ES cria 2.846 empregos formais e mulheres são a maioria das contratações

O mercado de trabalho capixaba está em ritmo de retomada, puxado principalmente pela força feminina e pelo avanço do setor de serviços. Após o fechamento de mais de 10 mil vagas em dezembro, comum no período de ajustes pós-festas, o Espírito Santo voltou a acelerar as contratações e encerrou o mês de fevereiro com saldo positivo de 2.846 novos empregos com carteira assinada.

Apesar do saldo positivo geral, a geração de empregos esteve fortemente concentrada no setor de serviços, responsável sozinho por 2.997 vagas. A indústria contribuiu com 100 postos e a agropecuária com 130. Em sentido contrário, a construção civil fechou 221 empregos, e o comércio também apresentou resultado negativo, com fechamento de 161 vagas.

As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Segundo o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, fevereiro confirmou um movimento esperado para o início do ano. “Depois dos desligamentos sazonais de dezembro, o mercado costuma iniciar uma recuperação gradual.

O saldo positivo mostra que a economia capixaba retomou contratações, especialmente em segmentos mais dinâmicos, como os serviços”, afirmou.

Com o desempenho de fevereiro, o Espírito Santo passou a contabilizar 928.138 vínculos formais de trabalho, crescimento de 1,3% em relação ao mesmo mês de 2025. No período, a expansão do emprego ficou restrita ao setor terciário, com alta de 2,1% no comércio e de 2% nos serviços.

Atualmente, o setor de serviços concentra 46,2% dos vínculos formais do estado, enquanto o comércio responde por 25,6%. Juntos, os dois segmentos representam 71,8% do total de empregos formais no Espírito Santo, o equivalente a 665.766 postos de trabalho.

Para Spalenza, os números confirmam o peso crescente dessas atividades na economia local. “Serviços e comércio seguem como grandes motores da geração de renda e emprego no estado. São setores mais conectados ao consumo e à movimentação cotidiana da economia”, explicou.

Dentro do setor de serviços, o principal destaque veio do segmento de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, responsável por 1.507 vagas. O maior impulso partiu da educação, com 1.023 novos postos formais. O movimento está diretamente ligado à volta às aulas, quando escolas e instituições de ensino reforçam equipes e ampliam contratações.

Outro destaque dos serviços foi o segmento de transporte, armazenagem e correio, que registrou 1.367 novos empregos. Nesse grupo, o transporte terrestre se sobressaiu, especialmente o transporte rodoviário de passageiros, responsável por 1.138 vagas.

O recorte de gênero é outro detalhe que chama a atenção nas contratações. Do total de vagas criadas em fevereiro, 83,4% foram ocupadas por mulheres, enquanto os homens responderam por 16,6%.

Segundo Spalenza, a explicação está no perfil das atividades que mais contrataram. “As vagas se concentraram em áreas como educação, alimentação, saúde e serviços em geral, setores nos quais a participação feminina historicamente é maior. Isso ajuda a explicar a predominância das mulheres nas admissões do mês”, destacou.

De acordo com o relatório Retrato das Mulheres no Mercado de Trabalho no Espírito Santo: Diagnóstico e caminhos para a equidade, publicado pelo Connect Fecomércio-ES com base em dados da PNAD Contínua/IBGE de 2024, 66,4% das mulheres ocupadas no estado trabalham no setor de serviços. É também o único setor em que elas são maioria, representando 57,6% dos trabalhadores. Nas atividades de educação, as mulheres correspondem a 78,1% dos ocupados. Em alojamento e alimentação, a participação feminina chega a 64%.

Vagas por municípios
Entre os municípios capixabas, Vila Velha liderou a criação de empregos em fevereiro, com 716 novas vagas, das quais 647 vieram do setor de serviços. Fora da Grande Vitória, Linhares teve o maior saldo, com 341 postos, seguido por Cachoeiro de Itapemirim (248), João Neiva (230) e Colatina (194). Impulsionado por esses municípios, o interior do estado gerou 1.582 empregos, o equivalente a 55,6% do total.

Na Grande Vitória, Serra criou 341 vagas, Vitória registrou 272 e Cariacica, 172. No conjunto, a região metropolitana respondeu por 1.264 empregos formais, ou 44,4% do saldo estadual.

“Quando o interior amplia sua participação na geração de empregos, o estado avança em direção a um desenvolvimento mais equilibrado, com menos concentração econômica e mais oportunidades distribuídas entre as regiões”, concluiu Spalenza.

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