Casagrande lidera nas pesquisas ao Senado; quem será o segundo voto?

O desenho das eleições 2026 para o Senado no Espírito Santo apresenta um cenário de forte polarização ideológica e pragmatismo regional. No mercado político capixaba, a avaliação de bastidor é consensual: o ex-governador Renato Casagrande (PSB) desponta como franco favorito para ocupar a primeira das duas cadeiras em disputa em outubro.

Diante dessa (possível) folga nas urnas, as atenções das lideranças e do empresariado se voltam integralmente para o “segundo voto”. É nessa brecha que o deputado federal Evair de Melo (Republicanos) ganha tração, impulsionado pelo setor produtivo e pelo forte recall do eleitorado de direita no Estado.

A ascensão de Evair de Melo reflete sua articulação — ele foi o fiador da união entre PP e Republicanos na eleição de Lorenzo Pazolini em Vitória — e o avanço sobre o eleitorado do agro, cooperativismo e indústria. Para consolidar esse teto, o parlamentar carrega o selo oficial de “candidato de Bolsonaro” no ES, herança direta da lista de apoios prioritários do ex-presidente da República.

As raízes e o rompimento dos vizinhos do sul

Quem acompanha o cenário nacional mal se lembra de que Renato Casagrande e Evair de Melo compartilham origens geográficas e políticas idênticas. Ambos são filhos políticos do Sul do Espírito Santo, criados a meros 10 quilômetros de distância: Casagrande é natural de Limoeiro, em Castelo, e Evair vem de Santa Luzia, em Conceição do Castelo.

Mais do que a proximidade física, os dois construíram suas bases no interior capixaba por meio do desenvolvimento agrário. A ironia histórica reside no fato de que os dois já dividiram a mesma trincheira administrativa: Evair de Melo foi diretor-presidente do Incaper durante a primeira gestão de Casagrande à frente do Palácio Anchieta. Rompidos há anos por divergências paroquiais e nacionais, os antigos aliados agora colidem em espectros opostos, embora guardem a mesma escola de articulação baseada no municipalismo.

O tabuleiro das eleições 2026: quem corre por fora na disputa ao Senado

A consolidação de Casagrande e a viabilização de Evair de Melo como a voz do bolsonarismo pragmático não anulam as forças que tentam fragmentar o segundo voto capixaba. A disputa pelo Senado ES em 2026 apresenta um arco de alianças complexo que promete esticar a corda da militância de lado a lado.

No campo da esquerda, o senador Fabiano Contarato (PT) busca canalizar o voto ideológico alinhado ao governo federal. No Centro, nomes de forte apelo popular e capilaridade tentam quebrar a polarização, como a experiente Rose de Freitas (MDB) e o fenômeno de redes Sergio Meneguelli (PSD).

Já na raia da direita, o cenário é de forte concorrência interna pelo espólio conservador. Além de Evair, buscam o voto bolsonarista os pré-candidatos Marcos do Val (Avante), Manato (Republicanos), Leonardo Monjardim (Novo), Maguinha Malta (PL) e Callegari (DC). A poucos meses da eleição, o eleitor capixaba se depara com um paradoxo: para equilibrar a balança do poder com o provável favoritismo de Casagrande, o mercado político do Espírito Santo dá sinais claros de que o segundo voto tende a se concentrar em quem apresentar maior capacidade de oposição ao Palácio do Planalto.

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