As exportações de café do Espírito Santo registraram forte crescimento em março de 2026, com alta de 62% em relação a fevereiro. Ao todo, foram embarcadas mais de 457,5 mil sacas, gerando uma receita cambial próxima de US$ 120 milhões — avanço de 57% no período.
O desempenho foi puxado principalmente pelo café conilon, que respondeu pela maior parte do volume exportado, com cerca de 325 mil sacas (+50%). O café arábica somou mais de 84 mil sacas, com crescimento expressivo de 88%, enquanto o café solúvel atingiu 48 mil sacas, com alta de 129%.
Em termos de receita, o conilon liderou com aproximadamente US$ 76 milhões (+38%), seguido pelo arábica, com US$ 32 milhões (+92%), e pelo solúvel, com cerca de US$ 11 milhões (+149%).
Na comparação com março de 2025, o avanço é ainda mais significativo. O volume total exportado cresceu 146%, com destaque para o arábica (+179%) e o conilon (+187%). O café solúvel também apresentou crescimento, embora mais moderado, de 13%.
Já a receita cambial aumentou 97% no período. O arábica teve alta de 156% e o conilon, de 108%, enquanto o solúvel registrou leve queda de 1%.
Resultado positivo no acumulado do ano
No acumulado de janeiro a março de 2026, o Espírito Santo exportou quase 942 mil sacas de café, um crescimento de 33% em relação ao mesmo período do ano passado.
O conilon novamente se destacou, com alta de 59% no volume exportado. O arábica apresentou leve retração de 1%, enquanto o solúvel recuou 21%.
A receita cambial no trimestre somou cerca de US$ 253 milhões, com crescimento de 16%. O conilon avançou 32% e o arábica, 5%, enquanto o solúvel teve queda de 33%.
Os dados mostram também uma forte oscilação recente do conilon, com pico de exportações em 2024 e retomada em 2026, enquanto arábica e solúvel mantêm trajetórias mais estáveis ao longo dos últimos anos.
Principais destinos do café capixaba
Até março de 2026, o café produzido no Espírito Santo teve como principais destinos:
- Colômbia: mais de 154,8 mil sacas (100% conilon)
- México: mais de 97,4 mil sacas (predominância de conilon)
- Reino Unido: mais de 88,5 mil sacas (maioria de conilon)
- Argentina: mais de 81,5 mil sacas (mix de produtos)
- Espanha: mais de 78 mil sacas (predominância de conilon)
- Indonésia: mais de 67 mil sacas (solúvel)
- Turquia: mais de 66 mil sacas (principalmente arábica)
- Bélgica: mais de 60 mil sacas (predominância de conilon)
- Itália: mais de 52,5 mil sacas (predominância de conilon)
- Alemanha: mais de 44 mil sacas (quase todo conilon)
Investimentos e projeções
O bom momento das exportações coincide com as comemorações dos 80 anos do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), oficialmente iniciadas no último dia 10 de abril, na capital capixaba. O evento reuniu representantes de toda a cadeia produtiva e marcou o lançamento de um calendário de ações que segue até abril de 2027, quando também se celebram os 300 anos da introdução do café no Brasil.
Entre as iniciativas previstas está a realização do Vitória Coffee Summit, que deve reunir lideranças do mercado global, incluindo representantes de grandes países produtores como Brasil, Vietnã e Colômbia.
Durante a cerimônia, foi firmado um acordo para ampliar o uso de gás natural na secagem de café, com investimento inicial estimado em R$ 1 milhão. A expectativa é melhorar a qualidade do produto e ampliar a competitividade no mercado internacional. Também estão previstas missões internacionais, com agendas na China e na Suíça, reforçando a estratégia de expansão do café capixaba no exterior.
Segundo o setor, apesar de desafios logísticos e estruturais, a cafeicultura segue em crescimento, impulsionada por inovação, sustentabilidade e pela entrada de novas gerações no mercado.









