O colapso financeiro do Grupo Apex Partners — que acumula um passivo de R$ 985,6 milhões reconhecidos em juízo — acendeu o sinal de alerta no mercado imobiliário do Espírito Santo e de outros estados. Com a crise deflagrada na plataforma de investimentos, incorporadoras e construtoras parceiras do grupo moveram-se rapidamente para blindar a imagem de seus empreendimentos e garantir a investidores e compradores que as obras seguem em ritmo normal.
A Apex Partners atuava no mercado captando recursos e conectando investidores a grandes projetos imobiliários por meio de Sociedades de Propósito Específico (SPEs). Entre as principais obras no estado que contam com a participação da gestora como investidora estão o Arti Design Living (Vila Velha, da Città Engenharia), o Parque Flora (Jardim Camburi, da Sá Cavalcanti) e os edifícios Youniverse e Cyan (Enseada do Suá, da Nazca). O portfólio inclui ainda projetos em Santa Catarina (MoMa Residence), Paraná (Solano) e São Paulo (The Only & Grafik).
Por meio de nota oficial, a Apex Partners informou que todos os projetos imobiliários do seu portfólio seguem sob a gestão financeira e operacional direta das incorporadoras e construtoras parceiras, garantindo o andamento normal ou a conclusão das obras.
A plataforma esclareceu que identificou inconsistências financeiras por meio de apurações internas e que adotou medidas para afastar o fundador e ex-presidente Fernando Antonio Kulnig Cinelli. A empresa declarou ainda estar em fase final de contratação de uma auditoria independente para avaliar a extensão dos prejuízos e reforçou a intenção de dar continuidade às suas atividades operacionais e cumprir os compromissos assumidos com o mercado.
O histórico da crise no Grupo Apex
O estopim da crise na Apex Partners ocorreu no início de agosto de 2026, culminando no afastamento do presidente Fernando Cinelli e do diretor financeiro Eduardo Siqueira sob alegações de gestão temerária. A reviravolta ganhou tração após um pedido informal de empréstimo no valor de R$ 100 milhões feito por Cinelli ao banco BTG Pactual, o que acionou os alertas de compliance da instituição bancária.
Diante do rombo, o BTG Pactual rompeu o acordo de distribuição que mantinha com a plataforma e travou os resgates de um fundo de investimento atrelado ao grupo.
Sem liquidez, a Apex promoveu o desligamento de cerca de 80% do seu quadro de funcionários e recorreu à Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória para protocolar um pedido de tutela cautelar antecedente. A medida, que corre sob a relatoria do juiz Marcos Pereira Sanches, visa blindar os ativos do grupo contra bloqueios de credores por até 60 dias enquanto a empresa prepara a sua recuperação judicial.
A reportagem do ES Hoje tentou contato com as demais incorporadoras citadas no portfólio do grupo — Sá Cavalcanti, Aikon Empreendimentos, Montrecon Construtora e AAM Incorporadora —, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.










