A economia do Espírito Santo cresceu 4% no primeiro semestre desde ano, comparado ao mesmo período ano anterior, e ficou acima da média nacional (3,7%). É o que mostra o Indicador de Atividade Econômica (IAE) da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).
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O cenário interno foi marcado pela desaceleração da inflação e aumento da geração de empregos e renda. A Indústria cresceu 2,8% e Serviços, incluindo o Comércio, 6,3%. Por outro lado, a atividade da Agropecuária apresentou expressiva queda de 12,1%. Os dados foram colhidos pelo Observatório da Indústria.
Para Cris Samorini, presidente da Findes, o Estado vem crescendo e o investidor privado está escolhendo o Espírito Santo como o local para implantar projetos. “Temos novas empresas chegando e algumas expandindo as suas plantas industriais”.
De acordo com a Bússola do Investimento da Findes, o Espírito Santo já tem quase R$ 42 bilhões em investimentos anunciados até 2027 (dados extraídos, no dia 11 de agosto de 2023). São mais de 320 projetos previstos.
O IBGE destaca que, no primeiro semestre do ano, a inflação ao consumidor (IPCA), acumulada em 12 meses, ficou em 3,16% e a taxa de desocupação no Brasil chegou a 8% no segundo trimestre, encerrado em junho, enquanto no Espírito Santo atingiu 6,4%.
Além disso, a taxa básica de juros, a Selic, foi reduzida no final de julho para 13,25% e a expectativa é que ela continue em trajetória de queda. Outros indicadores importantes para o crescimento do Espírito Santo e do Brasil também foram favoráveis.
“A economia do Espírito Santo e do Brasil precisam se manter nesta trajetória de resultados positivos, medidas de extrema importância precisam ser fortalecidas. Maior segurança jurídica, juros mais baixos e estabilidade econômica no país são indispensáveis para que o empresário tome a decisão de investir e o Brasil cresça. Outro ponto fundamental é aprovar a Reforma Tributária, de forma que ela traga simplicidade, transparência e isonomia para o sistema tributário brasileiro”, diz Cris.
Setores
Apesar do cenário interno favorável, o ambiente externo seguiu desafiador, em especial para a Indústria. As influencias negativas são altas nas taxas de juros, percepção de demora na flexibilização da política monetária e expectativa de baixo crescimento econômico mundial em 202. As positivas foram a normalização dos preços de energia e a redução dos gargalos nas cadeias de suprimento.
A economista-chefe da Findes e gerente executiva do Observatório da Industria da Federação, Marília Silva, explica que o desempenho positivo do setor de serviços foi influenciado pelas taxas positivas em todas as suas atividades: comércio (6,4%), transporte (4,0%) e demais atividades de serviços (6,6%).
“O mercado de trabalho favorável, a descompressão inflacionária, os programas governamentais de transferência de renda e a melhora das expectativas dos agentes econômicos ajudam a explicar essas taxas de crescimento”.
Motivado pelo crescimento de 13,8% da indústria extrativa, o avanço de 2,8% da Indústria capixaba também teve expansões da atividade de energia e saneamento (2,8%) e da construção (2,2%).
A única atividade industrial a recuar no primeiro semestre do ano foi a indústria de transformação (-10,2%), impactada pelas quedas em todas as atividades: fabricação de produtos de minerais não-metálicos (-19,5%), metalurgia (-10,2%), fabricação de celulose e papel (-5,3%), fabricação de produtos alimentícios (-1,5%) e fabricação de coque, de derivados do petróleo e de biocombustíveis (-0,9%).
No caso da indústria extrativa, o resultado positivo deve-se principalmente à atividade de pelotização do minério de ferro, que cresceu 21,5% no primeiro semestre do ano, e a produção de petróleo e gás natural, que aumentou em 6,9%.
“O setor extrativo é uma parte importante da economia do Estado. Em 2022, esse foi um segmento que apresentou resultados negativos (-18,7%). A indústria capixaba representa 27,4% da economia do Estado e a extrativa (commodities como petróleo, gás, minério) tem um peso de quase um terço desse valor”, comenta a gerente de Inteligência de Dados e Pesquisas do Observatório da Indústria, Suiani Febroni.
Já a Agropecuária retraiu de 12,1% devido às quedas tanto na Pecuária (-4,2%), quanto na Agricultura (-15%), sendo esta última influenciada, entre outros motivos, pela bienalidade negativa do café esperada para 2023.









