O preço do elogio: após fala sobre Ricardo, Armandinho perde liderança do PL

Não durou dois meses a a posição de Armandinho Fontoura na liderança do PL na Câmara de Vitória. O estopim para a queda relâmpago foi um caloroso discurso na tribuna, onde o vereador teceu elogios ao governador Ricardo Ferraço (MDB). O crime de Armandinho? Reconhecer o mérito do Palácio Anchieta na histórica costura para trazer a montadora chinesa GWM para Aracruz. O aceno republicano provocou a ira imediata do cacique do partido no Espírito Santo, o senador Magno Malta.

“Temos que parar de fazer palanque político apenas. Precisamos também elogiar e parabenizar quem trabalha em prol do Espírito Santo. Essa minha manifestação não se trata de uma fala de apoiamento eleitoral, mas é uma fala de justiça histórica”, defendeu-se Armandinho na sessão.

O parlamentar ainda resgatou a ferida de 1999, quando o então governador José Ignácio Ferreira perdeu a fábrica da Ford para a Bahia de Antônio Carlos Magalhães. Mas, no tabuleiro pragmático do PL, a “justiça histórica” pesou menos que a geopolítica eleitoral.

O Fator Ferraço e as Urnas

Nos bastidores, o aborrecimento de Magno Malta tem CPF e endereço cravados no horizonte eleitoral. Ricardo Ferraço caminha a passos largos rumo à reeleição, consolidando-se como um nome de centro-direita capaz de atrair o eleitorado moderado — exatamente o espaço que o PL tenta monopolizar. Para a cúpula liberal, qualquer palmas de seus correligionários que melhore o know-how político e a vitrine de Ferraço é vista como fogo amigo. Na guerra de narrativas, dar palanque ao adversário é pecado capital.

Fogo Cruzado na Direita

A situação de Armandinho ficou ainda mais delicada porque o vereador já vinha sendo bombardeado pelo “núcleo duro” da direita capixaba. O motivo? Fontoura é um dos raros integrantes do PL de Vitória a se posicionar abertamente na órbita de apoio à pré-candidatura do ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos). Embora Magno Malta ainda não tenha batido o martelo sobre a aliança oficial com o Republicanos, a movimentação antecipada e independente de Armandinho acendeu o alerta vermelho na Executiva.

Dança das Cadeiras e o Dia a Dia

A fritura de Armandinho expõe a instabilidade que ronda a bancada do PL na capital. Em abril, o presidente municipal da sigla, deputado federal Gilvan da Federal, já havia trocado Dárcio Bracarense por Armandinho após desavenças internas.

Na prática das galerias, porém, a liderança formal muda, mas a divisão de poder continua informalmente partilhada entre os dois desde o início do mandato. A missão do líder de bancada é a de orientar o voto em plenário, usar o tempo nobre das comunicações de liderança e ditar o ritmo da oposição na principal Casa de Leis do estado. Uma coisa é certa: o “filtro ideológico” de Magno Malta estará mais rigoroso do que nunca.

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