Caso Apex: empresa assume propriedade de aviões e nega que faça parte do grupo

O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) requereu formalmente, no processo de Recuperação Judicial do Grupo Apex, a identificação dos proprietários de cinco aeronaves vinculadas à ABM Partnership — empresa situada no topo da estrutura societária do grupo. A frota sob contestação é composta por dois Cessna Citation Bravo e três Super King Air B200. O órgão ministerial exige a apresentação dos contratos e comprovantes de pagamento realizados nos últimos dois anos.

Em nota obtida pela reportagem, a PSAPX Participações Ltda. declarou ser a única proprietária dos aviões e sustentou total independência em relação ao Grupo Apex:

“A PSAPX esclarece que as aeronaves mencionadas na Cautelar Preparatória para Recuperação Judicial movida pela Apex Partners pertencem exclusivamente à PSAPX e não à APEX Partners. A PSAPX possui administração, patrimônio e estrutura próprios e independentes da Apex.”

A empresa argumenta ainda que a atuação da Apex no caso limitava-se ao campo comercial, sem poderes de gestão ou representação legal, classificando sua inclusão no processo judicial como indevida e promovida por advogados sem procuração válida. Diante disso, a PSAPX informou ter notificado extrajudicialmente o Grupo Apex para que remova seu nome da medida cautelar e cesse qualquer ato de representação em seu nome.

Contradição Societária e Vínculo Financeiro

Apesar da negativa contundente emitida pela PSAPX, dados operacionais e financeiros revelam uma estreita ligação entre as duas estruturas:

  • Administração e Registro: A PSAPX Participações Ltda. (CNPJ 53.085.862/0001-20) é administrada por Thales Lopes Dias e não consta na lista oficial das 178 empresas apresentadas pelo Grupo Apex à Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória.

  • Operação de Financiamento: Contratos do ecossistema Apex trazem a sigla em operações de arrendamento mercantil financeiro identificadas como “Leasing PSAPX”.

  • Braço de Captação: A estrutura aponta para uma atuação da PSAPX como veículo de captação de recursos e braço operacional do Grupo Apex, contrastando com a tese de autonomia patrimonial sustentada na nota oficial.

A apuração sobre a titularidade das aeronaves (cada uma avaliada entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões) e os contratos de leasing segue no âmbito do requerimento formulado pelo Ministério Público Estadual.

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