Estudantes de oceanografia embarcam em oportunidade única no alto mar

Uma oportunidade de aprender em alto mar, com professores e instrutores, foi dada a 14 estudantes o curso de Oceanografia da Universidade Federal do Estado do Espírito Santo (UFES). O grupo embarcou nesta quinta-feira (9) com 25 passageiros, serão 17 membros da UFES e 8 tripulantes.

O coordenador do curso e professor há mais de 29 anos, Agnaldo Martins, conta que o barco Ciências do Mar III foi criado para fornecer essa experiência para os estudantes de cursos na área de fins do mar e não somente para a área de Oceanografia.

“As Universidades Federais perceberam a necessidade dos alunos terem experiência com essa estrutura. Por isso, foi pensado o modelo de construir, projetar, construir quatro navios-escola para atender cada um e então, foi entregue as séries três projetados”, contou o professor.

Estudantes de oceanografia embarcam em oportunidade única no alto mar
Coordenador do curso de Oceanografia e professor da UFES, Agnaldo Martins. Foto: Bruno Ribeiro

Ao todo, são sete universidades e institutos federais. Segundo Martins, a primeira operação com o Ciências do Mar I atendeu alunos do Sul do Brasil, o Ciências do Mar II em operação no Maranhão e o Ciências do Mar III para atender ás regiões do sudeste, como o Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.

Prestes a se formar, Petrus Pompeu Reis, 24 anos, se sente abençoado de fazer parte da tripulação e também da pesquisa. “O objetivo dessa navegação é navegar daqui até a Foz do Rio Doce e chegando lá iremos até o oceano profundo”. E completou: “Iremos até o oceano profundo fazendo coletas de dados, coleta de sedimento, de isoplanctom. A partir dessas coletas de dados e dessas informações, a gente vai entender um pouco mais os efeitos humanos no ecossistema marinho. Esse é o nosso principal objetivo”.

Estudantes de oceanografia embarcam em oportunidade única no alto mar
Petrus Pompeu Reis – estudante de oceanografia. Foto: Bruno Ribeiro

Sem nunca ter dormido em uma embarcação ou chegar ao oceano profundo, Reis, está animado. “Estou muito, muito, feliz! Acredito que toda a tripulação também está muito empolgada. Finalmente tem um navio escola! Esse projeto é um projeto muito antigo e por inviabilidade financeira governamental a gente não teve essa  oportunidade antes, mas hoje graças a Deus chegou.”

PREPARAÇÃO

Sobre a segurança no barco, o coordenador do curso ressalta que os alunos foram preparados para o embarque. “Na universidade, a gente fez toda uma preparação anterior. Tanto da questão de segurança, de saúde quanto na parte técnica também… Tudo para eles saberem o que vai acontecer com muita ênfase na questão de segurança, para ficar claro que existem muitos riscos de estar operando a bordo”

Estudantes de oceanografia embarcam em oportunidade única no alto mar
Michelaine Isabel da Silva – Enfermeira. Foto: Bruno Ribeiro

A enfermeira Michelaine Isabel da Silva, 28 anos, participou anteriormente de um bate papo para tirar às dúvidas dos estudantes do curso, sobre o que poderia acontecer, além do que eles sentiriam em alto mar.

A partir do bate papo houve o convite formal de ir junto com a turma e também os instrutores. Para Michelaine, foi uma responsabilidade muito grande. “Qualquer coisa que acontecer nesses dias, eu sei que eu vou ser o norte deles, principalmente caso tenha alguma intercorrência. Mas eu me preparei durante os meus anos de estudo, então eu me sinto preparada para estar aqui”.

IDA

Estudantes de oceanografia embarcam em oportunidade única no alto mar
José Inácio da Silva – Comandante do navio. Foto: Bruno Ribeiro

Há mais de 3 anos a bordo do Ciências do Mar o comandante do barco, José Inácio da Silva, passa os seus dias rodeado de jovens estudantes em uma experiência diferente de tudo já feito em sua carreira. “Estou muito feliz aqui, porque é diferente de tudo que eu já fiz, de tudo que eu já trabalhei antes! Fiz contato com alunos, com professores e  pesquisadores… Isso vai desenvolvendo de tal forma que acabamos nos sentindo estudantes também e acabamos aprendendo.  E em cada viagem nós nos apaixonamos mais por esse trabalho aqui”.

“Da primeira viagem pra cá eu aprendi foi muito. É que eu sou curioso, eu gosto de estar sempre renovando esse conhecimento. Na conversa com os alunos e professores acabamos aprendendo física e até a área de navegação também, porque embarcam muitas pessoas aqui com experiência”, completou o comandante.

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