Durante seis meses, o projeto Tradições de Mirim pôde cumprir seu objetivo de garantir o acesso à cultura popular local e de contribuir para a preservação e continuação da tradição milenar do congo, patrimônio cultural imaterial do Espírito Santo. Com a participação ativa de crianças e adolescentes que integram a Banda de Congo Mirim, da comunidade de Regência Augusta, em Linhares, as ações resultaram na estruturação material do grupo, como a aquisição de instrumentos, vestimentas e elementos necessários para as apresentações e demais atividades da banda.
Os recursos foram destinados à aquisição de instrumentos tradicionais, vestimentas e outros materiais fundamentais para as apresentações do grupo. Entre as ações realizadas, destaca-se a aquisição de novos tambores confeccionados em madeira oca, respeitando os modelos utilizados tradicionalmente pelos antigos mestres do Congo de Regência, formato que com o tempo havia se perdido. “O principal desafio foi atender às necessidades do grupo mantendo o respeito às características tradicionais da manifestação, garantindo que os investimentos contribuíssem para a preservação da identidade cultural do congo local”, explica Davi Carlos, capitão da Banda de Congo Mirim e Adulta de Regência, e um dos membros da equipe do projeto.
Tradições de Mirim foi contemplado pelo Edital Patrimônio Vivo: Valorização de Cultura Popular do Espírito Santo, da Secult, com recursos do Funcultura PNAB 2024. Após a aprovação do projeto, iniciou-se a negociação e a compra dos materiais diretamente com os artesãos locais ou com as comunidades tradicionais/indígenas de Aldeias Caieiras Velha, em Aracruz. Vestimentas, tambores, canzás, brincos, bonés, acessórios de cabelo, roupa da porta-bandeira, estandarte de Caboclo Bernardo e bastão do capitão foram alguns produtos adquiridos para a nova fase da banda.
O resultado do trabalho foi visto na prática, com as crianças e os adolescentes da banda participando do 34º Encontro Estadual de Grupos de Regência da Festa de Caboclo Bernardo, considerado uma das manifestações culturais mais importantes do estado do Espírito Santo. O grupo também integrou a abertura da Festa e o cortejo das bandas de congo. O evento foi realizado neste mês de junho e culminou com a apresentação das bandas de congo e jongo pelas ruas da vila de Regência, no litoral de Linhares.
Segundo a congueira, pedagoga, escritora e coordenadora do projeto Tradições de Mirim, Michele Boldrini, o protagonismo infantojuvenil mereceu todo o destaque. “As crianças e os jovens vivenciaram uma experiência de pertencimento e protagonismo, percebendo-se como responsáveis pela continuidade dessa manifestação cultural. A recepção foi muito positiva, tanto por parte das famílias dos conguistas quanto da comunidade, que acompanhou com entusiasmo a participação da Banda de Congo Mirim nas celebrações tradicionais do calendário oficial da cidade, agora, com mais qualidade e identidade”, reforça Michele.
“As apresentações têm o intuito de reforçar a transmissão dos saberes culturais entre gerações e garantir que a tradição permaneça viva no território. O público pôde conhecer e valorizar a musicalidade, os símbolos e a importância histórica do congo de Regência como identidade cultural local. Todas as ações e apresentações realizadas pelo projeto tiveram acesso gratuito do público. Ademais, por meio dos recursos obtidos pelo projeto, estamos construindo uma rampa de acesso para cadeirantes no lote do Congo Mirim, onde futuramente teremos a Casa do Congo Mirim”, ressalta a congueira.
Sobre o projeto
Tradições de Mirim nasceu da necessidade de fortalecer a Banda de Congo Mirim, de Regência Augusta, no Espírito Santo. O grupo não possuía instrumentos próprios, bandeira e outros elementos de vestimentas. Por meio do projeto, foram garantidas melhores condições de acesso para que as crianças e os adolescentes continuem participando desta importante manifestação cultural.









