O governo dos Estados Unidos anunciou a aplicação de uma tarifa comercial adicional de 12,5% sobre produtos importados do Brasil e de outras 59 economias mundiais. A medida, que entrou em vigor nesta sexta-feira (24), incide de forma independente sobre o mercado nacional e se soma à sobretaxa de 25% implementada anteriormente por Washington. Na prática, itens que não foram contemplados nas listas formais de exceção dos EUA podem sofrer uma tributação acumulada de até 37,5 pontos percentuais.
Para o agronegócio do Espírito Santo, os impactos da nova política protecionista norte-americana são assimétricos. Os principais carros-chefes da pauta de exportação capixaba obtiveram isenção das duas cobranças, mas segmentos estratégicos do estado permanecem expostos ao aumento de custos no comércio exterior.
Café, pimenta e celulose do ES ficam isentos de impostos nos EUA
Ficaram protegidos e isentos das duas sobretaxas norte-americanas produtos de elevado peso na balança comercial capixaba. A lista de exceções inclui todo o complexo cafeeiro (café verde, torrado, descafeinado, solúvel e preparações), pimenta-do-reino, gengibre, mamão, carne bovina e celulose.
O secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Espírito Santo (Seag), Enio Bergoli, avalia que a preservação dessas mercadorias mitiga riscos expressivos na economia do interior.
“É positivo que produtos estratégicos para o Espírito Santo, como café, celulose, pimenta-do-reino, gengibre, mamão e carne bovina, tenham sido preservados. São cadeias que geram renda no campo, movimentam agroindústrias, sustentam empregos e alavancam o comércio internacional capixaba”, afirmou o secretário.
Setor de frango, ovos e pescados capixabas enfrentam alíquota de 37,5%
Apesar da blindagem sobre as commodities agrícolas tradicionais, o governo do Estado alerta que a medida traz forte apreensão para outras cadeias produtivas. A carne de frango e a produção de ovos não foram inseridas nas listas de isenção e passarão a sofrer a incidência simultânea das duas tarifas, somando 37,5%.
No setor de pescados, a situação varia conforme o enquadramento fiscal do produto. Determinados códigos haviam sido liberados da tarifa de 25%, mas acabaram atingidos pela nova alíquota de 12,5%. Dependendo da classificação, o acúmulo de tributos também pode atingir o patamar máximo de 37,5%.
“Temos uma preocupação especial com a avicultura de corte e postura, que agora estão sujeitas à soma das tarifas independentes e alcançam 37,5%. Outra preocupação é com o setor de pescados […]. Dependendo do código de enquadramento do tipo do pescado, as duas sobretaxas poderão ser acumuladas, aumentando significativamente o custo de entrada no mercado norte-americano”, alertou Bergoli.
O titular da Seag defendeu que o Governo Federal atue por vias diplomáticas para renegociar as barreiras com a administração estadunidense, citando que a instabilidade compromete contratos, investimentos e empregos no campo.
Mudança na política comercial norte-americana e instabilidade no mercado
A volatilidade nas tarifas de exportação para os Estados Unidos tem origem em ajustes protecionistas iniciados em 2025. Segundo o gerente de Dados e Análises da Seag, Danieltom Vandermas, o governo norte-americano alterou sua estratégia jurídica e comercial após decisões judiciais locais afastarem tarifações gerais anteriores.
Atualmente, os EUA utilizam investigações baseadas na Seção 301 de sua legislação interna. Esse formato resultou na sobretaxa de 25% anunciada em 15 de julho deste ano e na nova tarifa de 12,5% divulgada em 23 de julho — esta última justificada por diretrizes de prevenção ao trabalho forçado.
Vandermas pontua que o principal entrave para os exportadores capixabas, no momento, é a falta de previsibilidade do mercado internacional.
“Em pouco tempo, houve mudanças nas alíquotas, nos fundamentos das medidas, nos prazos de vigência e nas listas de exceção. Para o agro capixaba, o cenário é relativamente favorável nos produtos que foram isentos, mas outras classes ainda permanecem expostas e precisam ser acompanhadas com atenção. Em um ambiente comercial cada vez mais influenciado por fatores geopolíticos, a competitividade dependerá de inteligência comercial, capacidade de adaptação dos nossos exportadores e da diversificação de mercados”, concluiu o analista.










