Em 2024, o Espírito Santo importou cerca de US$ 1,3 bilhão em aeronaves, entre aviões e helicópteros, segundo dados do sistema COMEXSTAT do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), consolidando-se como a principal porta de entrada do Brasil para esse tipo de mercadoria. O estado ficou à frente, por exemplo, de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso e Rio de Janeiro.
Entre janeiro e setembro deste ano 335 aeronaves foram importadas, superando todo ano passado – 303 unidades importadas em 2023, movimentando aproximadamente US$ 910 milhões.
O diretor do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado do Espírito Santo (Sindiex) e coordenador do Comitê Técnico de Aeronaves da entidade, Luiz Fernando Braga, aponta a recuperação econômica pós-pandemia, o aumento da demanda por aviação executiva no Brasil, em especial no segmento do agronegócio – pois esse tipo de veículo proporciona um transporte rápido e personalizado -, e melhorias nos processos de importação facilitados por políticas estaduais como cruciais para o aumento das importações de um ano para o outro.
Segundo Braga, o Espírito Santo oferece incentivos como reduções no ICMS para operações de importação, além de processos aduaneiros otimizados, o que tem atraído empresas do setor aeronáutico. Ele destaca que o estado está investindo em infraestrutura aeroportuária e melhorias logísticas para suportar o aumento do tráfego aéreo e facilitar operações mais eficientes.
“O Espírito Santo tem se consolidado como porta de entrada devido aos incentivos fiscais atraentes e infraestrutura adequada para esse formato de operação. O aeroporto de Vitória está preparado para fornecer uma operação rápida, sendo esse um fator primordial a este tipo de mercadoria em função dos altos custos envolvidos”, comenta.
Estrutura
De acordo com a Zurich Aiport Brasil, concessionária que administra o aeroporto de Vitória, o terminal aéreo capixaba implantou, há cerca de seis meses, uma série de processos que agilizam a nacionalização de aeronaves. Entre eles está o acompanhamento em tempo real com as operadoras que fazem o processo para que haja o controle de reservas e desocupação de posições não utilizadas.
“Outra ação é a movimentação inteligente de aeronaves, que são realocadas para disponibilizar mais posições no pátio. Além disso, o atendimento à demanda de reservas de nacionalização é levado em conta na programação de voos offshore e voos executivos”, informou a concessionária.
Benefícios
O valor de mercado de helicópteros importados, por exemplo, varia de US$ 1,5 milhão a US$ 15 milhões, dependendo do modelo. O diretor do Sindiex diz que grande parte dessas aeronaves que chegam ao Brasil pelo Espírito Santo é destinada a centros consumidores como São Paulo – principal destino devido a sua alta demanda por aviação executiva e comercial -, e menos de 10% permanece no estado. No entanto, ele afirma que esse fluxo financeiro beneficia a economia capixaba por meio da geração de empregos, aumento na arrecadação de tributos e fortalecimento do setor de serviços vinculados à aviação.
“O governo estadual, em colaboração com entidades e empresas do setor, tem investido para ampliar a infraestrutura aeroportuária, com planos de modernização do aeroporto de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do estado, buscando atender à crescente demanda do setor”, comenta Braga.
A combinação desses fatores confirma o Espírito Santo como um ponto estratégico para a aviação no Brasil, e as projeções para o setor indicam um potencial de crescimento sustentado, apoiado tanto por políticas estaduais quanto por investimentos na infraestrutura.
Valores em importação de aeronaves em 2024
Espírito Santo: US$ 1.293.739.500
Minas Gerais: US$ 128.743.653
São Paulo: US$ 104.415.425
Mato Grosso: US$ 88.766.542
Rio de Janeiro: US$ 73.771.603









