A combinação de fatores como redução da oferta no campo, entressafra e demanda aquecida por alimentos básicos voltou a pressionar os preços no país e impactou diretamente o bolso dos moradores de Vitória em abril.
Na capital capixaba, o custo da cesta básica chegou a R$ 810,45, com alta de 2,56% em relação a março. O movimento acompanha a tendência nacional: pelo segundo mês consecutivo, os preços subiram nas 27 capitais pesquisadas.
Entre os principais responsáveis pela alta em Vitória estão o arroz agulhinha, que subiu 13,73%, e o leite integral, com aumento de 13,19%. Também contribuíram para o avanço dos preços itens como tomate (7,02%) e batata (4,66%), além de outros produtos essenciais do dia a dia.
Ao todo, 11 dos 13 itens que compõem a cesta básica ficaram mais caros no mês. O feijão preto manteve estabilidade, enquanto o café em pó foi o único produto a registrar queda (-2,78%).
No ranking nacional, Vitória aparece entre as capitais com maior custo da cesta básica, ocupando posição intermediária, mas ainda com valor elevado. O cenário geral mostra que a alta dos alimentos é disseminada pelo país. Capitais como Porto Velho (5,60%), Fortaleza (5,46%) e Cuiabá (4,97%) registraram os maiores aumentos no mês. Já São Paulo segue com a cesta mais cara, chegando a R$ 906,14.
No acumulado de 12 meses, o custo da cesta subiu em 18 capitais e caiu em outras nove, indicando um cenário ainda instável para os preços dos alimentos.
Pressão vem do campo
O comportamento dos preços em abril está diretamente ligado a questões de oferta e sazonalidade. A entressafra reduziu a disponibilidade de leite, elevando o preço dos derivados, enquanto o fim da safra da batata também pressionou os valores.
No caso do tomate, a menor oferta entre as safras de verão e inverno contribuiu para a alta. Já o arroz teve valorização influenciada pela menor disponibilidade no mercado, mesmo com o início da colheita, já que produtores seguraram estoques à espera de melhores preços.
Esse cenário ajuda a explicar por que itens básicos seguem puxando a inflação dos alimentos, mesmo em um contexto de variações mais moderadas em outros setores.
Alta acumulada preocupa
Apesar da elevação mensal, é no acumulado do ano que o impacto se torna mais evidente. Em 2026, a cesta básica em Vitória já acumula alta de 11,44%.
Entre os produtos, o tomate chama atenção com disparada de 118,74% no primeiro quadrimestre. A batata também registra forte aumento (33,59%), seguida pelo feijão preto (17,84%) e pelo leite integral (14,62%).
Outros itens, como arroz agulhinha (12,72%), farinha de trigo (2,37%), carne bovina de primeira (2,21%), pão francês (1,57%) e banana (0,72%), também tiveram alta no período.
Por outro lado, alguns produtos apresentaram queda, como óleo de soja (-8,84%), café em pó (-4,48%), açúcar cristal (-2,77%) e manteiga (-2,00%), ajudando a conter parcialmente a escalada dos preços.









