As histórias das vencedoras do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios mostram diferentes caminhos do empreendedorismo feminino, mas têm pontos em comum: coragem, reinvenção e propósito. Entre as homenageadas estão mulheres que deixaram carreiras consolidadas para começar do zero, transformaram experiências pessoais em oportunidades de negócio, encontraram inspiração na ancestralidade e na tradição familiar e aquelas que seguem enfrentando os desafios da dupla jornada, tendo nos filhos a principal motivação para crescer. Em comum, elas compartilham a determinação de transformar sonhos em empreendimentos que geram impacto econômico, social e cultural dentro e fora do Espírito Santo.
Prêmio reconhece trajetórias inspiradoras de empreendedoras capixabas
Foram cinco categorias: Microempreendedora Individual (MEI), Produtora Rural ou Artesã, Pequenos Negócios, Ciência e Tecnologia e Negócios Internacionais, além do destaque turismo. Conheça as vencedoras e suas histórias.
Microempreendedora Individual (MEI)
Em 1º lugar – Ana Paula Carvalho (Conectar Sistêmico), transformou a paixão por histórias de família em um negócio que une literatura, educação e olhar sistêmico. A decisão de empreender nasceu do desejo de ter mais autonomia após a maternidade. Depois de um início marcado por dificuldades e pelo fechamento do primeiro CNPJ, experiências pessoais profundas a levaram a estudar o conhecimento sistêmico e a ressignificar sua atuação profissional.
Com a chegada da segunda filha, reabriu a empresa com um propósito mais definido. A mudança para Vila Velha consolidou a editora e a Escola Conectar Sistêmico. Hoje, atua com biografias sob encomenda, mentorias de escrita, cursos e obras autorais sobre temas sensíveis, como luto, adoção e inseminação artificial. A trajetória ganhou projeção em eventos literários e reconhecimento local, enquanto o negócio ampliou sua atuação por meio da Comunidade Cuidar.
“É uma alegria estar aqui hoje nesse prêmio do Sebrae, mas a minha alegria maior é saber que nesse momento, a dona Carmosina, de 74 anos, de Jaboticatubas, Minas Gerais, tá lá na Bienal do Livro, lançando o seu livro, que foi produzido pela Conectar Sistêmico. Nesse mesmo momento, a Denise, tá lá em Brasília, foi revisitar a sua família adotiva depois de reconstruir a sua história familiar, entre outras. Então esse prêmio não é sobre mim, não é sobre a conectar, é sobre vidas, é sobre histórias. E o que é mais importante é saber que o meu trabalho, que o nosso trabalho, ele continua transformando vidas todos os dias, que transformaram outras vidas. Ou simplesmente ajuda uma pessoa a seguir em frente. Meu muito obrigada.”

A noite de premiação foi marcada por emoção e aplausos para mulheres que transformaram desafios em oportunidades e fizeram do empreendedorismo parte de suas histórias.
O 2º lugar ficou com Pâmela Zandonade Zanon Rossetti, criou o Pamelita Doces em 2020, durante a pandemia. Após 15 anos trabalhando em uma agência bancária, decidiu investir no sonho de ter o próprio negócio. Mesmo sem experiência prévia, buscou capacitação e começou a produzir brigadeiros gourmet.
Inicialmente conciliou o empreendimento com o emprego no banco, mas, no fim daquele ano, decidiu se dedicar integralmente ao negócio. A divulgação pelas redes sociais impulsionou a marca, que rapidamente passou a atender casamentos, festas e eventos. Com o crescimento, ampliou o portfólio para mais de 50 sabores e criou cursos online que já alcançam centenas de alunas. Em pouco mais de cinco anos, transformou uma habilidade artesanal em uma operação estruturada, digital e escalável.
“Eu nem imaginava estar aqui quando comecei 5 anos atrás a empreender, nunca tinha empreendido e também nunca tinha feito brigadeiro, então foi assim com medo que eu fui, mas fui com medo mesmo, pedi demissão e estudei muito e hoje graças a Deus e a muita ajuda do meu esposo, da minha família, a minha sogra que me ajudava com a mão na massa e toda minha família que sempre me incentivou. Quero agradecer muito ao Sebrae, eu lembro que quando eu ainda estava lá no meu emprego o primeiro curso do Sebrae que eu fiz foi aprender a empreender, então nas horas vagas eu estudava esse curso e hoje eu quero agradecer a toda minha família, a todos os amigos, a todos os meus clientes e principalmente a todas as alunas que eu tenho dentro e fora do país, muito obrigada ao Sebrae e a todos.”
