A neurociência ajuda a compreender as emoções e o comportamento humano, mas não explica sozinha o que leva uma pessoa a agir de determinada maneira. A avaliação é da psicóloga Maria Rita Sales, que abordou o tema no quadro Escolhas, Decisões e Emoções, da Rádio ES Hoje.
Segundo a especialista, conhecer o funcionamento do cérebro pode ajudar a cuidar da saúde emocional no dia a dia. Um exemplo é a irritação após uma noite mal dormida, situação que mostra como fatores biológicos podem influenciar o comportamento.
Maria Rita definiu a neurociência como “o estudo do sistema nervoso, do cérebro e dos processos que participam da nossa atenção, memória, aprendizagem, emoções, tomada de decisão e comportamento”.
A psicóloga citou uma revisão publicada em 2025 que aponta que o estresse prolongado pode provocar alterações no córtex pré-frontal, região do cérebro relacionada ao planejamento, à atenção e ao controle das emoções. Ela ressaltou, porém, que isso não significa que o estresse destrói o cérebro, mas que a exposição prolongada precisa ser levada a sério.
Outro ponto abordado foi a tentativa de realizar várias tarefas ao mesmo tempo. “Nosso cérebro não dá conta”, afirmou. Ela mencionou uma revisão de 2026, baseada em 123 estudos, segundo a qual a multitarefa no trabalho pode produzir efeitos cognitivos, emocionais, comportamentais, fisiológicos e sociais.
Para profissionais que cuidam de outras pessoas, como psicólogos, médicos, enfermeiros e professores, Maria Rita alertou que o cansaço pode comprometer a atenção e a capacidade de escuta, mesmo quando as tarefas continuam sendo realizadas.
A especialista também chamou a atenção para os chamados neuromitos, explicações que parecem científicas, mas simplificam ou distorcem as evidências. Segundo ela, essas ideias costumam recorrer a termos como cérebro, neurônio, hemisfério e neuroplasticidade para dar credibilidade a afirmações sem sustentação científica suficiente.
Um exemplo é a crença de que cada pessoa aprende melhor por um único estilo, como o visual, o auditivo ou o sinestésico.
Entre as orientações para o cotidiano, a psicóloga recomendou dormir e se recuperar adequadamente, reduzir interrupções desnecessárias, reservar períodos para a concentração, reconhecer sinais de estresse prolongado e fazer pausas.
“A neurociência pode iluminar, sim, a nossa prática. Ela não deve reduzir o ser humano a uma explicação biológica”, concluiu.
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