Os últimos dias foram marcados por mais um capítulo da rivalidade política entre Brasil e Argentina. Durante sua visita ao Brasil, o presidente argentino Javier Milei fez declarações que desagradaram o governo brasileiro e o presidente Lula. Houve reações diplomáticas e ressurgiram acusações mútuas de interferência nas eleições um do outro.
Mas deixemos a política um pouco de lado.
Como apaixonado por estatísticas e futebol, resolvi fazer uma brincadeira: colocar Brasil e Argentina em campo e comparar alguns indicadores. Uns bem sérios, outros nem tanto. Afinal, rivalidade também pode ser motivo para bom humor. Vamos ao jogo.
O Brasil abre o placar com seus 8,5 milhões de km² contra 2,8 milhões da Argentina. Brasil 1 x 0. Na população, somos cerca de 213 milhões de habitantes contra 46 milhões. Brasil 2 x 0.
Na economia, nosso PIB gira em torno de US$ 2,3 trilhões, enquanto o argentino está na faixa de US$ 680 bilhões. Brasil 3 x 0. Eles diminuem a diferença na renda per capita. Brasil 3 x 1. Mas o Brasil amplia novamente graças às reservas internacionais muito maiores e à inflação bem menor. Brasil 5 x 1.
Veio o segundo tempo, e a Argentina cresceu no jogo.
No IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, eles marcam um gol. No Índice de Gini, que mede a desigualdade de renda, fazem outro. A expectativa de vida é maior e a mortalidade infantil menor. Empate: 5 x 5.
Na educação, a taxa de alfabetização e a escolaridade média também são superiores. Virada: Argentina 7 x 5. E eles ainda ampliam com cinco Prêmios Nobel e o fato de já terem tido um papa. Argentina 9 x 5.
Até aqui, a brincadeira revela algo interessante. Nos indicadores mais objetivos, ligados ao tamanho do país e à força de sua economia, o Brasil leva vantagem. Já a Argentina costuma apresentar indicadores sociais superiores, como IDH, menor desigualdade de renda, maior expectativa de vida e melhor desempenho educacional. Em outras palavras, o Brasil ganha nos indicadores de escala e dimensão; a Argentina vence em vários indicadores de qualidade de vida.
Mas, como bom brasileiro, confesso que daqui para frente vou começar a forçar um pouco a barra para ajudar o Brasil.
No futebol, temos cinco Copas do Mundo, Pelé é o Rei do Futebol, os títulos mundiais de Fórmula 1 com Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna, além do maior carnaval do planeta. Empate: 9 x 9.
Vamos para a prorrogação. A Argentina marca mais um ponto por ser o maior consumidor de vinho per capita. Argentina 10 x 9. O Brasil responde imediatamente com a maior floresta tropical do planeta. Brasil 10 x 10.
A partir daí, tudo virou empate: quem discute mais futebol, quem reclama mais do governo, quem tem mais orgulho do próprio país, quem faz melhor churrasco e quem faz mais brincadeiras com o vizinho.
O juiz olha para o relógio e encerra a partida.
Placar final: Brasil 15 x 15 Argentina.
No fim das contas, Brasil e Argentina parecem dois irmãos. Passam boa parte do tempo discutindo para descobrir quem é melhor. Brigam por futebol, política, economia, churrasco e vinho.
Mas basta olhar o mapa para perceber que continuaremos vizinhos pelos próximos séculos. Vizinhos inteligentes competem nos esportes, defendem suas ideias, mas cooperam quando isso interessa aos dois lados.
A rivalidade faz parte da nossa história. A parceria deveria fazer parte do nosso futuro.
Afinal, somos as duas maiores economias da América do Sul. E, gostemos ou não, continuaremos sendo, antes de tudo, “hermanos”.









