A inflação da alimentação fora de casa desacelerou em abril e ficou abaixo do índice geral do país, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,67% no mês, a alimentação fora do domicílio subiu 0,59%.
O resultado contrasta com a elevação dos custos enfrentados por bares e restaurantes. O grupo de alimentação e bebidas, que reúne itens usados pelo setor, teve alta de 1,34%, enquanto a alimentação no domicílio avançou 1,64%.
Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, muitos empresários têm evitado reajustar os cardápios para não perder clientes em um cenário de consumo mais cauteloso. Pesquisa da entidade aponta que 36% dos estabelecimentos não conseguiram aumentar preços nos últimos 12 meses.
A estratégia ocorre em meio ao crescimento do endividamento das famílias brasileiras. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo mostram que 80,9% das famílias estavam endividadas em abril, enquanto a inadimplência atingiu 29,7%.
Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, os empresários vivem um cenário de pressão dupla: custos em alta e consumidores mais resistentes a aumentos.
“Os insumos continuam pressionando os negócios, mas o consumidor está mais sensível a reajustes. Em muitos casos, os estabelecimentos preferem absorver parte desses aumentos para manter o fluxo de clientes e preservar o consumo”, afirmou.
Mesmo com a desaceleração registrada em abril, a alimentação fora do lar acumula alta de 6,31% nos últimos 12 meses, acima da inflação geral do país, que ficou em 4,39% no mesmo período.
Entre os itens com maiores aumentos no período estão os lanches, com alta acumulada de 9,60%, e o cafezinho, que subiu 8,51% em 12 meses.