3º lugar –Franthiesca Pegoretti (Sonho de Mel Gourmet), deixou a carreira bancária para construir a Sonho de Mel, negócio familiar especializado em pães de mel, brownies e lembranças personalizadas.
A história começou após uma sugestão da irmã para preparar pães de mel para o casamento de um primo. Ainda jovem, desenvolveu sua própria receita e passou a receber encomendas. Com apoio da família, o negócio cresceu e hoje conta com cozinha industrial, cerca de 50 pontos de venda na Grande Vitória e atendimento a eventos. O diferencial está na combinação entre sabor, cuidado e mensagens positivas em cada produto.
“É uma imensa honra estar recebendo esse prêmio. A Sonho de Mel nasceu de um sonho, de muito trabalho, da coragem de dar o primeiro passo. E esse reconhecimento não é só meu, é da minha irmã também que está ali, meu braço direito. Estou um pouco sem palavras, emocionada, e que esse prêmio sirva de inspiração para outras mulheres irem atrás das suas ideias, de ter essa coragem de dar o primeiro passo e de serem merecedoras desse reconhecimento também como empreendedora. Empreender não é fácil, mas eu garanto que vale a pena. Cada esforço, ser resiliente, acreditar, ir em busca, vale a pena.”
Produtora Rural ou Artesã

Com o primeiro lugar, Thaiz Romão (Jardim de Mel Brasil) foi movida pela paixão pela natureza, Thaiz construiu um negócio baseado na meliponicultura. Em 2019, ao lado do companheiro, conheceu mais profundamente o universo das abelhas nativas sem ferrão e percebeu que a atividade poderia ir além da produção de mel.
Ela passou a utilizar a meliponicultura como ferramenta de educação ambiental, conservação da biodiversidade, geração de renda e fortalecimento da agricultura familiar. Com cursos, palestras, consultorias e implantação de meliponários educativos, consolidou uma trajetória que conecta produção rural, sustentabilidade e impacto socioambiental.
“Eu não imaginava, depois de mulheres tão potentes aqui, dona Jurema, pelo amor de Deus. Mas eu fico muito feliz com esse reconhecimento. A criação de abelhas nativas, ela precisa ser valorizada. As abelhas estão diretamente relacionadas com a segurança alimentar, tanto da população como dos outros seres vivos. Então eu, como bióloga, tenho a obrigação de falar isso e dizer o quanto esse trabalho tão sutil e invisível aos nossos olhos é importante para a biodiversidade, é importante para a nossa alimentação através da polinização. Então eu estou aqui representando vários outros meliponicultores do Estado. A gente tem muito parceiro bom, o Hercules, meu companheiro, que é o fundador da empresa. Eu estou com ele, braço direito, sempre acompanhando as nossas ações, na conservação dessas espécies que são tão eficientes. Essenciais para a nossa vida como um todo. Só agradeço, pessoal. Obrigada mesmo.”
Conquistando o 2º lugar, Carolini Freitas Menegardo do Café Especial Bela Vista, lembrou a trajetória. Formada em Medicina Veterinária, Karoline Freitas Venegardo decidiu retornar ao interior para criar os filhos e dar continuidade à propriedade da família em Rio Novo do Sul.
Em 2023, ao lado do esposo, produziu o primeiro lote de café especial do município. Assumiu a liderança do cultivo, processamento, comercialização e gestão do negócio, implantando a primeira unidade local voltada ao processamento de cafés de qualidade. Hoje, comercializa cafés tradicionais e especiais, além de experiências ligadas ao turismo rural.
“Quero agradecer a Deus por ter plantado esse sonho no meu coração e me sustentado até aqui, além de agradecer a todos que fizeram parte dessa trajetória. Estar aqui é uma honra, porque sinto que represento não apenas o Café Especial Bela Vista, mas também todas as produtoras rurais, mães empreendedoras e o café conilon capixaba, que vem ganhando cada vez mais destaque.”
Em 3º lugar, Jurema Conceição Gonçalves do Coletivo Mulheres de Fibras, emocionou ao falar da ancestralidade e das próximas gerações.
