O Espírito Santo apresenta uma das maiores proporções de dentistas por habitante quando comparado à média global. Atualmente, o estado conta com 8.463 cirurgiões-dentistas em atividade, o que representa uma densidade de 20,82 profissionais para cada 10 mil habitantes — cerca de seis vezes mais que a média mundial, estimada em aproximadamente 3,3 por 10 mil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.
As informações fazem parte de um levantamento do Connect Fecomércio-ES, ligado à Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo, com base em uma dissertação de mestrado desenvolvida por Antônio Lopes Júnior no programa de Ciências Odontológicas da Universidade Federal do Espírito Santo, sob orientação da professora Karina Tonini dos Santos Pacheco. O estudo utilizou dados de instituições como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, Conselho Federal de Odontologia, Ministério da Educação, Agência Nacional de Saúde Suplementar e do sistema e-Gestor da Atenção Primária.
De acordo com o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, o crescimento da odontologia no estado reflete transformações no mercado de trabalho e na estrutura da área da saúde.
“O Espírito Santo apresentou uma expansão consistente da força de trabalho odontológica nas últimas décadas. Hoje temos um volume de profissionais bastante elevado em relação ao tamanho da população, o que coloca o estado em posição de destaque nesse indicador”, afirma.
Crescimento acelerado
Entre 1960 e 2024, o número de dentistas no Espírito Santo cresceu a uma taxa média anual de 9,15%, ritmo superior ao registrado tanto na Região Sudeste quanto na média nacional. O avanço acompanha a ampliação da oferta de cursos de graduação e a entrada contínua de novos profissionais no mercado.
Outro aspecto destacado pela pesquisa é a mudança no perfil da categoria, cada vez mais feminino. Atualmente, 64,5% dos cirurgiões-dentistas em atividade no estado são mulheres, indicando uma transformação estrutural na composição da profissão ao longo dos últimos anos.
Profissão jovem
A força de trabalho também apresenta perfil relativamente jovem. A idade média dos dentistas capixabas é de 39 anos, e quase um terço dos profissionais está na faixa entre 21 e 30 anos. Metade deles tem menos de 36 anos.
Segundo Spalenza, esse cenário aponta para uma renovação constante da categoria. “Isso mostra que a odontologia no Espírito Santo é composta por uma base profissional numerosa e relativamente jovem, o que indica dinamismo no setor”, explica.
Concentração nas cidades maiores
Apesar do grande número de profissionais, a distribuição dos dentistas pelo território capixaba não é homogênea. A maior concentração está na Região Metropolitana da Grande Vitória, que reúne 5.572 profissionais.
Municípios como Vitória, Vila Velha e Serra concentram a maior parte dos cirurgiões-dentistas e da infraestrutura de atendimento odontológico, tanto na rede pública quanto na privada.
De acordo com Spalenza, essa concentração segue um padrão observado em outros segmentos da saúde. “Locais com maior renda, densidade populacional e melhor infraestrutura tendem a atrair mais profissionais e investimentos. Por outro lado, municípios menores ou mais afastados enfrentam dificuldades para reter dentistas”, afirma.
Mercado mais especializado
A pesquisa também aponta que o mercado odontológico capixaba tem se tornado cada vez mais especializado. Entre as áreas mais comuns de atuação estão ortodontia, implantodontia e endodontia, refletindo uma tendência de qualificação e diversificação dos serviços oferecidos.
Para os pesquisadores, o cenário revela um setor em expansão, mas também indica a necessidade de planejamento para equilibrar a distribuição dos profissionais e ampliar o acesso aos serviços de saúde bucal em todas as regiões do estado.









