ROMA — A busca por novas soluções de rastreabilidade, inteligência artificial no campo e adequação às rígidas normas ambientais da União Europeia levou uma comitiva de startups brasileiras — com forte presença de agrifoodtechs capixabas — ao ecossistema de inovação italiano.
Teve início nesta semana a missão internacional BRAVI 2026 (Brazilian Agrifoodtechs Innovation in Italy), iniciativa promovida pelo Governo do Estado do Espírito Santo, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (Fapes) e da Secretaria da Agricultura (Seag). Até o dia 11 de novembro, a delegação percorrerá os principais polos de tecnologia agroalimentar de Roma, Rimini, Bolonha e Milão.
A agenda visa conectar pesquisadores, investidores e a agroindústria europeia a soluções desenvolvidas no Espírito Santo. Das nove startups selecionadas no país, seis representam a tecnologia capixaba: BagLog, Farmly, GreenWay, SymbioTech, Vent e CertifiCafé.
Exigências europeias aceleram busca por rastreabilidade no agro
Um dos pontos centrais da missão é a conformidade com as regras do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). As novas exigências exigem prova documental e georreferenciada de que commodities como o café não vêm de áreas desmatadas.
A startup capixaba CertifiCafé levou à Europa uma plataforma que digitalizou a metodologia de adequação socioambiental do Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural), hoje adotada em mais de 6,4 mil propriedades no Estado.
“Trouxemos para a Itália uma solução construída para facilitar o processo de diligência que importadores e exportadores de café precisam cumprir perante o novo regulamento europeu”, explica Mauro Lúcio Corrêa da Silva Júnior, CEO da startup.
Cooperação bilateral e troca tecnológica no campo
Além de abrir mercado para as agrifoodtechs, a missão desenha acordos de pesquisa aplicada entre o ecossistema capixaba e centros internacionais de excelência, como o Consiglio Nazionale delle Ricriffe (CNR), o Conselho Nacional de Pesquisas da Itália.
A articulação busca respostas conjuntas para gargalos que afetam tanto o agro brasileiro quanto o europeu, como o impacto das mudanças climáticas nas safras e a eficiência produtiva na cadeia alimentar.
A aproximação técnica é acompanhada pela Seag e pelo FindesLab — hub de inovação da indústria capixaba —, com foco no adensamento da cadeia de fornecedores tecnológicos para a agroindústria. A missão conta ainda com o apoio da Embaixada do Brasil em Roma, via Programa Diplomacia da Inovação (PDI), e a parceria institucional da agência paranaense Fundação Araucária.










