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A tecnologia do Coach

Tem uns 20 dias que estou lavando as louças da minha casa com muito mais dedicação e afinco. Explico.

A Internet me mostrou um vídeo em que algum profissional, em entrevista no formato de Podcast, afirmava sobre a necessidade de colocarmos energia em tudo que fazemos em nossas vidas com intensidade. Com este raciocínio, disse que se uma pessoa conduz sua vida com compromisso e responsabilidade, ela certamente lavará todas as louças com a mesma eficiência e obstinação que cuida da sua vida pessoal ou negócios. Afinal, esse é o modo de encarar todas as atividades em sua vida.

Não lembro mais quem era o profissional. Ou sequer em que segmento ele atua. Somos submetidos a centenas desses perfis hoje em dia. E, mesmo assim, aqui estou eu: muito mais incomodado ao ver minha pia cheia de copos.

A tecnologia do coach é uma linguagem sintética, fragmentada, incisiva e com foco na mudança de comportamento. Hoje conta com adeptos entre médicos, personal trailers, analistas financeiros, lideranças religiosas e quase todas as profissões que consigo lembrar. Carregada de outros significados, confere autoridade, na medida que apresenta seus interlocutores como pessoas capazes de compartilhar conhecimento. Vira instrumento para gerar visibilidade e dinheiro.

Há aqueles que consideram todo esse conjunto de transformações algo ruim, defendendo que o bom conhecimento é aquele construído pelos clássicos ou pelos grandes pensadores da humanidade. Concordo até certo ponto, mas não quero cair no senso comum de apenas criticar os excessos que existem aos montes. (Me deparei nos últimos dias com um certo perfil que “ensina mulheres a serem mais femininas para conquistar homens”, um pensamento digno da idade média).

O fato é: após algumas décadas de uso da Internet, esse formato de conteúdo fez sentido para as pessoas. E felizmente, também tem muitos bons exemplos. Empreendedores sérios, profissionais competentes, artistas e toda sorte de pessoas tem democratizado o conhecimento e, assim, orientado outras a realizar coisas que todos nós concordamos que são positivas. Cuidar da própria saúde, buscar novas fontes de conhecimento, desenvolver seus próprios negócios, se relacionar melhor com as pessoas ou lavar a louça.

Não importa. Observar as técnicas do coach e de outros fenômenos da comunicação contemporânea é mais um exemplo de que os formatos podem mudar, mas o que prevalece é o conteúdo.

Helio Gualberto Neto
Helio Gualberto Neto
Helio Gualberto Neto é publicitário, designer estratégico e sócio da Persona. Escreve sobre comunicação e comportamento.

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