Outro dia, vi um homem atravessar a rua sem levantar os olhos do celular. Não falo de um adolescente distraído, mas de um adulto, aparentemente um homem de negócios, provavelmente respondendo uma mensagem importantíssima. Os carros pararam, a vida seguiu, e ele nem notou que por pouco não virou estatística. Senti vontade de perguntar: pra onde você está indo com tanta pressa? Mas me dei conta de que ele não teria tempo para responder.
Eis o ponto, meus amigos!
Vivemos na era da produtividade, onde ser ocupado se tornou um símbolo de status e poder. Se alguém diz que teve um dia tranquilo, logo se suspeita de preguiça. “Nossa, você não fez nada hoje?”, perguntam com uma mistura de espanto e reprovação. Como se o ócio fosse um pecado, como se parar fosse perder a corrida – mas qual corrida, afinal?
Os aplicativos de organização pessoal vendem a ilusão de que a vida pode ser controlada em checklists. Acorde às 5h da manhã, tome um café sem açúcar, corra 10km, leia um livro de autoajuda e depois trabalhe 12 horas ininterruptas. Se sobrar um tempo, faça networking. E se, ao final do dia, restar um vácuo existencial, não se preocupe: há um curso online sobre como ser ainda mais produtivo amanhã.
No restaurante, as mesas são ocupadas por pessoas que dividem espaço, mas não olhares. Cada um mergulhado em uma tela, digitando, respondendo mensagens, administrando crises que talvez nem existam. Nas salas de espera, ninguém espera mais – tudo é tempo útil, preenchido por notificações e atualizações que não podem aguardar.
Mas conversas, até mesmo aquelas entre amigos íntimos, faz-se aquelas conversas “pavonisticas” sobre a quantidade de coisas a fazer, sobre a recheada conta corrente, e por aí vai. Eu me pergunto, eu lá sou gestora de tempo ou contadora para querer saber dessa rotina enfadonha de coisas a fazer e dinheiro à ganhar?
A ironia é que, nessa ânsia de ocupar cada minuto, nos tornamos vazios. Quantos diálogos foram trocados por áudios apressados? Quantas risadas perderam para reuniões que poderiam ter sido um e-mail? Quantos pores do sol foram ignorados porque alguém precisava “aproveitar o tempo” dentro de um escritório?
E então, quando o corpo pede pausa, surge a culpa. “Descansar é improdutivo”, dizem os coachs de internet. Mas o que poderia ser mais produtivo do que viver? Do que sentir o vento no rosto sem calcular quantos passos faltam para bater a meta do dia?
Outro dia, enquanto esperava meu café, notei uma senhora sentada sozinha, sem celular, sem relógio, apenas observando a rua. Em seu olhar, havia uma serenidade estranha para os tempos de hoje. Parecia alheia à correria ao redor. Por um instante, senti inveja.
Talvez a verdadeira produtividade esteja nisso: aprender a perder tempo de vez em quando.










Quando cheguei aqui no ES conheci uma família onde era muito comum ouvir da boca de alguns deles a seguinte expressão: “enquanto eu descanso eu carrego pedra”. Isso me incomodava muito. Dava a impressão de que pessoas comuns só possuíam dignidade e valor moral se elas tivessem sendo produtivas o tempo todo. Descansar após uma tarefa denotava preguiça. O tempo vago seria apropriado apenas para quem possui conforto financeiro, pois a vida deles já estaria ajustada. Aqui na livraria, observo as pessoas dizendo que não tem tempo para realizar todas as tarefas do dia a dia. Daí Moema, lendo o seu artigo, fico me perguntando: será que essas pessoas não estariam dedicando tempo demais para as redes sociais? Que tipo de realização ou reconhecimento elas buscam no ambiente virtual? E a vida vivida como fica? Creio que muitas pessoas desistiram do futuro. O ambiente virtual talvez seja um lenitivo que as faça esquecer suas agonias.
Seu artigo Moema, coaduna a visão do Domenico de Masi sobre o Ócio Criativo, Dizem os marxista que tudo faz parte da superestrutura social capitalsta, ou neocapitalista… Por isso que canções bucólicas nos transportam no tempo de “uma casinha de sapê, ou “ando devagar por que já tive pressa”… Em minha filosofia pessoal percebi que o proposito faz toda a diferença, ao ter um propósito, o caminho se torna leve e gostoso de seguir. Saudações Linharenses. (Comentado por Jornalista Jordano Cerqueira. Cerqueira@advogado.jor.br)
Seu artigo Moema, coaduna a visão do Domenico de Masi sobre o Ócio Criativo, Dizem os marxista que tudo faz parte da superestrutura social capitalsta, ou neocapitalista… Por isso que canções bucólicas nos transportam no tempo de “uma casinha de sapê, ou “ando devagar por que já tive pressa”… Em minha filosofia pessoal percebi que o proposito faz toda a diferença, ao ter um propósito, o caminho se torna leve e gostoso de seguir. Saudações Linharenses