Lucas Izoton
Lucas Izoton
Lucas Izoton é engenheiro e empreendedor com especializações no Brasil e no exterior. Atua nos setores de moda, hotelaria e empreendimentos imobiliários. Fundador da marca COBRA D’AGUA, foi presidente da FINDES e vice-presidente da CNI. É autor de 12 livros, com mais de mil palestras realizadas no Brasil e no exterior. Instrutor do Empretec (ONU/SEBRAE). Como dirigente empresarial, representou o Brasil em eventos internacionais. É presidente da Escola de Associativismo. Avô de Davi e Elisa.
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Brasil versus Argentina: qual é o placar?

Os últimos dias foram marcados por mais um capítulo da rivalidade política entre Brasil e Argentina. Durante sua visita ao Brasil, o presidente argentino Javier Milei fez declarações que desagradaram o governo brasileiro e o presidente Lula. Houve reações diplomáticas e ressurgiram acusações mútuas de interferência nas eleições um do outro.

Mas deixemos a política um pouco de lado.

Como apaixonado por estatísticas e futebol, resolvi fazer uma brincadeira: colocar Brasil e Argentina em campo e comparar alguns indicadores. Uns bem sérios, outros nem tanto. Afinal, rivalidade também pode ser motivo para bom humor. Vamos ao jogo.

O Brasil abre o placar com seus 8,5 milhões de km² contra 2,8 milhões da Argentina. Brasil 1 x 0. Na população, somos cerca de 213 milhões de habitantes contra 46 milhões. Brasil 2 x 0.

Na economia, nosso PIB gira em torno de US$ 2,3 trilhões, enquanto o argentino está na faixa de US$ 680 bilhões. Brasil 3 x 0. Eles diminuem a diferença na renda per capita. Brasil 3 x 1. Mas o Brasil amplia novamente graças às reservas internacionais muito maiores e à inflação bem menor. Brasil 5 x 1.

Veio o segundo tempo, e a Argentina cresceu no jogo.

No IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, eles marcam um gol. No Índice de Gini, que mede a desigualdade de renda, fazem outro. A expectativa de vida é maior e a mortalidade infantil menor. Empate: 5 x 5.

Na educação, a taxa de alfabetização e a escolaridade média também são superiores. Virada: Argentina 7 x 5. E eles ainda ampliam com cinco Prêmios Nobel e o fato de já terem tido um papa. Argentina 9 x 5.

Até aqui, a brincadeira revela algo interessante. Nos indicadores mais objetivos, ligados ao tamanho do país e à força de sua economia, o Brasil leva vantagem. Já a Argentina costuma apresentar indicadores sociais superiores, como IDH, menor desigualdade de renda, maior expectativa de vida e melhor desempenho educacional. Em outras palavras, o Brasil ganha nos indicadores de escala e dimensão; a Argentina vence em vários indicadores de qualidade de vida.

Mas, como bom brasileiro, confesso que daqui para frente vou começar a forçar um pouco a barra para ajudar o Brasil.

No futebol, temos cinco Copas do Mundo, Pelé é o Rei do Futebol, os títulos mundiais de Fórmula 1 com Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna, além do maior carnaval do planeta. Empate: 9 x 9.

Vamos para a prorrogação. A Argentina marca mais um ponto por ser o maior consumidor de vinho per capita. Argentina 10 x 9. O Brasil responde imediatamente com a maior floresta tropical do planeta. Brasil 10 x 10.

A partir daí, tudo virou empate: quem discute mais futebol, quem reclama mais do governo, quem tem mais orgulho do próprio país, quem faz melhor churrasco e quem faz mais brincadeiras com o vizinho.

O juiz olha para o relógio e encerra a partida.

Placar final: Brasil 15 x 15 Argentina.

No fim das contas, Brasil e Argentina parecem dois irmãos. Passam boa parte do tempo discutindo para descobrir quem é melhor. Brigam por futebol, política, economia, churrasco e vinho.

Mas basta olhar o mapa para perceber que continuaremos vizinhos pelos próximos séculos. Vizinhos inteligentes competem nos esportes, defendem suas ideias, mas cooperam quando isso interessa aos dois lados.

A rivalidade faz parte da nossa história. A parceria deveria fazer parte do nosso futuro.

Afinal, somos as duas maiores economias da América do Sul. E, gostemos ou não, continuaremos sendo, antes de tudo, “hermanos”.

Lucas Izoton
Lucas Izoton
Lucas Izoton é engenheiro e empreendedor com especializações no Brasil e no exterior. Atua nos setores de moda, hotelaria e empreendimentos imobiliários. Fundador da marca COBRA D’AGUA, foi presidente da FINDES e vice-presidente da CNI. É autor de 12 livros, com mais de mil palestras realizadas no Brasil e no exterior. Instrutor do Empretec (ONU/SEBRAE). Como dirigente empresarial, representou o Brasil em eventos internacionais. É presidente da Escola de Associativismo. Avô de Davi e Elisa.

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