A Páscoa de 2025 movimentou bilhões na economia brasileira e reafirmou a força do setor de chocolates, mas também escancarou mudanças importantes no comportamento de consumo. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, foram produzidos cerca de 45 milhões de ovos de Páscoa no país, dentro de um mercado que movimentou aproximadamente R$ 5,3 bilhões e envolveu mais de 100 milhões de consumidores.
Apesar da escala industrial, o cenário é de pressão em 2026: com a alta do cacau e dos insumos, os preços subiram, chegando a aumentos superiores a 20% em alguns casos e os ovos ficaram mais caros nas prateleiras. Nesse contexto, cresce o espaço para o artesanal, que passa a ser visto não apenas como alternativa mais afetiva, mas também como uma opção competitiva em preço, com mais chocolate, recheio e personalização: atributos cada vez mais valorizados pelo consumidor.
Na cozinha de casa, entre panelas, chocolate derretido e embalagens cuidadosamente escolhidas, a servidora pública Helen Gomes, moradora de Caratoíra, em Vitória, transforma a rotina intensa em uma oportunidade concreta de renda e realização pessoal. O que começou como uma alternativa para complementar o orçamento doméstico rapidamente ganhou proporção maior, ou seja, virou também uma forma de empreender com identidade, criatividade e propósito, especialmente em um período do ano em que o consumo é guiado pela emoção.
“A Páscoa é, sem dúvida, o período mais forte. Consigo ter um retorno muito interessante, que realmente ajuda no orçamento do mês e até em planejamentos maiores. Não vou dizer que é fácil, exige dedicação, organização e muitas horas de trabalho, mas compensa. E o melhor, é um dinheiro que vem de algo que eu faço com carinho”, conta Helen.
A história dela reflete um movimento crescente em diversas cidades brasileiras, mulheres que encontram na produção artesanal uma alternativa para enfrentar o aumento do custo de vida e, ao mesmo tempo, conquistar autonomia financeira. A alta expressiva nos preços dos ovos industrializados, somada à busca por presentes mais personalizados e com melhor custo-benefício, tem impulsionado esse mercado de forma consistente nos últimos anos.
Mais do que uma tendência passageira, trata-se de uma mudança no comportamento do consumidor. O que antes era uma compra automática, muitas vezes guiada por marcas conhecidas, hoje passa por critérios mais afetivos e racionais como sabor, qualidade dos ingredientes, possibilidade de personalização e até a história por trás de quem produz.
É nesse contexto que a cozinheira e confeiteira Ana Paula Quintaes de Oliveira, também moradora de Caratoíra, constrói sua trajetória. Há mais de uma década na área, ela viu o negócio nascer de forma simples e crescer com o reconhecimento dos próprios clientes. “Fiz um curso, comecei a produzir, os vizinhos amaram, foi um sucesso e, nunca mais parei. Hoje já são mais de 10 anos no ramo e eu amo o que faço”, relata.

Para Ana Paula, a produção artesanal representa mais do que uma renda extra: é um projeto de vida em expansão. “Essa renda ainda não é a única, mas estou trabalhando para isso. Em breve quero abrir meu negócio”, afirma. Mesmo diante de um cenário de custos elevados, ela mantém a prioridade na qualidade. “Esse ano os valores estão muito altos, e não sei como será essa Páscoa, mas não vou deixar de entregar qualidade para os meus clientes”.
Dentro de casa, a escolha pelo artesanal também é definitiva. “Não compro industrializados, só os artesanais”, diz, reforçando a confiança no próprio produto e no mercado que ajuda a fortalecer.
A chef de cozinha autônoma Danielli da Penha Sarmento Fraga, que mora em Santo Antônio, Vitória, compartilha de uma trajetória semelhante, mas com um olhar estratégico desde o início. Há nove anos dedicada à produção de ovos de Páscoa, ela enxergou cedo o potencial do segmento. “Já havia um custo elevado dos ovos, então pensei: por que não oferecer um chocolate de qualidade, bem recheado, que realmente valha a pena?”, relembra.
A decisão teve impacto direto na sua formação profissional. “Me ajudou a pagar parte do meu curso de gastronomia. Fez muita diferença financeiramente”, conta. Hoje, com experiência consolidada, Dani acompanha de perto a mudança no perfil dos consumidores. “Há uma procura maior pelos ovos artesanais, principalmente os de colher. As pessoas querem mais do que chocolate, querem uma experiência”, diz.

Entre os principais diferenciais, ela destaca a qualidade dos insumos e o cuidado no processo. “Uso chocolates selecionados, com maior teor de cacau, recheios frescos e combinações criativas que não se encontram facilmente nos industrializados. Além disso, existe todo um cuidado com acabamento e apresentação, o que torna o produto mais atrativo, inclusive como presente”.
A personalização também tem papel decisivo na escolha dos clientes. A possibilidade de adaptar sabores, montar combinações exclusivas e até pensar em detalhes específicos para quem vai receber transforma o produto em algo único e, muitas vezes, mais significativo do que opções padronizadas.
Apesar do crescimento da demanda, as empreendedoras enfrentam desafios importantes, principalmente relacionados aos custos de produção. Helen destaca que o planejamento é essencial para garantir a sustentabilidade do negócio. “Os custos dos materiais são sempre um desafio. Chocolate de qualidade, embalagens bonitas, recheios, e tudo isso pesa. O faturamento cobre sim os custos, mas é preciso saber comprar, calcular e precificar corretamente. Sem isso, não fecha a conta”.
Ela também aponta o impacto da inflação nos insumos. “Comparando com o ano passado, os preços subiram bastante, principalmente o chocolate. Mas eu faço questão de manter a qualidade. Prefiro ajustar a produção e manter o padrão, porque sei que isso fideliza o cliente”.
Esse cuidado constante com a evolução do produto e do atendimento é um dos pilares do sucesso no segmento artesanal. Ao longo dos anos, Helen aprimorou técnicas, testou receitas e passou a entender melhor o comportamento do seu público. O resultado é uma clientela cada vez mais fiel e engajada, que valoriza não apenas o produto final, mas todo o processo envolvido.
Em casa, essa valorização também é evidente. “Aqui é tudo artesanal. Minha família já virou fã. Quando a gente prova algo feito com cuidado, com ingrediente bom e pensado pra agradar, fica difícil voltar atrás”, afirma.
O crescimento do mercado de ovos artesanais mostra que, mesmo em um cenário econômico desafiador, há espaço para iniciativas que unem criatividade, planejamento e conexão emocional com o consumidor. Mais do que uma alternativa aos produtos industrializados, o artesanal se consolida como uma escolha consciente, que valoriza o trabalho local e entrega uma experiência diferenciada.
“Não é só um ovo de Páscoa”, resume Helen, encerrando com a simplicidade de quem entende o valor do que faz. “É um presente com intenção, com sabor de verdade e feito pra marcar momentos”, finaliza.
SERVIÇO:
Onde encontrar ovos artesanais que encantam pelo sabor e pelo carinho
🍫 Helen Gomes – @helengomesdoces_cakes
📞 (27) 98845-1266
🍫 Ana Paula Quintaes – @anaquintaes.cakes
📞 (27) 99951-8834
🍫 Dani Fraga – @sabores_da_danifraga
📞 (27) 99834-0387









