Por que um funcionário que entrega bons resultados decide sair? A resposta pode ir além do salário. Falta de oportunidades para crescer, pouco acompanhamento da liderança e treinamentos sem relação com o trabalho diário são fatores que podem pesar na decisão, segundo Douglas Domingues, CEO da DomEduc Educação Corporativa e especialista em gestão de relacionamento com clientes.
Dados da Gallup ajudam a dimensionar o papel das empresas nessa escolha. Em uma pesquisa com trabalhadores que deixaram voluntariamente seus empregos, 42% disseram que o gestor ou a organização poderia ter feito algo para evitar a saída. O levantamento não trata especificamente de profissionais brasileiros. No Brasil, outra pesquisa da Gallup aponta que 32% dos empregados se consideram engajados no trabalho.
Para Domingues, as empresas podem rever cinco práticas:
1. Oferecer treinamentos isolados
Uma palestra ou um curso pontual pode ter pouco efeito quando o funcionário não encontra espaço para aplicar o que aprendeu. O especialista defende que o desenvolvimento seja acompanhado ao longo do tempo, com oportunidades de praticar novas habilidades.
2. Promover líderes sem prepará-los para gerir pessoas
Ter experiência técnica não significa saber dar retorno à equipe, conversar sobre carreira ou identificar dificuldades antes que se transformem em um pedido de demissão. Na pesquisa da Gallup, menos de três em cada dez trabalhadores que conversaram com seus gestores antes de sair relataram ter discutido o futuro da carreira na empresa.
3. Deixar a equipe sem atualização
Com a adoção de novas tecnologias, profissionais podem buscar outras oportunidades quando sentem que não estão desenvolvendo habilidades necessárias à própria área. Para Domingues, cabe às empresas avaliar quais ferramentas fazem sentido para o negócio e preparar as equipes para usá-las.
4. Aplicar o mesmo treinamento para todos
Conteúdos genéricos podem deixar de atender às dificuldades reais de cada função. A recomendação do especialista é partir dos problemas enfrentados pela equipe e adaptar a formação à rotina de trabalho.
5. Não avaliar o que mudou
Depois de um treinamento, é preciso verificar se os participantes conseguiram aplicar o conteúdo e se houve melhora nos processos. Sem esse acompanhamento, afirma Domingues, a empresa não sabe se o investimento resolveu o problema que motivou a formação.
Para o especialista, ouvir os funcionários e discutir suas perspectivas de crescimento são medidas tão relevantes quanto oferecer cursos. A decisão de pedir demissão pode ter várias causas, mas parte delas pode ser identificada antes da saída.










