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13 de junho de 2024
quinta-feira, 13 de junho de 2024
Guilherme Dietze
Guilherme Dietze
Guilherme Dietze - graduado em economia pela Universidade de Vila Velha (UVV), especialista em elaboração de pesquisas de mercado pela FIPE/USP, Consultor da Federação do Comércio de São Paulo e a da Bahia, Conselheiro Suplente do Corecon-SP e sócio da Scopus Consultoria.

Safra de grãos em queda em 2024. Como pode afetar o seu bolso?

O IBGE divulgou a terceira estimativa para a safra de grãos para o ano de 2024. Após bater recorde no ano passado, o prognóstico agora é de uma redução de 2,8%, totalizando 306,5 milhões de toneladas.

Um ponto positivo é que não demonstra ser algo generalizado, mas mais concentrado. O grande impacto será, a princípio, na área do milho, com projeção de recuo de quase 13% na 2ª safra, a maior delas. No sentido oposto, a soja deve crescer pouco, 1,7% e o trigo tende a se expandir em 33%.

Outro olhar está nos preços dessas commodities, que são produtos negociados no mercado internacional. Em sua maioria, o valor negociado atualmente está mais baixo do que há um ano, o que ajuda a conter os preços no mercado doméstico.

Embora o Brasil seja um grande produtor e o maior exportador de milho do mundo, essa expectativa de fortequeda na próxima safra não tem surtido efeito no valor na bolsa de Chicago, por conta, possivelmente, de uma compensação de um aumento de produção nos Estados Unidos ou China, outros grandes players mundiais no mercado de milho, ou pelo esfriamento da atividade dessas economias, influenciando na dinâmica dos preços.

Assim, num primeiro momento, a tendência é que os preços de soja, milho, trigo e seus derivados continuem sem pressão para o consumidor, mantendo o comportamento observado ao longo de 2023. Segundo o IPCA, do IBGE, houve deflação de quase 30% no preço médio de óleo de soja no país e queda de 11% na farinha de trigo.

Há um risco no ar que pode mudar essa situação em algum grau. O fenómeno climático El Niño, que traz mudanças na temperatura, com excessos de calor e chuva, pode gerar impactos ao longo do desenvolvimento das plantações nas regiões Sul e Centro-Oeste. Se de fato houver influência, pode gerar efeitos sob duas óticas:

Possível aumento de preços, a depender da situação mundial do determinado produto afetado; Caso haja redução de produção em mercados importantes e no Brasil acontecendo o mesmo, certamente afetará o valor global da commodity.
Prejuízo para os empresários, forçando-os a acionar os seguros e o governo pelo seu lado buscando outros mercados produtores para manter o nível de consumo doméstico. E como os preços estão em baixa, a compra não deve surtir pressão sobre os preços internos.


Portanto, a notícia do IBGE é mais um alerta para observação do que propriamente um risco para os consumidores. Não há, até o momento, indicações para um possível aumento expressivo nos preços
. Ou seja, bolso do consumidor ainda preservado, sem grandes riscos.

Guilherme Dietze
Guilherme Dietze
Guilherme Dietze - graduado em economia pela Universidade de Vila Velha (UVV), especialista em elaboração de pesquisas de mercado pela FIPE/USP, Consultor da Federação do Comércio de São Paulo e a da Bahia, Conselheiro Suplente do Corecon-SP e sócio da Scopus Consultoria.

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