Suspeitos de aplicar golpes contra clientes de bancos são presos no ES; quatro idoso foram vítimas

Três suspeitos de integrarem uma quadrilha do Piauí especializada em aplicar golpes em clientes de banco foram presos. Eles instalavam dispositivos em caixas eletrônicos para reter cartões de crédito e débito e fizeram, até o momento, quatro vítimas no Espírito Santo, todas idosas, em dois dias.

As prisões aconteceram na tarde de quarta-feira (8), em Manguinhos, na Serra. Segundo o titular do 6º Distrito de Polícia de Vila Velha, Guilherme Eugênio, a quadrilhava atuava em vários estados do país.

No Espírito Santo, eles estiveram nos dias 3, 4, 5 e 6 de fevereiro, na região metropolitana. De acordo com o delegado, os três criminosos passaram a ultima segunda (6) em Linhares e desde terça (7) estavam na região metropolitana novamente, quando foram a Serra, Viana e Vila Velha. Quem caiu no golpe, nesses dias, devem procurar o 6º Distrito de Polícia de Vila Velha

As vítimas que registraram ocorrências tem 66, 72, 85 e 81 anos. Todas os crimes aconteceram na Praia da Costa, em Vila Velha, sendo dois em um supermercado e os demais em caixas eletrônicos.

O delegado explicou como esses criminosos conseguiram instalar dispositivos nos caixas eletrônicos. “Inicialmente, eles ocupavam todo o caixa, um simulando contato visual, outro simulava a formação de uma fila e, muitas vezes, o terceiro ocupava o caixa ao lado, impedindo que qualquer um visse a instalação do dispositivo. Assim que isso acontecia, eles se dispersavam e a a partir daí monitoravam vítimas”.

Os criminosos também fixavam, nos caixas eletrônicos, um adesivo falso, com número 0800 atribuído a instituições bancárias. Assim que o cartão de uma vítima fica retido, eles a orientavam a ligar para esse número, em busca de apoio.

“O criminoso de maior idade afirmava para as vitimas que também teve o cartão retido, que conseguiu resolver o problema e realizar as transações bancárias. Ele mesmo ligava e emprestava o telefone pra vítima pedir ajuda. Esse telefonema era direcionado a um call center falso, operado por outros criminosos que se passavam por gerentes de bancos.  Dessa forma, pouco a pouco eles conseguiam senhas das vítimas e informações”, disse o delegado.

Assim que as senhas eram informadas, os criminosos mandavam as vítimas se afastarem, pelo risco de bandidos na região, e informavam que um novo cartão seria enviado para a casa da pessoa, sem necessidade de outras providências. “Assim que a vítima saia do banco, eles retiravam o cartão da máquina e começavam a comprar e sacar com o cartão”.

Esse call center falso foi contratado pelos criminosos e fica em São Paulo. Segundo o delegado, o 0800 pode ser contrato por qualquer pessoa física ou jurídica. “Nesse caso, uma pessoa física contratou, ou pelo menos teve o nome vinculado a contratação”.

Eles também contrataram um serviço de venda de máquinas de cartão de crédito em nomes de laranjas, pra usar os cartões das vítimas em compras fraudulentas. Com isso, os pagamentos eram direcionados diretamente ao comprador do chamado “kit golpe”, com esses nomes de terceiros.

Segundo o delegado, as organizações criminosos estão “terceirizando” a realização de alguns serviços. “Existem organizações criminosas especializadas na prestação de determinados serviços necessários a prática de alguns crimes. Ou seja, há criminosos que não fazem vítimas diretamente, nem interagem, e sim vendem pra outros criminosos os objetos necessários para a prática dos crimes. Eles chamam isso de kit golpe”.

Isso porque os criminosos entenderam que “terceirizar” diminuiria as chances de serem investigados, mas a Lei brasileira, atenta a isso, fez com que a formação de organização criminosa seja crime autônomo, punido com pena ainda maior que a própria prática de furto.

Na quinta-feira (8), antes de serem presos, os criminosos passaram todo o dia tentando novas vítimas em Vitória e na Serra. Ficaram mais de uma hora em um supermercado, muito tempo em uma agência bancária, entraram em shoppings. “Quando eles entraram nos shoppings, os terminais eletrônicos pararam de funcionar e o único idoso que eles tentaram o golpe recusou ajuda porque desconfiou”, disse o delegado.

O delegado acredita na possibilidade de outras vítimas e pede o apoio a população para outras ocorrências do mesmo crime.

Os três presos vão responder por organização criminosa, furto mediante fraude e lavagem de dinheiro, já que usaram nomes de laranjas para dissimular o destino do dinheiro.

 

 

 

 

 

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