Quando falamos em ovos, é quase inevitável lembrar de Santa Maria de Jetibá, cidade que abriga até uma galinha gigante para recepcionar moradores e turistas. O município é o carro-chefe do Espírito Santo na produção de ovos.
Em entrevista à rádio ESHOJE, o prefeito da cidade, Ronan Zucolotto, comentou sobre os cuidados adotados pelas granjas em relação à gripe aviária. Segundo ele, não há motivo para alarde: os ovos capixabas não estão contaminados pelo vírus.
“Quem trabalha com granjas sabe como funcionam os protocolos de controle sanitário. Essas medidas, que agora se destacam, já fazem parte da nossa rotina. Enfrentamos ameaças como a H5N1, que é sazonal, mas também lidamos com diversos outros patógenos que podem comprometer a produção de poedeiras e o abate de aves. No dia a dia, as granjas já operam com barreiras sanitárias — sejam físicas ou químicas — constantemente”, afirmou o prefeito.
Santa Maria de Jetibá é hoje o maior produtor de ovos do Brasil e, de acordo com Zucolotto, mantém essa posição há dois anos.
“Temos um plantel de 19,9 milhões de aves, que geram cerca de 13.500 ovos por dia. Somos uma verdadeira potência. Esse nível de produção só é possível graças à tecnologia empregada nas granjas”, destacou.
Diante de qualquer ameaça sanitária, a cidade age com rapidez.
“Quando recebemos notícias como essas, nos mobilizamos imediatamente. A antecipação é a chave para evitar problemas maiores. Solicitamos à Secretaria de Agricultura que, mesmo antes da repercussão na mídia, reforçasse as barreiras sanitárias”, explicou.
Como funcionam as barreiras sanitárias
Para que uma granja esteja apta a comercializar ovos e frangos abatidos, há um rigoroso controle desde a chegada dos insumos, pintinhos e até do acesso das pessoas que lidam com a produção.
Desde o nascimento do pintinho fêmea, há um protocolo contínuo de vacinação e suplementação alimentar. Em caso de qualquer suspeita, as orientações são para intensificar os cuidados sanitários.
“Nossas granjas são totalmente teladas para evitar o contato com animais silvestres, que podem ser vetores de doenças. Apenas pessoas autorizadas acessam os setores de produção. Os uniformes são lavados diariamente, especialmente na sala de classificação de ovos. Cada setor da granja exige vestimentas exclusivas. Também realizamos a desinfecção dos caminhões que trazem os insumos”, explicou o prefeito.
Zucolotto destacou ainda o controle de pragas e a orientação a funcionários que queiram criar aves em casa.
“Orientamos que, neste período, os funcionários evitem criar aves em seus quintais. Em 2023, já adotamos medidas preventivas em relação à gripe aviária e seguimos atentos às realidades locais”, afirmou.
Sem motivo para pânico
O prefeito reforçou que todas as ações estão sendo tomadas para evitar prejuízos à cidade e ao país.
“Não podemos deixar o pânico tomar conta e prejudicar o comércio interno e externo. É importante lembrar que o mais importante é a vida humana, e que a contaminação não ocorre por meio do consumo de ovos ou frangos abatidos. Mesmo se houver contaminação, o cozimento ou a fritura eliminam o risco. Santa Maria está mobilizada para manter a rotina de rigor sanitário. O secretário de Agricultura já está em contato com o Idaf e com os produtores locais para reforçar as medidas, que já são habituais, mas agora exigem ainda mais atenção”, disse.
De acordo com o Ministério da Agricultura, o vírus se dissipa em até 21 dias. Em Tocantins, dos 40 mil frangos testados, apenas sete foram contaminados.
“Só em Santa Maria temos quase 20 milhões de aves. Saber que apenas sete frangos foram contaminados em Tocantins é um número pequeno, mas que serve de alerta. O governo federal tem se posicionado bem. Produzimos para os mercados interno e externo. O importante agora é evitar o pânico, sobretudo em relação ao comércio internacional. A solução é identificar o foco, isolar a área e, infelizmente, sacrificar as aves da região”, explicou.
Zucolotto finalizou comentando sobre o cenário internacional:
“Talvez a Europa tenha dificuldade de compreender que o Brasil é um país continental. O Sul está distante do Centro-Oeste e do Norte. Para nós, produtores, o mais importante é não sermos displicentes nem negligenciar as medidas estabelecidas pelo governo federal. No fim do ano passado, começamos a exportar. Ainda não podemos afirmar se a exportação de ovos de Santa Maria foi comprometida. Nosso município é uma potência no setor de hortifruti e avicultura, mas os ovos são nossa verdadeira mola propulsora”, concluiu.









