A fotógrafa e artista visual baiana, Márvila Araújo, de 29 anos, afirma ter sofrido assédio e racismo em uma loja de Vitória localizada na Vila Rubim. Segundo o relato, após o proprietário da Floricultura Cláudia, localizada no Mercado Municipal, ter tocado seu cabelo sem autorização, houve uma breve discussão e, em seguida, a fotógrafa foi impedida de entrar novamente no local.
O episódio aconteceu nessa quinta-feira (29) por volta das 16h. De acordo com Márvila, ela entrou em uma loja de artigos religiosos para comprar algumas coisas para um ensaio de Iemanjá que faria e, quando iria realizar o pagamento, foi vítima de assédio.
“O dono veio passar a mão no meu cabelo, um homem branco, como se meu cabelo fosse propriedade dele. Eu olhei pra cara dele e falei que não tinha autorização para passar a mão em mim. Aí como respondi na frente de funcionários e outros clientes ele me chamou de mal criada, que é um termo que se usa para mulheres negras para justificar que não temos o direito de reclamar e, dentro de um contexto histórico, é uma mulher que não teve uma boa criação”, conta.
A artista ainda afirma que novamente retificou que o homem não teria autorização para tocar nela e, em seguida, pagou suas compras e saiu da loja. Pouco tempo depois, Márvila voltou ao local, mas foi impedida de entrar por um funcionário.

“Um dos funcionários, um homem negro, me chamou na esquina, não foi nem em frente à loja e disse que não poderia mais entrar. Falou que o dono da loja não queria mais que eu entrasse lá diante da situação que eu causei por conta de um assédio que eu sofri”. Em seguida, o dono do estabelecimento teria deixado o local correndo.
Se sentindo assediada e vítima de racismo diante do episódio, a fotógrafa fez algumas filmagens do local e acionou a Polícia Militar. Em nota, a PM afirmou que foi acionada para atender uma ocorrência de assédio sexual na Vila Rubim e, que segundo relato da vítima, o homem a teria ofendido e fugido do local. A nota ainda diz que a corporação orientou Márvila a registrar o fato em alguma delegacia.
A vítima também desabafou sobre episódios de violência e racismo. “Eu nunca passei por isso, de ter meu direito de ir e vir negado. Entrei numa loja para comprar coisas da minha religião, do meu trabalho, da minha ancestralidade e estou me sentindo muito mal porque o tempo inteiro se apropriam de tudo que é nosso, de tudo. Me senti violada e invadida, nossos corpos são violados o tempo inteiro e tá tudo bem. Todas as mulheres negras e trans, que estão dentro da margem da sociedade, têm seus corpos violados o tempo todo”.
A reportagem obteve relatos que há outras acusações da natureza contra o homem dono do estabelecimento. Há alguns anos, por exemplo, ele teria abaixado as calças e mostrado suas partes íntimas para uma menina de 14 anos. Também foi relatado que ele é envolvido em outros problemas onde naturaliza ações ofensivas e invasivas.
O ESHOJE tentou contato por telefone diversas vezes com o estabelecimento e também com o proprietário do local, mas sem sucesso. Por não ter conseguido falar com o acusado para um posicionamento, a reportagem optou por não expor o nome do homem.









