A produção de petróleo e gás no Espírito Santo apresentou crescimento relevante em 2025, embora permaneça fortemente concentrada na porção capixaba da Bacia de Campos e em patamar modesto quando comparada aos níveis registrados há cerca de uma década. Apesar do expressivo potencial energético estadual, a manutenção e eventual ampliação da produção dependem da retomada de investimentos em revitalização de campos maduros e em atividades exploratórias. Sem esse esforço, a produção tende a permanecer limitada, restringindo os efeitos econômicos e o desenvolvimento regional associados à cadeia de óleo e gás.
Segundo a ANP, a produção média de petróleo e gás no Espírito Santo em 2025 alcançou 224,7 mil barris de óleo equivalente por dia (mboe/d), volume 26,3% superior ao registrado em 2024. Desse total, 92,6% foi produzido na Bacia de Campos, no litoral sul capixaba, enquanto 7,4% teve origem em áreas terrestres e marítimas da Bacia do Espírito Santo, ao norte do estado. A produção de petróleo foi de 192,8 mil barris por dia (bbl/d), volume que posicionou o Espírito Santo como o segundo maior produtor do país. Já a produção de gás natural atingiu 5,1 milhões de m³ por dia em 2025, representando aumento de 39,3% em relação ao ano anterior.
Em 2025, o aumento da produção esteve diretamente associado ao desempenho do campo de Jubarte, no Parque das Baleias, norte da Bacia de Campos, em águas capixabas, impulsionado pela entrada em operação do FPSO Maria Quitéria, desde outubro de 2024. Operado integralmente pela Petrobras e com produção oriunda do pós-sal e do pré-sal, Jubarte alcançou média de 178,2 mboe/d no ano, equivalente a 79,3% da produção estadual de petróleo e gás. Esse resultado evidencia a importância estratégica do campo e dos investimentos da Petrobras, mas também reforça o elevado grau de concentração produtiva no estado.
Na Bacia do Espírito Santo, o comportamento foi distinto, com queda de 12,4% da produção em 2025 em relação a 2024. A reconfiguração decorrente da venda dos campos pela Petrobras entre 2020 e 2023 — que culminaram no encerramento de suas operações de produção na bacia e na entrada de operadores independentes — ainda não se traduziu em ganhos consistentes de produção como anunciado na época dos desinvestimentos, indicando que a revitalização esperada permanece limitada.
Contudo, uma avaliação da produção estadual na última década revela uma tendência estrutural de declínio. Em 2016, a produção média estadual foi de 460,8 mil boe/d, mais que o dobro do volume registrado em 2025. Tanto a porção capixaba da Bacia de Campos quanto a Bacia do Espírito Santo apresentaram forte recuo produtivo na última década, conforme indicado no gráfico a seguir.

O declínio não pode ser explicado apenas pelo amadurecimento natural das bacias. Ainda que esse fator tenha peso, a magnitude da queda também se relaciona à retração dos investimentos, tanto na revitalização de campos maduros quanto na atividade exploratória voltada à incorporação de novas reservas.
O recuo no número de poços perfurados constitui um importante indicador da redução do investimento na atividade petrolífera no estado. De acordo com a ANP, entre 2006 e 2015 foram perfurados 709 poços; já no período de 2016 a 2025, o total caiu para 155 — redução de aproximadamente 78%. No caso específico dos poços exploratórios, a contração é ainda mais significativa: apenas 18 perfurações entre 2016 e 2025, frente a 163 entre 2006 e 2015, o que representa uma queda de aproximadamente 89%. Esse nível reduzido de atividade tende a comprometer a reposição de reservas e impõe restrições à capacidade de sustentação da produção estadual no médio e longo prazo.
Não obstante, o Espírito Santo mantém relevante potencial petrolífero. O estado possui 32 blocos exploratórios contratados cujo aproveitamento efetivo exige novos investimentos, especialmente em perfurações. Da mesma forma, aportes em revitalização são fundamentais para elevar o fator de recuperação e prolongar a vida produtiva dos campos já descobertos.
Nesse contexto, os investimentos da Petrobras podem desempenhar papel estratégico. A companhia detém três blocos exploratórios na Bacia do Espírito Santo, incluindo o ES-M-669 (PAD Monai), onde já há notificação de descoberta. A eventual declaração de comercialidade e desenvolvimento desse ativo pode sinalizar o retorno da estatal à produção na bacia. Além disso, o Projeto Integrado Sul do Parque das Baleias (ICSPB), assinalado no atual Plano de Negócios da Petrobras, para depois de 2031, será fundamental para sustentar e ampliar a produção na porção capixaba da Bacia de Campos.
No curto prazo, a produção tende a crescer com a entrada do campo de Wahoo, operado pela Prio na Bacia de Campos, prevista para o primeiro semestre de 2026. Contudo, a consolidação desse crescimento dependerá da ampliação consistente dos investimentos em exploração e revitalização. Sem a recomposição do esforço exploratório e produtivo, o estado permanecerá dependente de um único ativo, mantendo elevado grau de concentração e limitada capacidade de expansão estrutural da produção.










Nossos parlamentares devem se movimentar cobrando investimentos, modernização das plataformas, revitalização dos campos petrolíferos e furar novos poços, para retomar o incremento da produção no nosso Estado.
Excelente explanação do Dr. Francismar.
Parabéns!