Quilombola de Conceição da Barra, Jurema Conceição Gonçalves transformou a fibra de bananeira em fonte de renda e preservação cultural. Ela reuniu mulheres da comunidade em torno do Coletivo Mulheres de Fibras, que cresceu mesmo diante da falta de recursos e infraestrutura. Atualmente, o grupo reúne cerca de 20 mulheres e alia artesanato, ancestralidade e turismo comunitário como ferramentas de autonomia e fortalecimento do território.
“Estar aqui hoje não representa apenas uma conquista pessoal. Representa a voz, a força e a resistência de toda a minha comunidade quilombola. O que visto, o turbante, as cores e os acessórios carregam a identidade da Casa das Mulheres de Fibras e a história de muitas mulheres que aprenderam a transformar o que a terra oferece em arte, sustento e oportunidade. Quando olho para a fibra da bananeira e para a taboa, não vejo apenas matéria-prima, vejo a herança dos meus ancestrais, a sabedoria transmitida por gerações e a prova de que é possível transformar tradição em desenvolvimento, renda e preservação cultural.”

“Empreender, para mim, nunca foi sobre uma conquista individual. Sempre foi sobre o coletivo Mulheres de Fibras, sobre valorizar a nossa cultura, fortalecer a nossa comunidade e mostrar que ancestralidade, inovação, turismo sustentável e economia circular podem caminhar juntos. Este reconhecimento também pertence às mulheres que construíram essa história antes de mim e às novas gerações que darão continuidade a esse legado. É a demonstração de que a cultura quilombola tem valor, gera oportunidades e merece ocupar espaços de destaque. Recebo essa homenagem com orgulho por representar a minha comunidade, a força da mulher quilombola e a história de resistência que nos trouxe até aqui”, emocionou.
Pequenos Negócios
Em 1º lugar – Pequenos Negócios, Virginia Endlich Fiorese do Levei Bolo, recordou o início. Com uma proposta pouco convencional: uma kombi personalizada circulando pela Grande Vitória levando produtos em embalagens pensadas para lembrar presentes.
Desde o início, participou da gestão e da condução estratégica do negócio. Em 2020, passou a liderá-lo integralmente. Durante a pandemia, criou o produto “Bolo Feliz Aniversário”, acompanhado de um kit comemorativo que permitia celebrar datas especiais mesmo à distância. A iniciativa se tornou um dos sucessos da marca e fortaleceu o delivery.
Com o crescimento, a empresa ampliou sua presença com novas unidades, fábrica própria e diferentes canais de venda. Atualmente, a Levei Um Bolo conta com quatro lojas e cerca de 30 colaboradores, mantendo o foco em qualidade, conveniência e memória afetiva.
“Receber esse prêmio é muito emocionante. Quero agradecer ao Sebrae pela valorização do empreendedorismo feminino e por ter feito parte da minha trajetória desde o início. Sou mãe de Valentim, Melina e Pedro, que são meu combustível diário para enfrentar os desafios da dupla jornada. A Levei Um Bolo completa dez anos e começou de forma simples, em uma kombi, até se transformar no negócio que é hoje. Essa conquista representa a realização de um sonho construído com o apoio da minha família, dos colaboradores e de todos que acreditaram no nosso trabalho.”

O 2º lugar foi para Flora Gomes Machado, DIV Cosmetics, que uniu formação científica, propósito e empreendedorismo para criar uma fórmula para tratamento capilar. Mestre e engenheira química, pesquisadora e professora universitária, começou a se aproximar do universo cosmético em 2019.
Durante a pandemia, passou a desenvolver formulações capilares em busca de soluções para o próprio cabelo e para a transição capilar da irmã. Os primeiros testes deram origem, em 2021, às linhas de xampu e máscaras em barra. Em homenagem à avó Divina, Flora reformulou a empresa e adotou um novo posicionamento.
Em 2025, desenvolveu o projeto Biotech Hair, voltado a produtos com ativos biotecnológicos. Em 2026, consolidou a marca como referência em cosméticos veganos, sustentáveis e de alta performance.
“Estou muito feliz e emocionada com esse reconhecimento do Sebrae. Sei como a jornada de quem empreende é difícil e como, muitas vezes, dá vontade de desistir. Por isso, receber esse prêmio é importante para me lembrar de que meu propósito é real e que estou no caminho certo. Agradeço a todos que me apoiam e, especialmente, às amigas e colegas que estiveram comigo nesse momento.”
