Pais dependentes dos filhos: onde está o limite?

Pais dependentes dos filhos: o outro lado da relação de cuidado familiar também merece atenção, segundo a psicóloga Maria Rita Sales. No quadro Escolhas, Decisões e Emoções, da Rádio ES Hoje, ela explicou a diferença entre precisar de ajuda pontual e transferir permanentemente as próprias responsabilidades para os filhos.

O tema foi abordado depois que o quadro já havia tratado da dependência de filhos adultos em relação aos pais, desta vez voltando o olhar para o outro lado da relação familiar.

“Todos nós, em algum momento, precisaremos de ajuda. Uma doença, uma perda financeira importante, uma limitação física, um avião ou uma mudança inesperada podem exigir apoio da família”, explicou. No entanto, a doutora afirma que isso não deve virar uma dependência.

Pais dependentes dos filhos: onde está o limite?
Dra Maria Rita Sales

Segundo Maria Rita, a dependência pode surgir por diferentes motivos, entre eles a falta de planejamento financeiro e a perda de confiança na própria capacidade e questões emocionais relacionadas à solidão. Ela também alerta para situações em que tarefas que ainda poderiam ser realizadas pelos pais passam progressivamente para os filhos.

“Quando uma pessoa deixa repetidamente que o outro resolva aquilo que ela própria poderia resolver, o comportamento mais fácil pode se tornar o comportamento preferencial. E a percepção de competência pode diminuir”, afirmou.

A psicóloga destacou ainda que a relação entre pais e filhos deve envolver cuidado e reciprocidade, mas não necessariamente uma dependência permanente. Para quem está entre 40 e 59 anos, ela recomenda avaliar antecipadamente aspectos como finanças, saúde, documentos, moradia, rede social e capacidade profissional.

“Talvez uma das maiores responsabilidades da adultez seja preparar-se para receber ajuda sem transformar quem nos ama em responsável pela nossa existência”, disse.

Para a especialista, preservar a autonomia também pode ser uma forma de cuidado com os filhos. “Envelhecer não significa deixar de precisar das pessoas. Significa aprender a distinguir entre vínculo e independência, entre ajuda e substituição, entre ser cuidado e entregar ao outro a responsabilidade pela nossa própria vida.”

Ouça a reflexão completa:

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