Irmãos Sant’Ana Pedra na disputa pela vaga de desembargador pela advocacia (I)

Até 13 de agosto os advogados inscritos e regulares com a seccional do Espírito Santo na Ordem dos Advogados do Brasil podem se colocar na disputa para vaga de desembargador do Tribunal de Justiça (TJES) pelo Quinto Constitucional. Entre os interessados pela cadeira estão os irmãos Anderson Sant’Ana Pedra e Adriano Sant’Ana Pedra, um procurador do Estado e outro procurador federal da Advocacia Geral da União.

Os dois conversaram com a reportagem de ES Hoje, separadamente, e contaram como construíram suas carreiras no Direito: em comum, o sobrenome, a dedicação ao estudo e ao trabalho.

Anderson Sant’Ana Pedra é procurador do Estado do Espírito Santo, é casado e pai do casal Maria e João. Da infância em Marataízes até os estudos em Vitória, ele contou com o amor pelo basquete, que foi o primeiro incentivo para uma mudança na vida.

“Vim para Vitória sozinho, morar em república. Foram tempos difíceis porque a minha família era muito humilde”, relembra, destacando que a mudança foi uma decisão corajosa apoiada por seu pai. “Eu viria para Vitória morar no apartamento de um amigo meu de Cachoeiro que também estava vindo morar aqui, mas, de última hora, ele desistiu e eu fiquei sem lugar pra ficar. Meu pai falou, ‘não, você não é caranguejo pra andar para trás, você vai para lá'”, recordou.

Anderson também contou que acabou em uma república com seis homens formados, dois dos quais eram assessores da Assembleia Legislativa e o incentivaram a conseguir um estágio na instituição, onde ele começou a ler processos e se interessar pelo Direito.

Com 24 anos de advocacia e 26 anos de magistério, ele leciona atualmente na Faculdade de Direito de Vitória (FDV) e já passou por outras instituições como UVV e Novo Milênio. A docência começou ainda antes de se formar, ministrando aulas em cursos técnicos de Direito. Ele acredita que a experiência de vida e a prática acadêmica o capacitam a oferecer melhores soluções jurídicas e a contribuir de forma significativa tanto na advocacia privada quanto na pública.

Agora, Anderson se prepara para um novo desafio: concorrer à vaga de desembargador pelo Quinto Constitucional. Ele vê essa função como uma oportunidade de servir ainda mais à sociedade, utilizando sua vasta experiência e habilidades para contribuir para a prestação da justiça. “Existe sempre esse desejo de todo ser humano de tentar contribuir. E eu tenho mais de 30 anos de vida pública”, explica, destacando o apoio de amigos e familiares nessa decisão.

Se for alçado à vaga de desembargador, Anderson promete trabalhar de forma aberta e transparente, mantendo a acessibilidade para advogados e cidadãos, e buscando sempre a coesão nos entendimentos jurídicos para garantir segurança jurídica à sociedade. Para ele, cada experiência de vida traz um grau de sensibilidade e amadurecimento, e ele espera utilizar isso em prol da justiça capixaba.

Amadurecimento

Anderson avalia que toda experiência de vida contribui para um grau de amadurecimento, de vivência e de sensibilidade. Ele explicou que, aos 16 anos, morar com pessoas mais velhas, que tinham alguns vícios dos quais ele conseguiu se manter afastado, lhe trouxe um nível de responsabilidade. Segundo ele, durante a década de 90, sendo um adolescente de Marataízes, ele não tinha contato com pessoas instruídas além de seus professores. No entanto, ao viver em uma república, começou a conviver com indivíduos que falavam de política, direito e gestão, enriquecendo seu entendimento e sensibilidade para analisar as necessidades humanas.

Seu interesse inicial era a Engenharia, escolhida por sua aptidão em matemática e física, mas ao estagiar na Assembleia Legislativa, o contato com processos jurídicos despertou uma paixão pelo Direito. Assim, já no terceiro ano de Engenharia, trocou de curso, iniciando uma carreira que se estendeu da graduação na Universidade Vila Velha (UVV) ao doutorado na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo até o pós-doutorado em Coimbra, Portugal. “Quando a gente estuda, é sempre engrandecedor, porque permite ter o domínio da ciência que você gosta e possibilita aumentar a sua entrega dentro daquilo que você faz”, reflete sobre suas experiências acadêmicas.

Apesar das dificuldades do passado, ele guarda consigo os valores de humildade e sensibilidade transmitidos por seus pais, e continua determinado a honrar suas origens e a contribuir para um futuro melhor para a sociedade. “O que eu guardo da minha família é um desejo de jamais desonrar meu pai e minha mãe”, conclui.

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