Já Margaret Siqueira, do Instituto Capilari, ficou com o terceiro lugar. A empreendedora construiu sua trajetória a partir de uma história marcada por responsabilidade, educação e cuidado. Após perder o pai ainda criança, ajudou a mãe na criação das irmãs e começou a trabalhar aos 15 anos.
Mais tarde, já casada e mãe, retornou ao mercado atuando na venda de equipamentos e cosméticos profissionais. A experiência com clientes a levou a compreender que poderia gerar mais impacto por meio da formação de profissionais. Passou a investir em terapia capilar, tricologia, ciência cosmética e docência.
Em 2017, fundou o Instituto Capilari. O que começou como um espaço especializado evoluiu para um ecossistema que reúne formação profissional, pós-graduação, mentorias, eventos científicos e comercialização de cosméticos. Atualmente, a instituição é referência em educação voltada à saúde capilar.
“Sou muito grata ao Sebrae pela oportunidade e pelo reconhecimento. Tenho orgulho de ser uma mulher da beleza e de trabalhar com beleza inclusiva, ajudando a reconstruir a autoestima de mulheres e homens. Acredito que a educação transforma, gera renda e fortalece muitas mulheres que atuam no setor da beleza. Ser reconhecida como uma mulher de negócios é uma grande oportunidade para dar visibilidade a um trabalho que muitas vezes é silencioso. Agradeço à minha filha Bárbara, que constrói esse setor comigo no Espírito Santo, ao meu marido Antônio e a toda a minha família”, disse.
Ciência e Tecnologia
Na categoria, Ciencia e tecnologia, Rayssa Pereira do Nascimento Mendes (Manacá Tecnologias Sociais), conquistou o primeiro lugar.
A empreendedora construiu sua trajetória a partir da experiência em escola pública, da atuação como professora em comunidades vulneráveis e de projetos ligados à Unicef e ao Banco Mundial. Formada em Ciências Sociais e História, identificou uma dificuldade recorrente entre organizações que investiam em impacto socioambiental: a falta de ferramentas para estruturar dados, medir resultados e apoiar a tomada de decisões. A ideia ganhou forma em 2020, no Startup Lab da USP, e resultou na criação da Manacá Tecnologias Sociais.
Fundada ao lado de Alexandre Poleto, sem capital inicial, a empresa apostou em crescimento autossustentável e no acesso a editais e premiações de inovação. A Manacá desenvolveu soluções próprias, como a Flora, plataforma de mensuração de impacto com inteligência artificial explicável, e o Saira, voltado ao monitoramento de resíduos por visão computacional. Com atuação em diferentes estados, a empresa consolidou um modelo que combina ciência, tecnologia e impacto social.

“Receber este prêmio é ver uma história inteira se transformar em conquista. Vindo de um contexto de escassez e da escola pública, perdi as contas de quantas vezes ouvi que não tinha o “conhecimento suficiente” para ocupar o universo da ciência, da tecnologia e da inovação. Depois, como empreendedora, enfrentei o desafio de conquistar o meu espaço em um mercado majoritariamente masculino. Uma trajetória atravessada pelas desigualdades estruturais da nossa sociedade.”
A empreendedora pontuou ainda. “Hoje, este reconhecimento é a prova viva de que a persistência compensa. Ele demonstra que é possível, sim, empreender com ciência e inovação quando se tem um propósito claro: construir um futuro mais justo. A Manacá Tecnologias Sociais nasceu desse sonho de ser a ponte entre o método científico e o impacto social real. Com soluções como o Saíra, nossa tecnologia de visão computacional para a gestão de resíduos urbanos, provamos que a inovação pode e deve estar a serviço das pessoas e do planeta. Sinto uma gratidão enorme por este momento. Este prêmio não é só meu; pertence a cada pessoa que acredita nessa missão e a constrói todos os dias. Estamos apenas começando!”, finalizou.
Com 2º lugar, Anna Paula de Souza Rampazzo (Hélli Skin) lembrou o caminho que trilhou. Farmacêutica e pesquisadora, Anna Paula transformou conhecimento científico em negócio. O interesse pela cosmetologia natural e pelo desenvolvimento de formulações próprias começou em 2019 e passou a ganhar forma empresarial nos anos seguintes.
