Quando ajudar os filhos adultos deixa de ser saudável?

Morar com os pais ou receber ajuda financeira na vida adulta não significa, necessariamente, falta de maturidade. A avaliação é da psicóloga Maria Rita Sales, que falou sobre o assunto em entrevista ao quadro “Escolhas, Decisões e Emoções”, da Rádio ES Hoje.

Segundo a psicóloga, situações como desemprego, separações, doenças e mudanças profissionais podem fazer com que um adulto precise novamente do apoio da família. O problema, de acordo com ela, aparece quando uma ajuda que deveria ser temporária se transforma em uma forma permanente de vida.

“É diferente dizer: estou passando por uma dificuldade e minha família está me ajudando enquanto me reorganizo. E dizer, mesmo que silenciosamente: minha vida só funciona porque alguém continuará resolvendo aquilo que eu não assumo”, afirmou Maria Rita.

A dependência, porém, não se limita às questões financeiras. Um adulto pode ter independência econômica e, ainda assim, depender emocionalmente dos pais para tomar decisões, buscar aprovação ou resolver problemas do cotidiano.

Nesse contexto, Maria Rita destacou a importância da autonomia psicológica e da responsabilidade pelas próprias escolhas.

“Não significa viver sozinho. Não significa nunca pedir ajuda. Não significa romper com a família. Significa compreender que, na vida adulta, aquilo que escolhemos produz consequências que também precisamos aprender a sustentar”, explicou.

Papel dos pais

A psicóloga também abordou o papel dos pais na construção da autonomia dos filhos. Para ela, oferecer apoio não significa necessariamente retirar todos os obstáculos do caminho, mas ajudar o adulto a desenvolver condições para enfrentar as próprias dificuldades.

“Às vezes, amor significa permanecer por perto enquanto o outro aprende a atravessar a dificuldade”, disse.

A construção da autonomia, segundo a profissional, não precisa significar o rompimento dos vínculos familiares. O cuidado pode continuar existindo, mas precisa acompanhar o amadurecimento e a capacidade de cada pessoa assumir gradualmente a própria vida.

“Eu continuo ao seu lado, mas a sua vida precisa progressivamente estar nas suas mãos”, afirmou.

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