Até que ponto é ético privar um animal selvagem de sua autonomia para transformá-lo em atração turística? Essa é a reflexão central do livro “Por que prendemos os animais?”, escrito pela jornalista Carol Zerbato, uma das madrinhas do Santuário de Elefantes Brasil. A obra analisa os impactos ambientais da privação da liberdade e o declínio na qualidade de vida de espécies mantidas sob cárcere.
Apoiada em reflexões de pensadores e ambientalistas como Ailton Krenak, André Trigueiro e Donna Haraway, a publicação propõe uma perspectiva antiespecista, em que todas as formas de vida possuem valor intrínseco, sem que a espécie humana ocupe uma posição de superioridade.
“A realidade à qual os animais selvagens em cativeiro são submetidos só pode mudar com informação, educação e conscientização. Esse modelo só deixará de existir quando a sociedade parar de consumir e financiar esse tipo de entretenimento”, defende a escritora.
Trajetórias marcantes no Brasil e no mundo
Ao longo das páginas, a autora resgata histórias de animais cujas vidas foram impactadas diretamente pelo confinamento. Entre os episódios citados estão:
Tilikum (EUA): A famosa orca mantida em um parque temático norte-americano que viveu décadas em tanques reduzidos, morrendo de forma letárgica aos 35 anos — bem abaixo da expectativa de vida da espécie na natureza.
Moby Doll (Canadá): Uma das primeiras orcas capturadas para exibição pública em um aquário canadense, que sobreviveu por apenas três meses em cativeiro.
Chimpanzé Tião (Brasil): Famoso habitante do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro que chegou a ser simbolicamente lançado como candidato a prefeito da cidade nos anos 1980, vindo a falecer aos 33 anos em decorrência de complicações de saúde.
Elefanta Carla (Brasil): Animal mantido em zoológico enquanto aguardava transferência para um santuário, e que acabou rotulada de agressiva ao romper a cerca do recinto para buscar refúgio em um rio próximo.
Caso judicial inédito e direitos dos animais
Além do contexto histórico e comportamental, a obra aborda precedentes jurídicos que estão redefinindo as relações entre humanos e outras espécies. Um dos casos destacados é o da orangotango Sandra, nascida na Alemanha e levada a um zoológico na Argentina.
Após uma longa disputa judicial, a Justiça argentina reconheceu Sandra como uma “pessoa não humana”, garantindo a ela direitos fundamentais à saúde e à transferência para um ambiente adequado à sua espécie.
Especialista em Ciências Humanas e pós-graduanda em Cidadania Global pela PUC-RS, Carol Zerbato utiliza esses relatos para propor um diálogo sobre empatia, consumo e responsabilidade coletiva na preservação do meio ambiente.
Ficha Técnica
Título: Por que prendemos os animais?
Autora: Carol Zerbato
Gênero: Ensaio / Meio Ambiente e Comportamento
Temática: Direitos animais, ética ambiental e cativeiro