Em 2022, a aprovação no Programa Centelha permitiu profissionalizar e terceirizar a produção. Em 2024, lançou a linha clínica, composta por dermocosméticos voltados para peles sensíveis e reativas. A partir da própria experiência, estruturou esse público como uma categoria específica: a pele pós-traumática.
“Estou muito emocionada e honrada por conquistar o segundo lugar do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, na área de Ciência e Tecnologia. Nunca imaginei estar concorrendo a um prêmio ao lado de mulheres tão inspiradoras e potentes. Acredito na ciência que sai do laboratório para transformar vidas e me comprometo a continuar nesse caminho de descobertas e inovação, buscando ajudar pessoas que, assim como eu, enfrentam pele hipersensibilizada, reativa e alergias. Agradeço ao Sebrae e ao Prêmio Mulher de Negócios pela oportunidade e pelo reconhecimento”, realçou.

Karla Santos Feu, da Muzie Essence Dermocosméticos, com 3º foi destacada por ter transformado a carreira acadêmica em um empreendimento baseado na própria pesquisa científica. A inspiração surgiu durante o doutorado, quando passou a enxergar a possibilidade de levar tecnologias desenvolvidas em laboratório para o mercado.
Após experiências de pós-doutorado no Brasil e no exterior, decidiu direcionar sua formação para inovação e negócios. Ao lado de colegas pesquisadores, desenvolveu um projeto para extração de nanocelulose da fibra de bananeira utilizando solventes verdes e processo livre de resíduos.
O negócio evoluiu para duas frentes complementares. Sua trajetória demonstra como a ciência e a química verde podem gerar soluções industriais sustentáveis e produtos de alto valor agregado.
“Sou muito grata a Deus, que me sustenta todos os dias, e ao Sebrae pela oportunidade de mostrar que é possível empreender com ciência. Como mãe e empreendedora, sei que essa jornada é difícil, mas também muito gratificante. Trabalho com produtos desenvolvidos a partir da fibra de bananeira e acredito na transformação da pesquisa em soluções para a indústria, além de atuar com uma marca de cosméticos sustentáveis. Agradeço à minha família, ao meu esposo, aos meus sócios e a todos que me apoiam nessa caminhada.”
Negócios Internacionais
Na categoria, Micheli Sossai Spadeto, empreendedora na Transcapixaba Hike and Fly, ficou com o 1º lugar. A empreendedora construiu uma trajetória que conecta ciência, esporte, turismo e desenvolvimento territorial. Doutora em genética e melhoramento, iniciou sua jornada empreendedora com a BioOrquídeas, voltada à biotecnologia vegetal.
Paralelamente, transformou a paixão pelo voo livre na criação da Transcapixaba Hike and Fly, competição que une backpacking e parapente em travessias de longa distância. O projeto rapidamente demonstrou potencial para promover municípios, movimentar economias locais e projetar o Espírito Santo internacionalmente.
A presença crescente de atletas estrangeiros abriu caminho para a Fly Brasil Adventure, empresa especializada em turismo esportivo e experiências de aventura. Micheli transformou uma paixão esportiva em uma plataforma de conexão entre o território capixaba, o turismo de aventura e o mercado internacional.
“Estou muito emocionada e grata por receber esse reconhecimento do Sebrae, especialmente pelo apoio da Patrícia, gestora da Regional Serrana. Nunca imaginei que empreenderia na área de esportes e turismo, depois de sair da vida acadêmica e concluir o doutorado. Hoje, ao lado do meu marido Lucas, à frente da Fly Brasil Adventures e da Transcapixaba Hiking Fly, trabalho para trazer atletas e turistas ao Espírito Santo, mostrando as belezas do nosso estado e promovendo a preservação ambiental. Acredito que o empreendedorismo possibilita realizar sonhos e sou muito feliz por fazer algo que amo. Dedico esse prêmio à minha mãe, minha inspiração, e ao meu marido Lucas, meu parceiro e minha base”, mencionou.

O 2º ficou com Mirella Ribeiro Alves de Souza da ia.Job. A empreendedora emocionou ao lembrar que é mãe solo, de Linhares e está indo para fora do Brasil. O prêmio foi oferecido aos filhos e a mãe. Mirela Ribeiro Alves de Souza levou 15 anos de experiência em recursos humanos para criar a IA Job, plataforma de recrutamento inteligente focada em vagas operacionais.
