Estudantes denunciam atraso de mais de seis meses no pagamento de bolsas da Sedu

A oportunidade de fazer um curso técnico gratuito tem se transformado em dor de cabeça para estudantes selecionados no Projeto Estadual de Inovação da Educação Profissional Técnica de Nível Médio (iNovaTEC), no Espírito Santo. Alunos e pais afirmam que estão há mais de seis meses sem receber a bolsa mensal de R$ 400 anunciada pela Secretaria de Estado da Educação (Sedu).

De acordo com os relatos, o valor seria destinado a ajudar nos custos com transporte e alimentação durante o período de formação.

Aulas começaram em agosto de 2025

É o caso da filha de Regilene Corrêa, selecionada para o curso de estética ofertado pelo programa, com aulas no Senac. Segundo ela, as atividades começaram no ano passado, mas, até agora, o auxílio não foi pago.

“No caso da minha filha e de outras pessoas do mesmo curso que ela faz no Senac, ainda não começaram a receber, sendo que já estão há seis meses (desde agosto/2025) fazendo o curso”, afirma Regilene.

Ela conta que procurou a Ouvidoria da Sedu para obter informações sobre o pagamento, mas diz que não recebeu uma previsão concreta. “Quando entro em contato com a ouvidoria da Sedu recebo a resposta que estão abrindo a conta no banco Banestes e não se comprometem com um prazo”, relata.

Em resposta enviada à mãe — documento ao qual a reportagem de ESHOJE teve acesso — a Sedu informou que o pagamento das bolsas “está condicionado à apuração da frequência do estudante no curso técnico, não sendo, portanto, realizado de forma imediata”.

A justificativa, no entanto, é questionada por Regilene. “Eles dizem que depende da frequência do aluno no curso, porém não se aplica para o caso, já que a bolsa é para o custo do deslocamento e alimentação”, argumenta.

Informações divergentes sobre responsabilidade dos custos

No site oficial da Sedu, em publicação de 2025 que divulgava a abertura de inscrições para o programa, o benefício é apresentado como apoio financeiro aos estudantes. O texto destaca que os alunos selecionados receberiam uma bolsa mensal de até R$ 400 “para auxiliar nos custos com alimentação e transporte”.

Já na resposta da ouvidoria, consta a informação de que é responsabilidade do candidato arcar com os custos relacionados a transporte e alimentação durante o curso, o que tem gerado dúvidas entre as famílias.

A Sedu também informou que os trâmites para pagamento — como recebimento das matrículas, validação de dados, verificação junto à instituição bancária e abertura de contas — ainda estão em andamento. Não há, porém, prazo informado para a regularização dos repasses.

“A gente entende que pode haver algum tipo de dificuldade para abertura das contas, mas seis meses? É muito estranho”, lamenta Regilene.

Estudantes relatam desistências

Enquanto aguardam uma solução, alguns estudantes relatam dificuldades para continuar frequentando as aulas. Segundo Regilene, há casos de desistência.

“Várias alunas desistiram do curso por não poderem pagar pelo transporte e alimentação, sendo que quando entraram estavam contando com essa ajuda da bolsa fornecida pelo governo”, lamenta.

Em nota, a Secretaria da Educação (Sedu) informou que está ciente do atraso no pagamento das bolsas e que o repasse do benefício, de até R$ 400 mensais, não ocorreu no prazo inicialmente previsto, “em razão de questões operacionais relacionadas à execução dos pagamentos”.

“A Sedu esclarece que o crédito está previsto para o dia 27 de março de 2026, com pagamento integral e retroativo dos valores devidos, não havendo cancelamento do benefício. A confecção dos cartões magnéticos está sendo realizada pelo Banestes, e os estudantes deverão retirá-los nas agências, conforme cronograma a ser encaminhado às instituições de ensino”, finalizou o comunicado.

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