Luiz Paulo Vellozo Lucas
Luiz Paulo Vellozo Lucas
Luiz Paulo Vellozo Lucas - engenheiro de produção pela UFRJ com cursos de pós graduação em finanças (Arthur Andersen), desenvolvimento econômico(BNDES) e economia industrial (IE-UFRJ), mestrado em Engenharia e Desenvolvimento Sustentável pela UFES. Foi funcionário de carreira concursado do BNDES onde ingressou em 1980, aposentando-se em agosto de 2016. Foi prefeito de Vitória por dois mandatos consecutivos (1997-2000 e 2000-2004), deputado federal pelo Espírito Santo e foi diretor Presidente do BANDES, Banco de Desenvolvimento do Espirito Santo entre 2015 e 2016 e do IJSN-Instituto Jones dos Santos Neves entre 2019 e 2020. Luiz Paulo escreve quinzenalmente, sempre às sextas-feiras.
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Oportunidade para mudar

Participo ativamente de eleições no Brasil desde 1974. Nestes mais de 50 anos fiz muita campanha, comícios-relâmpago em ônibus, panfletagens, comícios, boca de urna, colei cartaz e até fiz pichações. Milhares de horas de reunião, planos, manifestos, textos, propagandas, programas de radio e televisão. Vinte anos depois, em 1994, disputei minha primeira eleição empolgado com o Plano Real e com a perspectiva de ter Fernando Henrique Cardoso na presidência da república. Meu slogan de campanha para deputado federal pelo PSDB-ES era: “É tempo de qualidade na política.”

Relembrando meio século de politica é muito interessante observar como cada uma destas eleições mudaram o país de alguma maneira. Apuradas as urnas, o país amanhece diferente. A correlação de forcas se altera com a vitória de alguns e a derrota de outros. Teses e ciclos se abrem e se fecham. Nas eleições de 1974 a ditadura foi derrotada junto com o voto nulo e o charme equivocado da luta armada, já vencida militarmente pelo regime. Dez anos depois o Brasil elegeria Tancredo Neves em eleições indiretas, pondo fim à ditadura militar.

As eleições diretas de 1989 derrotaram Ulisses Guimarães, Leonel Brizola e até Mario Covas que representava um caminho moderno e reformista muito mais sensato com seu choque de capitalismo social democrata do que o vitorioso Collor de Mello. A ascensão meteórica de Collor fortalece o ideário liberal e a agenda de reformas do estado brasileiro, desenhado para a substituição de importações desde o fim da segunda guerra.

A vitória de Lula em 2002, com suas promessas de moderação e continuidade da “Carta aos brasileiros” confirmadas em sua primeira equipe econômica e nas medidas iniciais de reconquista da confiança dos mercados na estabilidade macroeconômica do Brasil duramente conquistada, parecia apontar para um futuro de progresso e o fim da demagogia em matérias fundamentais para a Republica. Ao contrário, a opção pela construção de base congressual para o governo petista, pela via mercenária exposta com o escândalo do mensalão no Lula 1, inaugura um caminho muito diferente de populismo exacerbado, extremismo e retrocesso.  Um ciclo de vinte quatro anos de crise política e institucional que enfraqueceu paulatinamente a confiança no futuro do Brasil e que pode ou não ser interrompido e se encerrar nas próximas eleições presidenciais.

O vale tudo da cooptação e uso pesado da máquina pública domina o processo eleitoral em todos os níveis. Demagogia e marquetagem digital no atacado e no varejo dificultam e ofuscam o debate sobre o interesse público apequenando o capital cívico do país. O que está em jogo em 2026 não é direita versus esquerda. É a qualidade da política, a confiança na democracia e a valorização do voto.

As eleições proporcionais para deputado estadual e federal serão realizadas em ambiente dominado pela força da manipulação eleitoral de transferências voluntárias de recursos, sufocante demagogia governamental e festival de emendas orçamentárias. Celebridades e surfistas ideológicos envolvidos em guerras culturais no ambiente digital disputarão a atenção e o voto em nominatas dos partidos políticos de todos os lados. Mudar o sistema proporcional para distrital misto é uma proposta que merece ser discutida com seriedade. Com o voto distrital misto o voto é majoritário nos distritos para metade dos eleitos onde vale a forca eleitoral individual dos candidatos apresentados por cada partido. Para a outra metade vale o prestigio das listas pré ordenadas apresentadas pelos partidos. Espero que 2026 seja a ultima eleição proporcional.

As eleições majoritárias no nível regional para governador e senador testarão simultaneamente, o prestígio eleitoral dos incumbentes estaduais e as candidaturas emergentes vinculadas ou não aos polos radicalizados do PT e do bolsonarismo raiz remanescente na sociedade. Frentes heterogêneas terão dificuldades de se formar em função da verticalização extra oficial dos palanques nacional e estadual e as dificuldades na formação de chapas competitivas em disputas pelos, assim chamados, “puxadores de voto”.

Para a presidência da república vamos verificar se o favoritismo do projeto Lula 4 se confirma e se as contradições do bolsonarismo impedirão ou não que se configure um projeto eleitoral democrático, moderno, amplo e competitivo capaz de apontar o rumo do Brasil pós PT e vencer a disputa.

Luiz Paulo Vellozo Lucas
Luiz Paulo Vellozo Lucas
Luiz Paulo Vellozo Lucas - engenheiro de produção pela UFRJ com cursos de pós graduação em finanças (Arthur Andersen), desenvolvimento econômico(BNDES) e economia industrial (IE-UFRJ), mestrado em Engenharia e Desenvolvimento Sustentável pela UFES. Foi funcionário de carreira concursado do BNDES onde ingressou em 1980, aposentando-se em agosto de 2016. Foi prefeito de Vitória por dois mandatos consecutivos (1997-2000 e 2000-2004), deputado federal pelo Espírito Santo e foi diretor Presidente do BANDES, Banco de Desenvolvimento do Espirito Santo entre 2015 e 2016 e do IJSN-Instituto Jones dos Santos Neves entre 2019 e 2020. Luiz Paulo escreve quinzenalmente, sempre às sextas-feiras.

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