A sobrecarga de tarefas domésticas continua sendo o maior entrave ao empreendedorismo feminino. Segundo pesquisa realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), 69% das empreendedoras afirmam ser as principais responsáveis pelo cuidado da casa. O número cai para 31% quando se trata dos homens.
De acordo com a especialista de desenvolvimento de pessoas, lideranças e empreendedorismo feminino, Ana Paula França, por muito tempo a mulher foi posta a parte da sociedade, encapsula nas funções domésticas.
“É inegável que avançamos, mas o trabalho doméstico ainda hoje se apresenta como responsabilidade da mulher, o que acaba gerando uma dupla jornada exaustiva. É um modelo que onera a mulher para liberar o homem”.
Segundo a especialista, mulheres não foram criadas para empreender, para arriscar, serem financeiramente livres ou liderar negócios. “Estamos aprendendo. A educação vem mudando, mas ainda em passos lentos. De novo, fruto de uma estrutura social patriarcal”, destacou.
Apesar de inúmeras mudanças e desconstruções sobre o papel da mulher na sociedade, pesquisas apontam que a carga mental feminina chega a ser até 70% maior do que a dos homens e os dados refletem o cotidiano de muitas delas pelo mundo.
“Para buscar o filho na escola, ele precisa confirmar o horário com a mãe. Para fazer o almoço no domingo, ele precisa que a mulher faça as compras. Para guardar as roupas, ele precisa que a mulher as tenha lavado e por aí vai”, ressaltou.
Os números só evidenciam que os obstáculos das mulheres que querem empreender são muito maiores do que os enfrentados pelos homens e que tudo tem por base o modelo de sociedade atual.
“Não fomos criadas para empreender, para negociar, para liderar homens, nem sequer para questionar”, afirma a especialista
É válido destacar que tais dificuldades compõem um conjunto de fatores que são, muitas das vezes, enraizados no próprio público feminino e precisam ser quebradas. A especialista assegurou que, quando se trata da mulher em posições de liderança, os resultados são extremamente positivos.
De acordo com uma pesquisa mundial feita pela consultoria Mckinsey de 2022, posições de liderança ocupadas por elas chegam a gerar até 70% a mais de faturamento do que quando ocupadas por homens.
A “escolha” de empreender

Muitas mulheres acabam recorrendo ao próprio negócio por acreditar que estar no papel de própria chefe facilitaria a administração da dupla jornada entre trabalho e tarefas domésticas, uma realidade para muitas. No país, 7 milhões de empresas pertencem à mulheres.
Uma pesquisa produzida pela revista Crescer, de 2019, apontou que 94% das mulheres sentem dificuldade em conciliar a carreira com a maternidade e isso se deve a vários fatores, entre eles, a falta de flexibilidade de horários e pressão para que se prove a todo momento.
Salário
O IBGE divulgou que a diferença salarial entre gêneros no Brasil ainda é enorme e que Vitória é a quarta capital com maior diferença salarial entre homens e mulheres. “Talvez seja por isso que, no Espírito Santo, mulheres já estão à frente de 206 mil negócios, o que representa 33,5% dos CNPJs ativos do Estado”, disse Ana Paula.









