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Rock in Rio e Lollapalooza: entenda como os line-ups de grandes festivais são montados

Rock in Rio e Lollapalooza: entenda como os line-ups de grandes festivais são montados
As redes sociais não perdoam. Não importa o quanto as pessoas são ou não especialistas em música ou têm relação com o mercado, as opiniões sobre os line-ups de grandes festivais são amplamente repercutidas, quase que com ânimos futebolísticos, para o bem ou para o mal.

O mantra “o Rock in Rio não tem rock” é comentário garantido. E ficou ainda mais nestes tempos, quando o festival abriu a porteira – sem juízo de valor, prometo – para o sertanejo, ao anunciar o “Dia Brasil” na edição comemorativa de 40 anos neste 2024.

Mas tudo isso vai muito além: fãs de determinada banda se revoltam por não verem o seu artista nos lines; internautas escrevem em posts listas de nomes que deveriam estar na programação – imperdoável não estarem – e, entre outras possibilidades e evidências, o tribunal virtual avalia se tudo está de acordo com a diversidade e preceitos inclusivos.

Aliás, cobrança correta e que já surtiu efeito no caso do “Dia Brasil”, uma vez que o Rock in Rio excluiu os artistas do Norte do país. É muito provável que os inclua após as manifestações.

No caso do Lollapalooza, jornalistas cobraram em análises o fato de o evento não ter trazido para a edição deste ano muitas novidades. Foram mais apostas em artistas que já participaram ou são velhos conhecidos do mainstream, como Blink-182. E este colunista apontou o dedo para a falta de representatividade no Lolla em relação aos artistas independentes.

Dito tudo isso, por sugestão de uma amiga da área da comunicação, Tati Beling, busquei entender com mais profundidade como esses line-ups são formados. E conversei com Marcelo Beraldo, exatamente o diretor artístico do Lollapalooza.

Segundo Beraldo, a primeira dificuldade relevante é mais simples do que imaginamos: a disponibilidade de agenda dos próprios artistas, especialmente os grandes.

“Eu vejo a galera comentando nas redes: ‘pô, mas os caras não pensam em Red Hot, Pearl Jam’. Cara, é claro que a gente pensa. Mas muitos não estão disponíveis. E essa questão da agenda é o artista que define. Então, muita coisa já é eliminada na primeira rodada de avaliação. Há muitas atrações que estão em turnês de estádios, além da concorrência de outros festivais”, observa.

Há também toda uma tentativa para otimizar a agenda da atração. A ideia, de acordo com Marcelo Beraldo, é oferecer aos artistas entre quatro e seis shows em um espaço de 10 dias, por países como Chile, Argentina, Brasil, Colômbia e Paraguai.

“Mais uma discussão interna é o fato de o Brasil preferir determinada oferta e a Argentina outra, por exemplo. Então, a gente tem de debater, argumentar, embasar, pesquisar como uma banda, numa vez passada, desempenhou na América do Sul e como está a audiência atual”, conta.

Detalhe interessante é a relação entre os artistas pré-streaming (antes de 2010) e pós-plataformas como o Spotify. Beraldo relata que a “onda” nostálgica funciona porque esses representantes são melhores vendedores de ingresso. Sem muita dúvida na analogia, são bandas que construíram a carreira de forma mais consistente, sem a inflação artificial dos plays e views.

Marcelo atesta que uma grande audiência digital não necessariamente se converte em vendas. “Pensa o Rolling Stones… Eles têm audiência menor no Spotify do que muita gente, mas a banda vai vender ingresso em qualquer lugar do mundo”.

Ele explica ainda que uma forma de identificar a consistência do artista no ambiente digital é se os plays são bem distribuídos, a exemplo de artistas como Marisa Monte. Estes, segundo Beraldo, tendem a vender mais ingressos do que alguém inflado com um hit de playlist ou um feat. “bombado”.

“Nos nossos debates, há muito do feeling de cada um também. Mas há quase dois anos tenho trabalhado com levantamento de dados. Nós assinamos serviços para colher esses dados, claro, e agora começamos a fazer um cruzamento entre a audiência e o histórico de vendas”, revelou.

Trocando em miúdos, o festival precisa lucrar e vai definir as atrações sem muito romantismo. Se um artista que admiramos estiver com sua audiência em queda, será evitado.

No meio de todo esse caminho, há discussão ampla sobre a forma como muitos projetos ganham notoriedade e estilos musicais se sobressaem – já debatemos aqui assuntos como jabá no streaming e nas rádios.

De qualquer modo, a discussão desta coluna é mais um indicativo de que novos artistas precisam trabalhar a carreira de forma mais consolidada; valorizando o ambiente digital, tudo bem, mas sem ser hipnotizado pela farsa dos números.

Felipe Izar
Felipe Izar
Felipe Izar é jornalista músico e pós-graduado em marketing digital. São mais de 15 anos de experiência como profissional de comunicação: passou por redações de jornal, blogs, portais, assessorias de imprensa e escritório de marketing nas áreas de música, empresarial, política, de esportes e mais. Como compositor, lançou dois discos, um em 2018, “O Amor, A Escuridão E A Esperança”, e outro em 2022, “Fantástica Realidade”. Em 2023, disponibilizou no mercado curso online de assessoria de imprensa para artistas e profissionais da cultura, chamado Assessoria Autoral.

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