Por que não te calas? A frase dita pelo rei Juan Carlos I da Espanha ao presidente venezuelano Hugo Chávez durante a XVII Conferência Ibero-Americana, realizada na cidade de Santiago do Chile, no final de 2007, pode ser perfeitamente cunhada para o atual Presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva.
Nesta semana, reuniram-se me Brasília, presidentes de 11 países da América do Sul, à exceção da Presidente do Peru, Dina Boluarte, impossibilitada de se ausentar de seu país após a deposição do ex-presidente Pedro Castillo, para discutirem sobre a retomada de uma agenda comum entre os países sul-americanos, em especial, a manutenção do diálogo regional e a cooperação em áreas como infraestrutura, saúde e combate ao crime organizado.
No entanto, o que ofuscou o brilho do evento e maculou a imagem do Presidente do Brasil diante da tentativa de ser visto como um estadista regional, foram as declarações excessivamente elogiosas ao Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e ao seu governo, não apenas durante sua recepção ocorrida no dia anterior, mas durante e após o encontro dos Chefes de Estados.
Por mais de uma vez, o Presidente Lula manifestou uma visão errática da situação enfrentada pelos venezuelanos, desconhecendo o êxodo crescente dos últimos anos, devido as precárias condições de vida impostas a todos, por um governo sem responsabilidade fiscal, desrespeito a direitos e garantias individuais e práticas antidemocráticas e autoritárias. Chegando ao extremo de condenar os países que impõem sanções econômicas e comerciais a Venezuela por essas práticas, como os verdadeiros responsáveis pela crise política e humanitária que assola o país vizinho há décadas.
Esse discurso desconexo do Presidente da República, em um momento em que o governo federal necessita da aprovação de importantes projetos de leis de seu interesse, no Congresso Nacional, acaba expondo ainda mais a fragilidade da base de sustentação política do governo, principalmente, na Câmara Federal. Ao mesmo tempo, que amplifica ainda mais os poderes do então, presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, defensor e aliado político, até a pouco tempo, do principal opositor desse governo, o ex-Presidente Jair Bolsonaro.
É público e notório que as condições politicas do atual mandato do Presidente da República em nada se assemelha aos seus mandatos anteriores. Enquanto no passado, o Presidente Lula disputou as eleições contra o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, de forma limpa e democrática, e recebeu um País organizado sob o ponto de vista fiscal e econômico, a sua recente vitória contra o ex-Presidente Bolsonaro ressignificou uma nova estratificação do pensamento de base do eleitor brasileiro.
Nesse ambiente de forte polarização política ainda existente, não é inteligente o Presidente Lula demonstrar posicionamentos controversos e excessivos, principalmente a respeito da legitimidade do regime democrático. É tempo de construção de pontes e alianças estratégicas que possam ajuda-lo a recuperar a hegemonia política que já lhe fora favorável. É tempo de falar menos, e ouvir mais! É tempo de calar-se!









