A paternidade ativa tem transformado a dinâmica das famílias brasileiras e traz benefícios para pais, mães e, principalmente, para o desenvolvimento emocional das crianças. Em entrevista à Rádio ES Hoje, a psicóloga clínica e especialista em família Kelly Tristão destacou que o modelo de pai apenas provedor vem sendo substituído por uma participação mais afetiva e presente na criação dos filhos.
Segundo ela, essa mudança ganhou força nas últimas décadas e representa uma ruptura com padrões familiares tradicionais.
“Quando a gente fala da paternidade ativa, é uma quebra total com esse modelo. Ela se caracteriza por uma palavrinha que é corresponsabilidade. O pai ativo passa a integrar tanto esse cuidado físico, mas principalmente uma intimidade emocional, uma proximidade emocional”, afirmou.
Para a psicóloga, essa transformação acompanha mudanças sociais, como a maior participação das mulheres no mercado de trabalho e uma divisão mais equilibrada das responsabilidades dentro de casa.
“Ele deixa de ser esse ajudante da mãe, ou o que traz o dinheiro, e passa a ser um protagonista mesmo da criação do filho”, ressaltou.
Benefícios para toda a família
De acordo com Kelly, a participação ativa do pai reduz a sobrecarga materna, fortalece os vínculos familiares e permite que os homens desenvolvam uma relação mais saudável com as próprias emoções.
“O seu filho não precisa de um super-herói intocável, que nunca erra. Ele precisa de um ser humano real, que não tenha medo de mostrar as emoções, de dizer ‘eu te amo’, de pedir desculpas e de brincar. O seu afeto hoje é o principal escudo e amparo emocional que vai proteger o seu filho para o resto da vida dele.”
A especialista destaca que a presença emocional do pai desempenha um papel fundamental na construção da autoestima, da segurança e da identidade das crianças. Segundo ela, a convivência ativa favorece o desenvolvimento da confiança e da autonomia, além de contribuir para relações interpessoais mais saudáveis ao longo da vida.
Kelly também afirma que esse vínculo ajuda a reduzir a necessidade excessiva de aprovação externa e pode prevenir problemas relacionados à autoestima durante o crescimento e na vida adulta.
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