O regime militar no Brasil durou quase 21 anos (1964 a 1985) e, até hoje, o debate sobre esse período continua dominado por posições ideológicas, paixões e narrativas.
Mas e se, em vez de apenas emoção e opiniões, olharmos friamente para os números?
Segundo a Comissão Nacional da Verdade, foram 434 mortos e desaparecidos políticos atribuídos ao Estado — uma média de cerca de 1,7 por mês ao longo de todo o período.
Por outro lado, dados frequentemente citados em estudos e análises apontam cerca de 119 mortes de militares e policiais provocadas por grupos armados de esquerda, aproximadamente 0,5 por mês.
Esses números não são opinião ou “achismo”. São registros baseados em levantamentos documentados e fontes confiáveis. E, ainda assim, geram desconforto.
Agora, vamos ampliar a análise.
Quando observamos ditaduras no mundo, utilizando estudos acadêmicos e estimativas amplamente divulgadas, aparecem diferenças importantes que raramente entram no debate público no Brasil.
Regimes de inspiração revolucionária de esquerda — como China de Mao, União Soviética de Stalin e Camboja — apresentaram níveis de mortalidade que, em determinados períodos, se aproximaram de dezenas de milhares por mês, chegando perto de 100 mil mortes mensais.
Já regimes autoritários associados à direita — como Espanha, Indonésia, Argentina e Chile — também registraram mortes relevantes, muitas vezes brutais, porém em patamares médios significativamente menores, na casa de cerca de 2 mil mortes por mês.
E o regime militar no Brasil?
Cerca de 1,7 mortes políticas por mês.
É importante frisar que esses números não servem para relativizar o sofrimento nem para justificar abusos. Uma única vida perdida de forma violenta já é uma tragédia. Mas ignorar diferenças de escala também não contribui para um debate sensato, honesto e inteligente.
Parte significativa da literatura especializada aponta uma explicação relevante: regimes altamente centralizados, normalmente associados à esquerda, com forte controle estatal da economia e baixa possibilidade de contestação, tendem a ampliar o impacto de decisões equivocadas. Quando essas decisões afetam a gestão, a produção, a distribuição de alimentos ou a organização social, o efeito pode atingir fortemente milhões de pessoas simultaneamente.
Já outros regimes autoritários, normalmente associados à direita, embora igualmente condenáveis, tendem a concentrar a violência de forma mais direcionada, especialmente contra opositores políticos, muitas vezes líderes.
Essa distinção não absolve nenhum modelo, mas ajuda a compreender por que os números são tão diferentes.
E aqui entra algo ainda mais incômodo: estatísticas que muitas vezes são esquecidas nas conversas.
Hoje, infelizmente, o Brasil é frequentemente apontado por organismos internacionais como líder mundial no ranking de homicídios. São mais de 3 mil assassinatos por mês.
Ou seja: em apenas 5 dias, morrem mais brasileiros vítimas da violência atual do que morreram ao longo dos 21 anos daquele período histórico.
Então, acredito que, neste momento, o que realmente importa talvez não seja apenas 1964 ou convicção política, mas a qualidade de vida do nosso presente e futuro.
É importante ressaltar, novamente, que os números aqui apresentados foram obtidos em fontes confiáveis, de maneira isenta, sem tendências ideológicas e com honestidade intelectual. Assim, deixo uma reflexão final:
O que os nossos líderes — inclusive você e eu — estamos realmente fazendo para reduzir a violência atual?










Vivi todos os momentos do regime militar e foi a fase mais segura no Brasil.Nao tinha assaltos à mão armada e os crimes eram tratados com muito rigor.Não tinha muito mimimi.Bandido era bandido e não tinha arrêgo.Todos os presidentes não acumularam fortuna.Tenho saudades quando não tinha deputados e senadores.O que se vê hoje é uma baderna.Politico que rouba não pode ser investigado é o povo está sofrendo
Estou sem esperanças para o Brasil
Se fosse um irmão, pai ou mãe, talvez vc não achasse tão “pouco”. O Jair disse quase o mesmo que vc, com outras palavras, quando disse que a Ditadura, que vc substituiu pelo eufemismo regime militar, matou menos que devia.
Boa tarde
Senhor Lucas, obrigada pelas informações, tinha 12 anos, quando o regime militar começou no Brasil 1964.Atualmrnte existem muito mais mortes,acredito que não irei alcançar um país com menos violência e corrupção, sinto muito por meus netos.
Atenciosamente
Mafalda Fortuna Couto
Marcos, bom dia! Obrigado por registrar sua opinião. Gostaria de fazer uma correção no seu comentário. Hora nenhuma citei o que você escreveu: “A Ditadura matou menos do que devia.” O que eu escrevi é que foram 1,7 mortes mensais atribuídas ao estado e atualmente temos mais de 3 mil homicídios mensais. Essa é a grande e mais importante comparação. Vou reproduzir exatamente como escrevi uma parte do artigo: “É importante frisar que esses números não servem para relativizar o sofrimento nem para justificar abusos. Uma única vida perdida de forma violenta já é uma tragédia. Mas ignorar diferenças de escala também não contribui para um debate sensato, honesto e inteligente.” Este assunto abordado é realmente polêmico e mexe com as emoções de todos, inclusive a minha, pois nessa época eu era estudante universitário na Engenharia da UFES e vivenciei de pero este período. Recebi mais de uma centena de manifestações sobre este artigo e a maioria deles citou a honestidade de buscar dezenas de fontes confiáveis e relatar os fatos de maneira isenta. Infelizmente, naquela época o conflito virou uma guerra, onde todos perdem. Abraços