A solução surgiu da percepção de três desafios recorrentes: candidatos que não encontram oportunidades adequadas, empresas com dificuldade para contratar e recrutadores que precisam conectar rapidamente os dois lados.
Inicialmente voltada para perfis mais estratégicos, a plataforma foi reposicionada para atender o mercado operacional. Mirela investiu em tecnologia e marketing para fortalecer a credibilidade do negócio e desenvolveu uma solução que permite candidaturas pelo WhatsApp, sem currículo, com triagem automatizada. A empresa já reúne milhares de candidatos, centenas de vagas e iniciou sua expansão internacional após missão empresarial à Argentina.
“Que emoção estar aqui recebendo esse prêmio! Meu Deus, representando a minha cidade, Linhares, no norte do Espírito Santo. Estou muito feliz, de verdade. Para mim, é uma honra muito grande receber o Prêmio Mulher de Negócios, na categoria Negócios Internacionais. Saber que eu saí do interior para, hoje, receber um prêmio nessa categoria é uma emoção muito grande”, contou.
Ao lado dos filhos, no palco ela direcionou. “Esse prêmio é nosso. Mamâe conseguiu, nós conseguimos.”
Destaque Turismo

Micheli Sossai Spadeto foi um dos grandes destaques da premiação, ao retornar ao palco para receber o segundo prêmio destaque. A empreendedora foi lembrada por transformar esporte de aventura, turismo e desenvolvimento regional em um negócio com alcance internacional, promovendo o Espírito Santo para visitantes de diferentes países.
Reconhecimento valoriza trajetórias de mulheres
Reconhecer histórias, dar visibilidade a trajetórias e mostrar a força de quem decidiu transformar uma ideia em negócio. É com esse propósito que o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios destaca empreendedoras que fazem a diferença em diferentes regiões do Espírito Santo.
Segundo Lisandra Carneiro, gestora estadual do Sebrae Delas, a iniciativa busca valorizar não apenas os resultados alcançados pelas empreendedoras, mas também os caminhos percorridos por elas até a consolidação dos negócios.
“O Prêmio Sebrae Mulher de Negócios é uma iniciativa nacional do Sebrae, que a gente conduz aqui no Espírito Santo, com um objetivo muito claro: reconhecer e dar visibilidade a histórias inspiradoras de mulheres que lideram pequenos negócios. Mais do que entregar um troféu, a gente quer valorizar a trajetória dessas empreendedoras e mostrar que o trabalho delas transforma famílias, bairros e cidades inteiras”, frisou.
Lisandra Carneiro conta que no Espírito Santo, o prêmio também ganhou espaço como uma forma de tornar conhecidas histórias que muitas vezes permanecem longe dos holofotes.

“Para o empreendedorismo feminino capixaba, o Prêmio virou uma vitrine: ele tira da luz as mulheres que fazem um trabalho extraordinário no interior e na Grande Vitória, e diz publicamente que o esforço delas importa e inspira outras a seguirem o mesmo caminho.”
Como funciona o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios
A gestora relatou que a premiação é realizada em diferentes etapas e reúne empreendedoras de áreas distintas. Para participar, é necessário atender aos critérios estabelecidos pelo prêmio e se enquadrar em uma das categorias disponíveis.
“Funciona em etapas. Primeiro a inscrição, aberta a empreendedoras com pelo menos um ano de empresa, distribuídas em cinco categorias: Microempreendedora Individual, Pequenos Negócios, Produtora Rural e Artesanato, Ciência e Tecnologia e Negócios Internacionais. Aqui no ES a gente ainda tem um reconhecimento especial, o Destaque Inspiração no Turismo”, realçou.
Lisandra Carneiro conta que, depois da inscrição, as participantes passam por diferentes fases de avaliação, que analisam aspectos relacionados à trajetória e ao desenvolvimento dos negócios.
“E então passam pelas avaliações estadual, regional e nacional. A avaliação segue critérios definidos no regulamento nacional e considera aspectos como trajetória, gestão do negócio, resultados alcançados, capacidade de superação, inovação e impacto, buscando reconhecer não apenas empresas bem estruturadas, mas mulheres que conseguiram transformar desafios em desenvolvimento e crescimento”, explicou.

