como a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e emendas parlamentares.
Para o prefeito Erivan Tavares, a obra vai além da engenharia: “É o resgate da nossa memória e a reafirmação do compromisso com a cultura, garantindo que esse espaço volte a servir à população”.
Próximos passos
O projeto de Conceição da Barra foi um dos 55 classificados em todo o estado pelo Ciclo 2025 da Secult. Agora, o processo entra na fase de análise documental e assinatura do Termo de Responsabilidade.
Com a reforma, o Trapiche deixará de ser apenas uma “lembrança de tempos áureos” para se consolidar como um centro pulsante de convivência e manifestações culturais, unindo gerações sob o mesmo teto centenário.












