
Doar é um ato de solidariedade e nesta terça-feira (3), um movimento global celebra a data dedicada à doação: o Dia de Doar.
Sangue, medula óssea, rim, parte do fígado e até mesmo do pulmão, podem ser doados em vida.
O presidente da ONG Associação Pró-Vidas Transplantes, Adauto Vieira de Almeida, explica como ser um ‘doador vivo’.
“Esse tipo de doação só pode acontecer dentro da família, até parentes de quarto grau”, explica.
Vieira também fala sobre situações de não familiares. “Fora de situação familiar, qualquer outra doação terá que ser submetida em avaliação judicial. O juiz precisa ter certeza de que não se trata de um comércio de órgãos, e só assim poderá aceitar a doação”.
Adauto de Almeida, que precisou de um transplante devido a uma hepatite C, aparentemente sem cura, ficou na fila de espera por quatro anos e conseguiu em 2007. De acordo com ele, até 30% do fígado pode ser doado para uma pessoa pequena, que suporte apenas a quantidade
Outro órgão é o pulmão. A doação em vida não deve ser mais do que um pulmão inteiro. Porém, geralmente é doado apenas um lobo. Fumantes não podem doar.
Quanto aos rins, é possível que seja doado um inteiro sem que o doador seja afetado negativamente.
Sangue
A doação de sangue é a mais comum. A chefe do grupo de recursos humanos da Secretaria da Agricultura do Espírito Santo, Simone Perozini, tornou-se doadora em 1993, por uma necessidade na família, e nunca mais parou.
“A minha irmã passou por uma cirurgia e precisava de sangue. Ela tinha medo de ser contagiada por alguma doença por meio da transmissão e me convenceu de doar”, conta.
Simone ressalta que possui o tipo de sangue de doador universal: O-, o único tipo que pode ser doado para qualquer pessoa. Por isso , ela constantemente é chamada para fazer o ato solidário.
A doadora diz que já pensou na possibilidade de também se tornar doadora de medula óssea. Segundo a Associação Pró-Vidas Translantes, é muito grande a dificuldade de encontrar doadores compatíveis, por isso a importância de que mais pessoas se disponibilizem.
A doação é simples. Primeiramente, é retirada uma pequena quantia de sangue para que seja feita uma tipagem sanguínea. Depois, os dados ficarão no banco até que alguém compatível apareça. Caso ocorra, é retirada apenas 10% da medula.
Autorização da família
As doações vindas de pessoas já falecidas necessitam da autorização da família, o que frequentemente é negado. De acordo com Adauto de Almeida, é necessário que este tema seja mais debatido, para que os familiares compreendam a importância do ato.
“Muita gente não entende que com a morte encefálica, todas as funções do corpo acabam. Não há fluxo sanguíneo, então a pessoa é plugada em um respirador para que os órgãos continuem em funcionamento por um tempo. Porém, há famílias que acreditam que a pessoa ainda está viva, e resolvem não doar”, conta.
Os órgãos servem para transplante apenas se estiverem em total funcionamento e o aparelho não aguenta por muito tempo, portanto a decisão precisa ser tomada enquanto os órgãos estão sendo mantidos.