Sebrae oferece apoio às empreendedoras
Ainda de acordo com Lisandra Carneiro, o reconhecimento também pode ser o início de uma aproximação maior entre as empreendedoras e o Sebrae. A instituição oferece diferentes formas de apoio para que elas continuem desenvolvendo seus negócios.
“Além da premiação, o Sebrae atua para que essa mulher continue evoluindo ao longo da sua jornada empreendedora, oferecendo capacitações, consultorias, orientações, conexões e acesso a diferentes soluções. O Prêmio também funciona como uma porta de entrada para uma relação mais próxima com o Sebrae, especialmente por meio do Sebrae Delas, que trabalha temas como gestão, liderança, posicionamento, acesso a mercado, crédito e fortalecimento de redes.”
Desafios enfrentados pelas mulheres empreendedoras
Ela completa que, para além dos desafios comuns a quem empreende, as mulheres enfrentam obstáculos específicos que podem interferir no crescimento dos negócios e na própria tomada de decisões.
“As mulheres ainda enfrentam desafios muito específicos ao empreender, como a sobrecarga de responsabilidades, dificuldades de acesso a crédito, menor presença em redes de relacionamento, insegurança na tomada de decisão e barreiras para crescer e acessar novos mercados”, salientou.
Ela pontua ainda que, diante dessas dificuldades, o Sebrae busca oferecer ferramentas que ajudem as empreendedoras tanto na gestão quanto no desenvolvimento de habilidades pessoais e profissionais.
“O Sebrae atua justamente para reduzir essas dificuldades, oferecendo informação, capacitação, orientação e conexão, trabalhando tanto as competências técnicas de gestão quanto aspectos relacionados à liderança, autoconfiança e posicionamento.”
Reconhecimento pode abrir novas oportunidades
A gestora conta que o reconhecimento recebido por uma empreendedora pode ultrapassar o significado de uma premiação. Segundo Lisandra, ele pode contribuir para fortalecer a confiança, a marca e as oportunidades de quem está à frente do negócio.
“O reconhecimento pode gerar um impacto muito grande porque valida uma trajetória que, muitas vezes, foi construída com muito esforço e pouca visibilidade. Para a empreendedora, isso pode significar mais confiança, fortalecimento da marca, novas conexões e oportunidades de mercado; para o negócio, representa ganho de reputação e abertura de portas; e, para outras mulheres, cria referências reais de que é possível empreender, crescer e ocupar novos espaços”, mencionou.
Além do impacto para quem recebe o prêmio, as histórias das vencedoras também podem incentivar outras mulheres a iniciarem suas próprias trajetórias no empreendedorismo.
“Quando uma mulher sobe naquele palco, ela representa milhares de outras que estão em casa achando que não vão conseguir. Cada história premiada acende uma faísca em quem ainda não teve coragem de começar. É um reconhecimento que se multiplica.”

Histórias que fortalecem o empreendedorismo feminino
Lisandra Carneiro enfatiza que as histórias reconhecidas pelo prêmio também ajudam a mostrar a diversidade do empreendedorismo feminino no Espírito Santo, presente em diferentes setores e regiões.
“Revelam que o empreendedorismo feminino não é coadjuvante, é protagonista da nossa economia. São mulheres que geram emprego, movimentam suas cidades, mantêm tradições vivas no artesanato e na produção rural e, ao mesmo tempo, inovam em tecnologia e chegam ao mercado internacional. São trajetórias diversas, mas que têm em comum muita capacidade de adaptação, persistência e transformação, e mostram que quando fortalecemos uma mulher empreendedora, o impacto vai muito além de um negócio, alcançando famílias, comunidades e a própria economia capixaba”, reforça.
A gestora encerra deixando um recado para as mulheres que ainda estão pensando em começar um negócio, a orientação é buscar conhecimento, apoio e conexões, sem esperar pelo momento em que todas as dúvidas estejam resolvidas.
“Eu diria para essa mulher não esperar se sentir totalmente pronta, porque esse momento talvez nunca chegue. Muitas empreendedoras que hoje têm negócios consolidados também começaram com medo, dúvidas e poucas certezas, então o mais importante é buscar informação, testar a ideia, se capacitar e dar um passo de cada vez. E, principalmente, não fazer esse caminho sozinha: procurar o Sebrae, se conectar com outras mulheres e construir uma rede de apoio pode fazer toda a diferença.”










