Começar é de muitos. Perseverar, de poucos. Essa reflexão explica bem a disposição das almas quando atingidas por uma grande ideia ou por uma grande paixão. Todas se levantam de chofre e põem-se a andar rapidamente no sentido do encontro entre o desejo e a realização, como se fosse fácil. Como se fosse breve.
E como se fosse necessário um único e isolado ânimo.
Entre o primeiro fôlego e o descanso, quantos tombos. Meu Deus! Quantas quedas. Não raro esquecemos até as razões daquela paixão inicial, se é que possível encontrar alguma razão nas paixões. É possível até duvidar das escolhas, dos projetos de Ano Novo e das juras tocadas ao pé do ouvido, seja porque não somos mais a mesma pessoa do começo, seja porque tropeçamos tantos que tudo parece não fazer muito sentido nesse caminho inclinado.
É preciso cuidado ao iniciar um trajeto. A opção por uma ideia deve ser considerada com gravidade, imaginando se o objetivo almejado vale mesmo tanta energia. Escolher mal significa decepção. Conosco, se fracassarmos. Com a vida, se o alcançarmos. Quando o erro está na partida, todo destino é condenado para sempre. E isso acontece no mesmo dia, do nascer ao pôr do sol, de modo que o anoitecer representa a conclusão do ciclo único e irrepetível que precisa ser muito bem pensado.
Os dias são longos. Os anos são curtos.
É um paradoxo mesmo. Um retrato do cotidiano intenso para uma vida muito curta. Por isso os recomeços são tão importantes, quando reavivamos aquelas aspirações das origens e quando é possível divisar se, de fato, estamos no caminho certo, rumo ao destino certo e ladeado por quem queremos.
Recomeçar, então, é um bom hábito impulsionado pela perseverança diante das inúmeras quedas ao longo de um único dia, talvez com mais humildade, inclusive. Um segundo de descanso e pronto: por-se a andar novamente. Com mais ordem e mais certeza. O ano que começa é só um convite para começar novos e objetivos projetos e – mais importante – para retomar aqueles planos muito valiosos que ficaram esquecidos no coração de quem já fomos.
Recomeçar é heroico. Até breve!









