No Complexo de Ubu, em Anchieta (ES), a Samarco já substitui cerca de 15% dos combustíveis fósseis utilizados na produção de pelotas de minério de ferro por insumos renováveis — resultado apresentado pela mineradora durante a Climate Week NYC 2026, realizada entre 20 e 27 de setembro, em Nova York, um dos principais fóruns internacionais sobre economia de baixo carbono, energia, minerais críticos e competitividade industrial.
A tecnologia por trás da substituição recebeu deferimento de Patente Verde pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em março deste ano. Segundo a empresa, a solução substitui parcialmente coque e carvão mineral por moinha de carvão vegetal — um coproduto da biomassa de eucalipto — nos fornos de pelotização. A aplicação industrial começou em 2023 e, desde 2025, está implementada nas duas usinas de pelotização da companhia, com redução média de 4,41 kg de CO₂ por tonelada de pelota produzida, de acordo com dados divulgados pela Samarco.
15% dos combustíveis fósseis já substituídos por insumos renováveis nos fornos de pelotização, com redução média de 4,41 kg de CO₂ por tonelada produzida — dados divulgados pela Samarco
A estratégia de descarbonização também alcança a matriz elétrica da operação. Em setembro, a Samarco iniciou o recebimento de energia eólica por meio de um acordo de autoprodução com a Casa dos Ventos, no volume de 45 MW médios — montante que, segundo a companhia, deve representar aproximadamente 30% de seu consumo elétrico. A empresa afirma utilizar exclusivamente energia elétrica proveniente de fontes renováveis.
Previsibilidade de custo e segurança energética
Para a companhia, a ampliação das fontes renováveis está associada à previsibilidade de custos e à segurança energética necessárias para sustentar o crescimento da operação. O acordo eólico integra uma estratégia que combina redução de emissões com preparação para o aumento gradual da produção — um racional que vem ganhando peso nas decisões de indústrias intensivas em energia e em processos térmicos, para além da agenda ambiental.
A Samarco relata ainda estudos em estágio mais inicial envolvendo bio-óleo, finos de carvão vegetal, coprodutos de mármore e moinha de carvão vegetal, além de pesquisas de longo prazo com hidrogênio verde — frentes que, segundo a empresa, devem ampliar as alternativas de substituição de combustíveis fósseis nos próximos anos.
A companhia também levou à discussão internacional dados sobre o produto: segundo a Samarco, suas pelotas de minério de ferro têm potencial de redução superior a 45% nas emissões de CO₂ na etapa siderúrgica, em comparação a alternativas convencionais. A informação é apresentada pela própria empresa como uma característica técnica do produto, sem citação de fonte de verificação independente.
Peso econômico para o Espírito Santo
Para o Espírito Santo, o tema tem peso econômico direto: a Samarco opera uma cadeia produtiva integrada entre Minas Gerais e o Estado, e o Complexo de Ubu é a principal estrutura industrial capixaba da companhia, responsável pela produção de pelotas de minério de ferro destinadas ao mercado siderúrgico internacional.
O caso ilustra um movimento mais amplo entre indústrias de base intensivas em energia: reduzir a intensidade de carbono da produção sem abrir mão de produtividade, segurança energética e competitividade. No Espírito Santo, parte dessa transição já está sendo testada dentro da própria operação industrial.
Números do projeto
- 15% dos combustíveis fósseis substituídos por insumos renováveis nos fornos desde 2025
- 4,41 kg de CO₂ por tonelada de pelota: redução média obtida com a nova tecnologia
- 45 MW médios de energia eólica contratados junto à Casa dos Ventos (≈ 30% do consumo elétrico)
- Patente Verde deferida pelo INPI em março de 2026
- +45% de redução potencial nas emissões de CO₂ na etapa siderúrgica (dado da empresa)










